quarta-feira, junho 29, 2005

VISITAS...


O Verão chegou... os pássaros cantam... os esquilos brincam... o calor aperta... e todos começamos a sentir saudades da praia, das férias, da familia...
... mas, muito importante, o Seminário Interno ainda não acabou... faltam alguns meses...
Por isso, durante os 3 últimos dias, fomos brindados com a presença dos PP. Américo e César, que nos vieram apresentar as Normas Provinciais da PPCM, coisa que fizeram muito bem!
Como únicos portugueses na casa, o Bruno e eu, fomos chamados a ser os anfitriões dos nosso dois co-irmãos portugueses.
Nos tempos livres aproveitámos para mostrar-lhes um pouco da cidade de Teruel, de Albarracín e das paisagens envolventes... se foi do seu agrado, só eles o poderão responder... a mim, pelo menos, agradou!!!

Foi muito bom, durante estes dias, falar tanto em português e saber coisas de Portugal... afinal, todos gostamos de estar com a familia, principalmente quando estamos longe...

Foi bom receber esta visita... espero que eles digam o mesmo!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

domingo, junho 19, 2005

«PORTUGAL, HOJE – O MEDO DE EXISTIR»


Sim! Mesmo estando em Espanha, tive acesso ao interessante livro de José Gil (um filósofo português que só agora conheci), cujo titulo “usurpei” para intitular esta partilha: «Portugal, Hoje – O medo de existir».

É um livro pequenino mas muito denso. De uma maneira muito interessante, o autor parte do real do Portugal contemporâneo para reflectir sobre os problemas desse mesmo Portugal, que são de hoje, mas que o são também de todo o século XX. Para ele, em Portugal, há um medo que aprisiona, dando, por outro lado, uma ilusória sensação de liberdade. Usando as suas palavras: «..., é naturalmente, espontaneamente, que pensamos de uma só maneira, caminhamos por uma só via, como se fosse evidente que só estas existem.» (p. 113).

Para ele o grande mal que ataca ferozmente a sociedade portuguesa é a não-inscrição. Tudo se vive, mas nada deixa «marca». Vivemos de pequenos prazeres, pequenas realizações... mas... deixamos marcas para o futuro? Aliás, será que deixamos marcas no presente?
Todas estas questões vão sendo exploradas nas 142 páginas que o livro tem. Ele vai partilhando a sua reflexão sobre a excessiva dependencia e poder dos média, principalmente das Televisões, sobre o estado do país, sobre as realizações nacionais contemporâneas como o Euro 2004, sobre a política salazarista, sobre os acontecimentos políticos do último verão com a chegada do governo de Santana Lopes,... enfim, com muita clareza vai analizando o Portugal dos nossos dias.

Reconheço que o livro me agradou (para quem me conhece sabe que isso não é de espantar)... porém, senti também alguma sensação de desconforto ao ler algumas das suas páginas... por vezes quase se tem a idea que somos uma nação perdida... e com isso eu não concordo... porque, acima de tudo, acredito, mais que em Portugal, nos portugueses!!!

É um livro que vale a pena!
Quem ainda não leu este Best seller que o faça, verá que não se arrependerá!

Nuno Miguel Lopes, cm

Nota: Não posso deixar de agradecer ao Nélio por se ter lembrado de mim e me ter trazido este livro de Portugal: Obrigado, Nélio!!!

