quinta-feira, setembro 29, 2005

A LEI DA VIDA…


A chamada «Lei da Vida», omnipresente durante toda a nossa peregrinação terrena, é a dura confrontação com a realidade da forçosa finitude. As flores mais belas murcham. Os animais de estimação sucedem-se. As melhores férias inevitavelmente chegam ao seu final. A juventude passa. A velhice sorri. A morte espreita. É a dura realidade existencial com a qual a inevitável «Lei da Vida» nos confronta.

Quando há um ano demos inicio a esta página/blog, de partilha de experiências e acontecimentos desde o Seminário Interno, sabíamos que a sua duração estava definida e que o seu fim tinha data marcada.

Ontem, Solenidade de São Vicente de Paulo, aqui na Comunidade da Luz, o Bruno e eu afirmámos (e o Pedro renovou) o (Bom) Propósito de nos dedicarmos fielmente, por toda a nossa vida, à evangelização dos pobres, na Congregação da Missão, seguindo a Cristo evangelizador, observando a castidade, a pobreza e a obediência segundo as Constituições e Estatutos do instituto ao qual temos o orgulho de pertencer. Foi com grande emoção que fizemos a afirmação do Bom Propósito e que pedimos a ajuda do Senhor para o cumprir.

Com este acontecimento foi cortado o cordão umbilical que ao Seminário Interno nos ligava. Agora estamos no Seminário Maior.

Este ano de Seminário Interno, tão intensamente vivido em Teruel e Portugal, vai ficar sempre gravado no meu interior: os momentos bons, os amigos que ganhei, as experiências que vivi, as comunidades que tão abertamente que acolheram, a cidade de Teruel que desde o inicio me encantou, … enfim, foi um ano inesquecível!

Obrigado PPCM por me acolheres!
Obrigado Comunidades de Teruel e Santa Quitéria por me fazerem sentir em casa!
Obrigado Senhor por mais esta experiência de vida!

Agora, e voltando à «Lei da Vida», é momento de deixar esta página “morrer”. Cumpriu o seu propósito enquanto viveu e creio que continuaremos a sentir o seu perfume por alguns tempos mais…

Nuno Miguel Lopes, CM

NOTA: A todos os muitos e fieis leitores deste espaço o nosso muito obrigado pela vossa fidelidade, interesse e participação! Fiquem sabendo que foi com muito prazer que estas partilhas foram sendo escritas… Esperamos poder continuar a contar convosco… já sabem onde estamos:
http://estudantesvicentinos.no.sapo.pt

FIM…

segunda-feira, setembro 26, 2005

PERTO DO FIM… O INICIO


Amanhã é o dia de S. Vicente de Paulo, dia em que faço o Bom Propósito de me entregar ao serviço do Pobre para toda a vida no seio da Congregação da Missão.
É também amanhã que termino o meu ano do Seminário Interno.
É, assim, amanhã que este blog chega ao fim dos seus dias. Porém, hoje não quero fazer o epitáfio do blog… mas uma das últimas partilhas sobre o que tem acontecido…

Assim, durante a última semana estive (com o Pedro, o Bruno, o P. Fernando e o P. Gouveia) no XIV Encontro de Equipas Provinciais de Missões Populares em Salamanca. Foi muito interessante estar com todos aqueles missionários (sacerdotes, irmãs e leigos), escutar as suas partilhas, falar sobre este tema tão querido para todos nós que é a Missão Popular. Aí também tive a possibilidade de reencontrar alguns conhecidos: os Padres Luís Mari e Pablo e o Pe. Muneta (que aí se encontrava na celebração dos seus 50 anos de vocação). Além do mais, tive a possibilidade de conhecer um pouco mais a bonita cidade de Salamanca. Foi bom voltar a Espanha!!!

No sábado passado, desde as 9 até às 16 horas, nós, os 3 seminaristas desta casa, estivemos em retiro de preparação para fazer (ou renovar) o Bom Propósito. Foi num ambiente muito propício que tive a possibilidade sobre este passo mais que vou dar…

Ontem tivemos a visita do P. Victor (um sacerdote português que acompanha uma comunidade lusa nos Estados Unidos). Foi em ambiente de alegria e boa disposição que o recebemos e com ele partilhámos, não só a refeição como também o jogo de futebol SCP - Vitória de Setúbal (eu não pude ir ao estádio… preguicei de manhã e guardei a eucaristia para a tarde e foi o que deu…).

