sábado, fevereiro 19, 2005

Semana de convivências

Já antes de chegarmos às ilhas canárias, sabíamos, mais ou menos, o que nos esperaria nestes primeiros dias; por isso, tivemos tempo para preparar tudo atempadamente e da melhor forma; Refiro-me, mais concretamente, às convivências que nos encarregaram de preparar para os estudantes do colégio de S. Vicente de Paulo, contíguo à casa da comunidade.
Deste modo, desde segunda até quinta-feira, da parte da manha, estivemos com os alunos dos vários anos de escolaridade aquí presentes. Em cada convivência começávamos com uma pequena dinâmica de apresentaçao/ambientaçao, seguida de um momento de oraçao; terminada esta, víamos um filme (planta 4ª ou Shrek 2) e trabalhavamos em grupos sobre a mensagem que nos transmitia e seus valores. "Ser pessoa à imagem de Jesus Cristo" era o último tema que trabalhávamos. Seguia-se, para terminar da melhor forma a convivência, a celebraçao da Eucaristia.
Avaliando o trabalho feito, penso que foi muito positivo para nós e para todos os jovens do colégio que participaram nas convivências; certamente aprendemos todos algo de novo: por um lado, experiência no trato com os jovens e, por outro, um maior conhecimento dos valores humanos fundamentais e da pessoa de Jesus Cristo.
Na sexta-feira e hoje, sábado, nao nos dedicamos às convivências, mas sim à preparaçao da missao que tem início amanha. Nao se trata de um tempo forte de missao, mas sim de um tempo de preparaçao para a missao (Outubro). Sem dúvida que nao será fácil e muito trabalho nos espera. Da nossa parte procuraremos dar o nosso melhor e encomendamos esta missao e seus frutos ás vossas oraçoes....
Bruno

terça-feira, fevereiro 15, 2005

LAS PALMAS

Eram 16 horas (hora de Portugal e de Canárias), quando no passado domingo um avião proveniente de Madrid havia terminado as manobras de aterragem... Nesse avião, cheios de curiosidade, vinham os quatro ("magnificos") seminaristas missionários: Alexis (de volta à sua terra), Nacho (conhecendo mais um canto do seu país), Bruno (acabado de acordar) e Nuno (eu).
O acolhimento foi feito, e muito bem, pela comunidade da CM de Las Palmas.
Chegados a casa, foi momento de ficarmos encantados com a casa, uma casa senhorial antiga... realmente encantadora!
O nosso trabalho nesta primeira semana consiste em realizar encontros/convivencias com as várias turmas do colégio a cargo desta comunidade...
...pelas tardes, depois de tudo preparado para o dia seguinte, temos aproveitado para conhecer: a cidade, os centros comerciais, a praia,...
Enfim, chegámos bem e bem nos sentimos... estamos encantados com a ilha e ainda não conhecemos nada... vamos ver o que nos espera durante este mês...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

sábado, fevereiro 12, 2005

EFECTIVAMENTE...


Efectivamente não nevou em Teruel...
Efectivamente já estamos em tempo de Quaresma...
Efectivamente o tempo passa sem que demos conta...
Efectivamente amanhã já é dia 13 de Fevereiro...

Amanhã iniciamos uma nova etapa do Seminário Interno: A MISSÃO!
Os “campos” de missão serão 3: Alicante (para os dois de Madrid), Cuenca (para o José e para o Ramón) e Jinámar – Canárias (para o Nacho, o Alexis, o Bruno e eu).

A expectativa é grande para todos nós... e a vontade de trabalhar pela missão também...
Contamos convosco e com a vossa oração...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

Nota: Como não sei as condições materiais que me esperam não sei se durante o mês de missão poderei escrever neste espaço... mas amanhã já saberemos!!!

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

TERUEL MEDIEVAL...


Era uma vez uma linda jovem turelense... como em todas as histórias de encantar, esta bela jovem conheceu o amor... o seu principe, o seu Diego.
Porque os contos de encantar necessitam de emoção, neste caso o pobre Diego foi para a guerra... A pobre jovem, triste e lacrimejante, ficou à espera do seu amado, com o qual, antes da sua partida havia acordado uma data até à qual havia de esperar por ele...
Porque a sina dos amantes é sempre triste, neste caso também não deixou de o ser...
O pai da nossa bela jovem, homem preocupado com a sua descendencia que não via meios de surgir por ter a filha em casa sem se casar, começou a empenhar-se em resolver esse mal, e em casá-la...
A nossa bela jovem lá foi conseguindo atrasar os projectos do preocupado pai, mas, um dia, na mais profunda penumbra existencial ficou ao receber a noticia de que o seu amado Diego havia beijado os frios lábios da morte no campo de batalha...
Como o prazo acordado com Diego estava a terminar e o pai estava cada vez mais insistente com o projecto de a casar, a nossa jovem cedeu e o casamento com um nobre cavaleiro da cidade foi marcado para a véspera do dia em que terminava o prazo...
Ó cruel fado que brincas com os sentimentos dos pobres mortais...
No dia em que o prazo terminava, chega Diego a Teruel e, qual não é o seu espanto quando ao perguntar o porquê da festa na cidade descobre que tudo se deve ao casamento da sua amada...
Diego, apaixonadamente louco, corre ao encontro da sua amada, consegue entrar na casa, e, após tantos momentos de amargura em que a lembrança do seu rosto o anima e conforta, vê o amado rosto...
Como seria de esperar, e porque esta história se passa no tempo em que a honra era palavra ainda com significado, quando Diego pede um beijo a sua amada a única coisa que recebe é um estalo na cara...
Porque não são só as mulheres que sofrem de amor, o nosso pobre Diego, em imenso sofrimento pela rejeição, encontra o consolo dos frios braços da morte e a eles se entrega...
A nossa bela jovem, ainda não senhora por ainda se não ter dado a consumação do matrimónio, em lágrimas por não poder entregar-se ao seu verdadeiro amor, recebe a notícia: o Diego morreu...
Ó sofrimento, ó desdita, ó fado...
Esquecendo tudo e todos, a nossa jovem corre ao encontro do seu amado...
Mudos de espanto, todos os que o morto velavam, assistiram á chegada da nossa jovem... Se lágrimas mais pudessem seus tristes olhos chorar, mais pelas suas belas faces correriam... Ela chega... indiferente a todos, junto ao frio corpo do seu amado se ajoelha...
«O beijo que na vida te neguei, na morte o darei...»
Na lentidão de quem quer saborear o momento, vai aproximando os seus vermelhos lábios dos já pálidos de Diego... e, numa entrega de verdadeira paixão, beija aquele que nunca deixou de amar...
Porque também as mulheres morrem de amor, a nossa bela jovem, que a outro não se queria entregar, a vida abandonou e como o seu amado morta ficou...