quinta-feira, junho 16, 2005

Passeio Rural

Ontem, por convite do Padre Baltazar, (pároco de umas aldeias pequenas pertencentes à província de Teruel e bem longe da cidade), nós seminaristas e o Padre Santiago, nosso director, fizemos um passeio rural junto ás margens do rio chamado de “Ebrón” que une as povoaçoes de Tormón e El Cuervo. Um percurso do qual todos gostámos pela sua beleza e singularidade, e que pelos vistos o Seminario Interno do próximo ano também fará, de forma mais organizada e com mais tempo. Com bastante cansaço e muito apetite comemos, acompanhados, agora também, pelo Padre Baltazar na residência paroquial em Alobras, um dos seus “pueblos”, como lhe chamam aquí. Já depois do almoço, estivémos a conversar um pouco com algumas pessoas da povoaçao, incluído o presidente da Junta. Seguimos o nosso passeio, agora de carrinha, para visitar as igrejas das povoaçoes onde o Padre Baltazar trabalha e também umas pinturas rupestres sem grande interesse para nenhum de nós, a nao ser o facto de terem sido descobertas por padres vicentinos que alí se encontravam em Missao. No fim de tudo isto, e já em casa, celebrámos a Eucaristia.
Ao longo do dia, deparámo-nos com o problema da seca bem visível nos campos de trigo absolutamente minúsculo e seco, e até num senhor que teve de recorrer á fonte da povoaçao para buscar agua, pois em sua casa nao havia. Sem dúvida, um bom motivo para pedirmos a Deus que chova, sobretudo para os que dela precisam e nao sabem nem têm possibilidade de a conseguir…

ASS Bruno

terça-feira, junho 14, 2005

PARÓQUIAS VICENTINAS?!?


Desde ontem, e até à próxima quinta-feira, nas horas de aula que corresponderiam ao P. Félix, que está de regresso do seu périplo pelo norte de África, estamos a receber formação sobre o ministério das paróquias, com o P. Angel Pascual.

É muito interessante verificar como ese ministério pode e deve ser muito vicentino quando desempenhado por um sacerdote da CM. Assim, hoje estivémos a estudar um documento, das 4 provincias espanholas da CM, intitulado: «Elementos específicos para um Projecto Pastoral das Paróquias atendidas pela CM».

Para que podais ter uma pequena ideia do que contém, partilho alguns pontos que foca:

1º Convida os missionários a esforçar-se por dar um cunho de autenticidade vicentina às nossa paróquias.


2º Que os sacerdotes da CM que são chamados a ser párocos devem esforçar-se por revestir-se com o Espírito de Jesus Cristo, para tal se lhes recomenda as seguintes atitudes:
- Actitude de conversão continua;
- Actitude de itinerância e desapego;
- Actitude de colaboração e trabaho em equipa;
- Actitude de austeridade nos meios;
- Actitude de convivencia e afabilidade no trato;
- Actitude de humildade para deixar-se ensinar;
- Actitude de compaixão e misericórdia;
- Actitude de sensibilidade frente à pobreza e as injustiças;
- Actitude de partilhar pessoal e comunitariamente com os outros, especialmente com os pobres.


3º Convida os «nossos» párocos a viver as 5 virtudes vicentinas: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo pelas almas.


4º Que nos nossos ministérios paroquiais não esqueçamos nunca a prioridade que é a nossa tarefa missionária.

É muito interessante estudar este tema... sabendo, é certo, que uma coisa é o ideal e outra a práctica... mas o certo é que me vai dando uma nova visão sobre esta tarefa que pode ser tão vicentina!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