Hoje, dia de regresso às aulas, começámos a entrar no ritmo de cruzeiro… foi bom rever colegas e conhecer novos rostos…

Enfim, só uma semana que passou… mas muito que aconteceu…
Amanhã há mais… será que estarei à altura para fazer o epitáfio desta página???
Amanhã veremos…

Nuno Miguel Lopes, CM

sábado, setembro 17, 2005

REGRESSO À LUZ


Depois de dez meses por terras de «nuestros hermanos»…
Depois de um mês por terras de Felgueiras…
Depois de uns relaxantes dias com a família…
Aqui estou, na Luz, Comunidade onde está integrado o Seminário Maior, para prosseguir na minha caminhada vocacional e formativa!

É certo que ainda me encontro na fase do Seminário Interno, mas já estou em preparativos para o novo ano lectivo que se avizinha.
Este ano, como seminaristas, estaremos, nesta casa, o Pedro, o Bruno e eu. Como Director continua o P. Nélio. O P. Alves e o P. Agostinho são os restantes membros da comunidade.
Como indica o título, esta não é uma casa nova para mim, pois foi dela que saí para o Seminário Interno. Agora só há que readaptar-se…

É com alegria e paz que encaro o novo ano lectivo… Afinal, é bom dizer: «estou de volta a casa!!!»

Nuno Miguel Lopes, CM

terça-feira, agosto 30, 2005

XXI ENCONTRO NACIONAL DA JMV


De 25 a 29 de Agosto, no monte de Santa Quitéria, em Felgueiras, a JMV reuniu para mais um Encontro Nacional (o XXI). O tema que regeu todos os trabalhos foi: «Viemos para Te adorar», e dividiu-se em «Reconheceram-No ao partir do Pão» (Sexta-feira), «História da Missa» (Sábado) e «Missa e missão» (Domingo). Durante os vários dias do encontro pretendia-se que os jovens se adentrassem mais na Eucaristia, recebendo um pouco de formação teológica, conhecendo melhor a sua história e encarando-a cada vez mais, não só como fonte e cume da Igreja, mas também como impulso e alimento para a missão.
Durante os dias do encontro, e fora dos tempos de formação, foram proporcionados momentos de oração pessoal ou comunitária diante do Santíssimo (que esteve continuamente exposto). Além disso celebrou-se uma celebração penitencial (sexta-feira), uma celebração mariana (sábado) e a eucaristia final em Margaride (Domingo).
Os tempos livres foram ocupados de maneiras muito variadas: «apanhados» fotográficos, testemunhos missionários, canções do P. Ramboia (é um pseudónimo... mas todos o conhecem....), karaoke,...
Foi um bom encontro nacional, desde o tema de formação, às orações, aos tempos livres e diversões,... foram 5 dias muito intensos e bem passados.

Nuno Miguel Lopes, CM

Nota: No encontro participámos o Bruno, o Pedro e eu, como animadores de comunidade...

sexta-feira, agosto 05, 2005

A ALTA EDUCAÇÃO DO PADRE


Terminei hoje de ler o livro do (nosso) P. Sena Freitas, recentemente (re)editado pela Universidade Católica Portuguesa, intitulado «A Alta Educação do Padre». É certo que o que é de sua autoria é a “introdução, nacionalização e comentação de dois notáveis discursos de Monsenhor Spalding, Bispo de Peoria nos Estados Unidos”, mas a dimensão e riqueza dessa sua “Introdução”, editada por primeira vez em 1909, levou-me a ficar surpreendido com este (até então para mim) ilustre desconhecido.