Esta história, muito do estilo de Romeu e Julieta, menos famosa embora anterior, é inspiração para Teruel... Os corpos dos dois amantes jazem na bela Igreja de San Pedro e durante este fim de semana foi a sua história ocasião para um reviver o passado...
Toda a cidade vestiu os seus trajes medievais...
Todas as tendas de venda de produtos artesanais se montaram...
O touro saíu à rua...
As encenações do romance dos amantes sucederam-se relembrando todos os momentos do seu fatídico amor...
Enfim, vivi este fim de semana uma festa que me encantou e que recomendo a todos...
É realmente algo digno de se ver!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

domingo, fevereiro 06, 2005

«VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO»


Ao escutar o Evangelho de hoje, somos surpreendidos pelas palavras de Jesus Cristo: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,14a)... que quereria o Mestre de todos os mestres dizer com essa intrigante afirmação?
A resposta mais óbvia é que nos chama a ser suas presenças e portadores da sua luz no mundo. Como se consegue isso? Com a vida! Com o agir no dia a dia, afirmando-nos cristãos não só com o que dizemos mas, e muito mais importante, com o que fazemos e como o fazemos...
Porém a minha meditação não se ficou por aí... não podia ficar...
Uma sequencia de dúvidas me assaltaram:

Que tipo de luz sou? E que tipo de luz quero ser?
Serei uma daquelas luzes de vela que, de tão mortiças, pouco ou nada iluminam?
Serei uma luz de lâmpada que se acende e apaga consoante as conveniências?
Serei um bonito candelabro, muito trabalhado, muito cheio de ouros, muito brilhante, muito antigo,... que todos admiram mas que já ninguém usa?
Serei uma daquelas lâmpadas que se orientam para um só sentido?
Serei um daqueles candelabros que acesos são muito bonitos mas que assim que se apagam se descobre que estão cobertos pelo pó e pelas teias de aranha?
Afinal, sou uma luz que realmente ilumina ou, pelo contrário, serei uma lâmpada fundida?

E tu?
Que tipo de luz és?

Nuno Miguel Lopes, c.m.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

S. Brás

Ontem, dia de S. Brás, assisti a algo que, em Portugal, nunca tinha visto. Sabia que S. Brás era o Santo dos doentes de garganta, mas que no seu dia se benziam alimentos, nao. De modo que, no momento precedente ao ofertório, comecei a notar uns ruidos e movimentos fora do normal: a maior parte das pessoas abriu os seus "sacos" cheios de alimentos e recebeu a água benta. Sem dúvida, algo que nunca tinha visto. Já no final da eucaristia, uma filoteia da paróquia ofereceu-nos caramelos, estes, especiais, pois estavam benditos... outra novidade para mim!...
Ainda ontem e, sobretudo, hoje a cidade de Teruel passará dos seus 30.000 habitantes para mais de 50.000 por causa dos "medievais". É algo característico desta cidade e que está relacionado com a guerra civil espanhola, altura em que o carnaval foi proibido aqui. Para substituir-lo surgiu a ideia dos "medievais", em que toda a cidade revive, recorda e se veste á medieval. Além do mais, a cidade celebra ou recorda os amantes da cidade: Diego e Isabel. A este singular evento acorrem muitos turistas, e por essa razao a populaçao de Teruel dobra.
Por esta razao, ontem, por todo o centro da cidade se viam várias pessoas disfarçadas e montando as suas tendas de venda. Nós, por volta das 9:30, e á volta da fogueira, como no dia de Santo Antao, preparámos e comemos o nosso saboroso jantar. Sem dúvida outro momento de alegria e convivio entre todos, importante para quem vive em comunidade.
Hoje ainda nao saí de casa, mas sairei para ver como se reveste a cidade neste dia especial, que para mim é mais uma novidade, entre muitas outras que já vivi desde que aqui estou...
BRUNO