segunda-feira, junho 06, 2005

MADRID


Este fim de semana, com a finalidade de estar presentes numa ordenação sacerdotal de “um dos nossos”, o Seminário Interno deslocou-se a Madrid.
O ordenando, Josema (José Manuel Aparicio), é um dos muitos membros da Provincia de Madrid da CM. Foi com grande alegria que estivemos presentes na sua ordenação. Ali fomos contagiados pelos cantos animados da JMV, pela homilia muito vicentina do Bispo Emérito de Burgos, que presidiu à celebração, apesar de notavelmente doente. A igreja estava cheia. Ai estava presente a paróquia (cujo pároco é um sacerdote da Missão), a CM (da provincia de Madrid, mas também o Superior Geral e um Bispo vicentino de Guatemala), as Filhas da Caridade, a JMV,... enfim, a familia de São Vicente de Paulo. Em familia acolhemos este neo-sacerdote.
Como referi, aí estava o Superior Geral, que se encontrava em Madrid para participar num encontro da AIC. Uma vez mais tivemos a oportunidade de estar e falar com ele. E uma vez mais se mostrou uma pessoa tão sociável como simples e acessivel. Foi então que lhe perguntei para quando uma visita a Portugal. Foi com felicidade que recebi como resposta que estava entre as três visitas que pretende realizar. No Domingo, porque almoçámos na casa provincial de Madrid, e ele também aí se encontrava. Dele me despedi com um até para o ano em Portugal.
Na Casa Provincial de Madrid, fomos muito bem acolhidos. Aí pernoitámos e almoçámos no Domingo, como já referi. Despois do almoço, tivemos a oportunidade de visitar o arquivo, muito bem guiados pelo P. Orcajo. Até me doeu o coração ao lembrar-me do arquivo de Portugal...
Mas, para além do principal – a ordenação – aproveitámos o fim de semana para fazer também um pouco de turismo.
No sábado, e na viajem de Teruel a Madrid, aproveitámos para passar por Sigüenza (terra natal do ordenando) e fazer uma visita. É uma cidade pequena mas encantadora. O que mais de encantou foi o seu castelo, muito bem aproveitado como pousada, e a Catedral, onde tive a oportunidade de descobrir que um dos seus bispos mais venerados era português. Além disso, aí pude contemplar uma das pinturas de El Greco.
Já em Madrid, e despois da ordenação, e da recepção/convivio ao ar livre junto à igreja onde decorreu a celebração, fomos conhecer um pouco de Madrid e ver o se ambiente nocturno. Foi um pequeno passeio, mas deu para ver o quão cosmopolita é Madrid. Sentados numa esplanada na «Gran Vía» pudemos ver como a cidade corria diante dos nossos olhos... gente tão diferente... gente tão rica... gente tão pobre... Ai vi o nosso Bruno escandalizado... é que dois rapazes estavam manifestando a sua «amizade» com muito carinho e afecto... pois é, numa cidade grande arrisca-mo-nos a ver o que queremos e o que não queremos...
No domingo, pela manhã, fomos conhecer os pontos mais turísticos da cidade. Foi uma caminhada muito cansativa mas muito interessante. Realmente Madrid é uma cidade que tem muito que ver... desde a «Puerta del Sol» até á «Gran Vía»... do museu e «Paseo del Prado» à «Puerta de Alcalá»... da Catedral da Almudena (mais um quadro de El Greco) ao Palácio Real... que maravilha...
Enfim, foi um fim de semana muito bem passado... foi um cansar o corpo para revitalizar o espirito... valeu a pena!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

quinta-feira, junho 02, 2005

MISSÕES...


É com algum contentamento, mas não todo, que vejo alguns (fieis) leitores e comentadores “massacrando” o Bruno por não escrever mais crónicas. Se a sua vocação não é a escrita, creio que devemos deixar de massacrar e, pelo contrário, louvar o pouco que escreve. Se o pudesseis fazer seria muito bom que escutasseis o Bruno tocar peças de Bach, Schubert,... no piano. Dá gosto!!! Se tocando piano se sente melhor que escrevendo, creio que isso devemos respeitar!

Também é uma facto que temos tido uma carga de trabalho que não nos tem permitido dedicar muito tempo aos “hobbys”... pode parecer incrivel, mas aqui trabalhamos... perguntem ao Director, de quem só digo que uma das suas frases-fétiche é «Trabalhar! Trabalhar! Trabalhar!».

Sobre a formação, que só posso dizer, que para os que a querem aproveitar, é uma riqueza inestimável (para os que a quizerem aproveitar, claro!!!). Durante esta semana, além da formação habitual, estamos a ter formação sobre as missões e sua realidade nos nossos dias. O formador é o P. Luis Mari Martinez Sanjuan, que pelo menos os que estiveram no último encontro de missões em Fátima conhecem. Além do mais, é interessantíssimo verificar que ele não tem qualquer pudor en citar o P. Nóbrega, entre outros portugueses.

Também interessante tem sido estudar as virtudes vicentinas... que caminho espiritual se trilha nesse estudo (muito interessante o trabalho do P. Maloney sobre as virtudes que se encontra no Dicionário de Espiritualidade Vicentina)!!! Agora iremos começar com os Votos... estou curioso de ver o que realmente significam para nós!!!

Como podem verificar aqui ocupamos bem o tempo (pelo menos os que o querem fazer!!!).


Nuno Miguel Lopes, cm