Numa época dificil não só política mas também eclesiasticamente, o P. Sena Freitas, seguindo o pensamento do Msr. Spalding, apresenta como urgente e fundamental a boa formação dos futuros sacerdotes, não só nas ciências teológicas mas também nas outras ciências. Afinal estava-se ainda a sofrer os efeitos da “guerra” fé-razão, e um sacerdote sem uma boa preparação, por muito santo e piedoso que seja, se não está no mundo e nem tenta compreendê-lo acaba por prestar um serviço incompleto (para não dizer mau) à Igreja.
Se a ideia do P. Sena Freitas era verdadeira para o seu tempo, não o deixa de ser para o nosso. Afinal, neste tempo de progressiva laicização da sociedade e do mundo, urge que os sacerdotes procurem falar numa linguagem inteligivel para os homens a quem se dirigem, para que a Igreja não se encaminhe para um ghetto, para fora do mundo.
Porém, como já o afirmava o P. Sena Freitas, o que é necessário não é só propiciar a adequada formação académica aos seminarista, mas também, e fundamentalmente, que cada sacerdote, e cada leigo, busque a formação de que necessita por sua propria iniciativa.
São os retos do P. Sena Freitas...
... Como os acolhemos nós hoje?

Nuno Miguel Lopes, cm

SEMINÁRIO INTERNO – NOVA ETAPA


Lá fora o som da concertina ecoa por todo o monte... algumas vozes tentam acompanhar a música mas, já cansadas pelos muitos anos de uso, quase que se não ouvem... mas vão mostrando que esse facto não se deve à falta de esforço...

Como havia anunciado, o Seminário Interno, depois de 10 meses em Teruel, transladou-se para vários lugares espalhados pela Península Ibérica: Lisboa (o Bruno), Saragoça, Bilbao, Pamplona, Canárias, Benegalbon, Burgos e Felgueiras. Estes foram os lugares para os quais nós, seminaristas, fomos enviados para o nosso estágio pastoral.
A mim coube-me vir até ao Monte de Santa Quitéria (Felgueiras). Durante este mês (de 1 de Agosto até 4 de Setembro) estou inserido nesta comunidade. Não só tenho a possibilidade de viver em e com outra comunidade mas também de participar em algumas actividades do Lar Vicentino.

Hoje, nos jardins diante da casa, está a decorrer um convivio/pic-nic para e com os utentes das várias instituições da zona. A animação reina. O peso da idade já não lhes permite grandes aventuras, mas o espirito de convivio leva estes que são jovens há muito mais tempo que eu a viver uma sã alegria que contagia quem por perto se encontra. As palmas fazem-se ouvir e alguns até se atrevem a um pézinho de dança...

A experiencia do estágio pastoral não começou mal... vamos ver como será daqui para diante...

Nuno Miguel Lopes, cm

segunda-feira, julho 25, 2005

Despedida de Teruel

A etapa do Seminário Interno, aqui em Teruel, terminou na passada quinta-feira com um retiro espiritual e celebraçao da eucaristia. A partir de entao, toda a comunidade se foi desmembrando, uns de partida para trabalhos pastorais, outros para férias. Neste momento, somente estamos aqui eu, o Nuno e mais dois padres da comunidade.

De um modo geral, todos consideramos que o ano que aqui passámos foi muito positivo, tanto a nível pessoal como como pastoral (prisao de Teruel, hospital psiquiátrico e mês de missao) e, sobretudo, vicentino (estudo de biografias de S. Vicente, Santa Luisa, santos e ramos da Familia Vicentina, espiritualidade, etc). De tudo isto resulta um maior discernimento vocacional e sentido de pertença à CM.

Terminando, desejos de um bom trabalho para quem está em trabalhos pastorais e de boas férias para todos...

Bruno, cm

terça-feira, julho 12, 2005

La fiesta de la Vaquilla

Terminou ontem (11 de Julho), a festa tradicional de aqui de Teruel, chamada de “La vaquilla”. Durante a semana antecedente, muitos turolenses tiveram a oportunidade de assistir a vários concertos e corridas de touros, os protagonistas desta festa. Cheia de simbolismos, a festa teve início “oficial” no sábado, dia 9, com muita gente, de Teruel e de fora, à espera que fosse colocado um lenço vermelho à volta do pescoço do “torico” existente na praça principal de Teruel. Quando isto ocorreu, já todos estávamos com as roupas completamente encharcadas de água, vinhos e sumos com que foram brindados todos os que estavam na praça (quanto ao porquê de todos se molharem naquele momento e com toda a classe de bebidas, nao faço ideia). Até ao dia 11 toda a cidade de Teruel se vestiu de duas cores: o branco a dominar e também o vermelho. Às 24 horas do dia 11, ou seja, dia 12, a festa terminou com a retirada do lenço que três dias antes tinha sido posto ao pescoço do “torico”, e depois de nesse mesmo dia terem “passeado” pelas ruas de Teruel vários touros, que nao causaram males maiores, pois estavam sujeitos por uma corda e vários homens a controlar os seus movimentos.
É normal que em toda a festa, sobretudo se nao tem qualquer carácter religioso, se vejam pelas ruas coisas que normalmente nao se vêem ou pelo menos em número considerável, sobretudo, os bêbados. No final de tudo, as ruas de Teruel estavam irreconhecíveis: lixo por todo o lado, algunas coisas destruídas e um cheiro nao muito agradável.
Muitas outras coisas ficam por contar, mas com isto já dá para ter uma ideia geral desta festa, que é a mais importante e famosa daqui de Teruel…
Bruno, cm

quarta-feira, julho 06, 2005

SEMINÁRIO INTERNO POR TERRAS DE S. VICENTE DE PAULO - III


Como a moda literária e cinematográfica do momento são as trilogias, também eu termino, com este terceiro artigo, o relato dos acontecimentos e peripécias da nossa viagem ao «Berceau» no último fim de semana...

«Não há sábado sem domingo, nem domingo sem missa».
Foi dessa maneira que iniciámos o nosso último dia de viagem. Para (não) variar, os últimos a chegar à capela fomos o Luis Miguel e eu... a tradição tem muito peso... No recolhimento do nosso pequeno grupo familiar e acolhimento da (bem bonita) capela, celebrámos a ressurreição do Senhor.
Depois de alimentados espiritualmente foi momento de alimentar os corpos... e terminada essa, sempre reconfortante tarefa, fomos visitar os padres jovens há mais tempo e doentes que estão nessa comunidade...
Terminada a visita, prestadas algumas (inúteis) ajudas informáticas a um dos padres, foi momento de sair para uma última volta pela cidade de Pamplona... é que, por incrivel que pareça, faltáva-nos ver a cidadela...
Tiradas as últimas fotos saímos como raios em direcção a Olite (terra natal do nosso navarrrrrrrrrrrro director).
Olite é um lugar não muito grande mas muito bonito e antigo.
Depois de visitarmos a irmã do P. Santi, de tomarmos uma coca-cola e rirmos com umas fotos antigas, fomos à descoberta de Olite, guiados pelo orgulhoso filho da terra... Primeiro, o castelo (foi muito tempo o castelo dos reis de Navarrrrrra)... reconheço que é um dos castelos mais bonitos que já vi... os reis navarrrros tinham gosto!!! Depois fomos ver a igreja de S. Pedro, onde o P. Santi foi baptizado... bem queriamos venerar a pia baptismal, mas a porta estava fechada... depois, fomos ver a igreja de santa Maria do Castelo... bem bonita e muito antiga... espanta como num lugar tão pequeno há tanto que ver...
Como os nossos estomagos já roncavam, fomos tomar o aperitivo com a familia do Santi... depois fomos em busca de um restaurante. Chegámos a um, parámos à porta e há 3 de nós que se apressam a entrar. Já os estavam a sentar e eles já quase a pedir o que iam comer quando se dão conta que o Santi está a chamar para irmos para outro lado... desembaraçados como são deram uma desculpa e sairam a correr... finalmente fomos almoçar a um self-service... e, reconheço, que comemos muito bem!
Terminada a refeição, saimos e fomos tomar o café à pousada que está no castelo... sentímo-nos que nem reis...
Finalmente, e porque muitos kilómetros nos esperavam, saímos em direcção a Zaragoza.
A viagem até Zaragoza correu muito bem. Aí deixámos o Santi (que aí havia deixado o carro) e o Ramón.
Como a carrinha estava com uns pequenos problemas técnicos (problemas de bateria) parámos numa estação de serviço para tomar uma coca-cola (é que o ar condicionado já não funcionava)... O Luis Miguel passou-me a direcção do «bólide» e saímos com a esperança de que a carrinha não desse mais problemas.
Poucos kilómetros haviamos andado quando, num tom calmo e civilizado, avisei a tripulação, que toda a parte eléctrica da carrinha se tinha ido... nem o indicador de velocidade funcionava... sem ter tempo para muito mais, nem a tripulação para muito pânicos, sinto que a carrinha começou a perder velocidade e o motor parou! Com o balanço que trazía consegui levá-la para a berma e aí a parei.
Depois de muitos pequenos pânicos da minha tripulação, de umas chamadas para o Santi e para a assistencia em viagens, e de colocados os triangulos de sinalização, ficámos esperando...
Finalmente chegou o Santi e com ele o Ramón com uma carrinha do estudiantado de Zaragoza. Era uma fantástica carrinha ford, em condições duvidosas, com aspecto de anciana trabalhadora. O facto é que essa «menina» nos trouxe a Teruel sãos e salvos... a viagem demorou um pouco mais e o condutor chegou um pouco cansado, mas é realmente um veículo de combate...

Assim terminámos as nossas aventuras do passado fim de semana...
Valeu a pena!
Foram três dias muito intensos mas muito agradáveis e interessantes!
A riqueza do que turisticamente apreciámos... O agradável ambiente familiar que vivemos... a espiritualidade do lugar que é o «Berceau»... foram e são para não esquecer!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

terça-feira, julho 05, 2005

SEMINÁRIO INTERNO POR TERRAS DE S. VICENTE DE PAULO - II


Como o prometido é devido, aqui está a segunda parte do esboço de relato das peripécias e lugares da nossa viagem do último fim de semana...

Depois de uma noite bem dormida, de recarregadas as baterias para o nosso segundo dia de maratona, tomado o pequeno almoço, e arrumada a cozinha, montámos na nossa estimada carrinha e partimos em direcção a terras gaulesas.
A viagem foi tranquila, sem problemas ou enganos, e outra coisa não se esperava, depois de termos elevado as nossas vozes em coro numa cantada oração de louvor ao Criador...
Cruzámos a fronteira e, para surpresa geral, o milagre aconteceu: o Luis Miguel já não falava que não o francês...

Chegámos ao «Berceau de Saint Vincent de Paul».
Para os que já aí haviam estado antes foi um regresso a casa. Para os que aí se encontravam por primeira vez, foi um descobrir a beleza da simplicidade do lugar. Visto um pequeno video que serviu de ambientação, dirigimo-nos à casa de S. Vicente. Aí celebrámos, tão festiva como emocionadamente, a eucaristia no lugar de nascimento do nosso Fundador.
Terminada a eucaristia, assinado o livro de visitas e tiradas as fotos necessárias, visitámos a igreja.
Como se chegava a hora da comida, dirigimo-nos a Saint Vincent de Paul para almoçar, mas como nesse dia o único restaurante da terra estava fechado fomos para Dax. Aí, junto a uma das fontes termais, almoçámos (uns melhor que outros, mas é o que dá não aproveitar as aulas de francês...).
Depois passámos pela casa do Sr. De Commet, pela Catedral e pelas ruas da cidade.
Saindo de Dax fomos a Buglose, para podermos ver a imagem da Virgem que foi venerada por S. Vicente.
Despois de bebermos da água que dizem ser milagrosa, voltámos ao Berceau para comprar uns «souvenirs» e cumprimentar a comunidade de «Lazaristes». Os souvenirs comprámos mas da comunidade nem sinal (o que é normal porque sendo um sábado estavam ocupados com os seus ministérios). Só pudémos cumprimentar a um sacerdote da Provincia de Polónia, com quem falámos alegremente em francês... até houve um que lhe falava tão alegremente que convencido que lhe estava a falar em francês só lhe saía espanhol... era eu!
Como não estávamos para ficar, e o ritmo da nossa viagem era marcado pela expressão «como raios», tendo dado uma volta por aí, vista a casa do seminário interno, voltámos à estrada e desta vez de regresso a espanha: San Sebastián nos esperava...
Em San Sebastián visitámos a casa e a comunidade «paúl», onde tomámos uma refrecante bebida.
Como raios fomos para a cidade, estacionámos a carrinha e partimos em maratona turistica: La Concha, Iglesias, Catedral (ao longe), ruas típicas (de ambiente duvidoso), Ayuntamiento,... até que regressámos à carrinha frescos como umas alfaces colhidas há duas semanas!?!
Regressámos a Pamplona e, depois de jantar, partimos para um passeio mais (desta vez só para desentorpecer as pernas...) e tomar um copo (numa esplanada de um café com o nome «Chaves»)...
E o dia chegou ao fim... os olhos já piscando de sono, os corpos cansados... e fomos dormir...
zzzzzzzzzz

Nuno Miguel Lopes, cm

Nota: Falta a Parte III... amanhã sairá...

segunda-feira, julho 04, 2005

SEMINÁRIO INTERNO POR TERRAS DE S. VICENTE DE PAULO - I


No passado fim de semana (1 a 3 de Julho), como nos havia sido prometido no inicio, o Seminário Interno saiu de Teruel para visitar o «Berço» do nosso Fundador. Foi uma viagem animada e muito interessante.
Saímos na sexta-feira, pelas 8:30 h. O sol já havía extendido os seus quentes raios há algum tempo, mas os olhos teimavam em fechar-se. Cheio o depósito de gasóleo, verificada a pressão de ar dos pneus, saímos em direcção ao nosso primeiro destino: Zaragoza. Aí nos esperava Santi, nosso estimado Director, que como extra, nesta viagem desempenhou o papel de guia.
Como «raios» saímos de Zaragoza orando ao Senhor dos Céus e da Terra. As nossas vozes unidas louvavam e pediam protecção ao Senhor e Deus dos pobres.
Primeira paragem: «Monasterio de la Oliva».
Este interessante e muy antigo mosteiro Cisterciense, é um lugar onde se respira história em cada canto por onde se passa. Ai tivemos também a possibilidade de observar a devoção com que os monjes cantavam a hora sexta.
Segunda paragem: Sangüesa.
Esta antiga cidade, com uma interessante zona histórica, foi o local onde recuperámos energias com um bom almoço. O método de escolha do restaurante foi o mais acertado: entrámos onde estavam comendo os trabalhadores municipais e da construção civil. Bem almoçádos seguimos viagem... como «raios»!!!
Assim chegámos a Javier.
Ai, estivémos no local de nascimento de S. Francisco Xavier, hoje uma bonita igreja. Ao lado, e em outra igreja, vimos, o Bruno e eu, algo que nos encantou: um painel de azulejos, oferta do embaixador português, escritos em português, sobre o envio do Santo de missão para a India pelo rei de Portugal.
Saídos de Javier dirigimo-nos ao mosteiro de Leyre. Mais um mosteiro muito antigo e igualmente rico em história, histórias e interesse. Ai descobri uma santa quase homónima: Santa Nunilo, mártir. Bem podem imaginar a risada que foi...
Depois, já o sol se preparava para ir iluminar o outro lado do planeta, chegámos a Pamplona. Ai ficámos muito bem instalados na comunidade vicentina.
Antes de jantar, e porque não se pode perder tempo, fomos dar uma volta pela cidade, passámos pela catedral, pelas ruas tipicas, e tomámos algo numa esplanada. Depois de jantar, e porque não se pode desperdiçar tempo, fomos dar uma volta mais. Já cansados fomos descansar para restaurar energias para o segundo dia da nossa viagem.

Nuno Miguel Lopes, cm

NOTA – os segundo e terceiro dias ficarão para as próximas crónicas... é sempre bom manter o suspense...

quarta-feira, junho 29, 2005

VISITAS...


O Verão chegou... os pássaros cantam... os esquilos brincam... o calor aperta... e todos começamos a sentir saudades da praia, das férias, da familia...
... mas, muito importante, o Seminário Interno ainda não acabou... faltam alguns meses...
Por isso, durante os 3 últimos dias, fomos brindados com a presença dos PP. Américo e César, que nos vieram apresentar as Normas Provinciais da PPCM, coisa que fizeram muito bem!
Como únicos portugueses na casa, o Bruno e eu, fomos chamados a ser os anfitriões dos nosso dois co-irmãos portugueses.
Nos tempos livres aproveitámos para mostrar-lhes um pouco da cidade de Teruel, de Albarracín e das paisagens envolventes... se foi do seu agrado, só eles o poderão responder... a mim, pelo menos, agradou!!!

Foi muito bom, durante estes dias, falar tanto em português e saber coisas de Portugal... afinal, todos gostamos de estar com a familia, principalmente quando estamos longe...

Foi bom receber esta visita... espero que eles digam o mesmo!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

domingo, junho 19, 2005

«PORTUGAL, HOJE – O MEDO DE EXISTIR»


Sim! Mesmo estando em Espanha, tive acesso ao interessante livro de José Gil (um filósofo português que só agora conheci), cujo titulo “usurpei” para intitular esta partilha: «Portugal, Hoje – O medo de existir».

É um livro pequenino mas muito denso. De uma maneira muito interessante, o autor parte do real do Portugal contemporâneo para reflectir sobre os problemas desse mesmo Portugal, que são de hoje, mas que o são também de todo o século XX. Para ele, em Portugal, há um medo que aprisiona, dando, por outro lado, uma ilusória sensação de liberdade. Usando as suas palavras: «..., é naturalmente, espontaneamente, que pensamos de uma só maneira, caminhamos por uma só via, como se fosse evidente que só estas existem.» (p. 113).

Para ele o grande mal que ataca ferozmente a sociedade portuguesa é a não-inscrição. Tudo se vive, mas nada deixa «marca». Vivemos de pequenos prazeres, pequenas realizações... mas... deixamos marcas para o futuro? Aliás, será que deixamos marcas no presente?
Todas estas questões vão sendo exploradas nas 142 páginas que o livro tem. Ele vai partilhando a sua reflexão sobre a excessiva dependencia e poder dos média, principalmente das Televisões, sobre o estado do país, sobre as realizações nacionais contemporâneas como o Euro 2004, sobre a política salazarista, sobre os acontecimentos políticos do último verão com a chegada do governo de Santana Lopes,... enfim, com muita clareza vai analizando o Portugal dos nossos dias.

Reconheço que o livro me agradou (para quem me conhece sabe que isso não é de espantar)... porém, senti também alguma sensação de desconforto ao ler algumas das suas páginas... por vezes quase se tem a idea que somos uma nação perdida... e com isso eu não concordo... porque, acima de tudo, acredito, mais que em Portugal, nos portugueses!!!

É um livro que vale a pena!
Quem ainda não leu este Best seller que o faça, verá que não se arrependerá!

Nuno Miguel Lopes, cm

Nota: Não posso deixar de agradecer ao Nélio por se ter lembrado de mim e me ter trazido este livro de Portugal: Obrigado, Nélio!!!

quinta-feira, junho 16, 2005

Passeio Rural

Ontem, por convite do Padre Baltazar, (pároco de umas aldeias pequenas pertencentes à província de Teruel e bem longe da cidade), nós seminaristas e o Padre Santiago, nosso director, fizemos um passeio rural junto ás margens do rio chamado de “Ebrón” que une as povoaçoes de Tormón e El Cuervo. Um percurso do qual todos gostámos pela sua beleza e singularidade, e que pelos vistos o Seminario Interno do próximo ano também fará, de forma mais organizada e com mais tempo. Com bastante cansaço e muito apetite comemos, acompanhados, agora também, pelo Padre Baltazar na residência paroquial em Alobras, um dos seus “pueblos”, como lhe chamam aquí. Já depois do almoço, estivémos a conversar um pouco com algumas pessoas da povoaçao, incluído o presidente da Junta. Seguimos o nosso passeio, agora de carrinha, para visitar as igrejas das povoaçoes onde o Padre Baltazar trabalha e também umas pinturas rupestres sem grande interesse para nenhum de nós, a nao ser o facto de terem sido descobertas por padres vicentinos que alí se encontravam em Missao. No fim de tudo isto, e já em casa, celebrámos a Eucaristia.
Ao longo do dia, deparámo-nos com o problema da seca bem visível nos campos de trigo absolutamente minúsculo e seco, e até num senhor que teve de recorrer á fonte da povoaçao para buscar agua, pois em sua casa nao havia. Sem dúvida, um bom motivo para pedirmos a Deus que chova, sobretudo para os que dela precisam e nao sabem nem têm possibilidade de a conseguir…

ASS Bruno

terça-feira, junho 14, 2005

PARÓQUIAS VICENTINAS?!?


Desde ontem, e até à próxima quinta-feira, nas horas de aula que corresponderiam ao P. Félix, que está de regresso do seu périplo pelo norte de África, estamos a receber formação sobre o ministério das paróquias, com o P. Angel Pascual.

É muito interessante verificar como ese ministério pode e deve ser muito vicentino quando desempenhado por um sacerdote da CM. Assim, hoje estivémos a estudar um documento, das 4 provincias espanholas da CM, intitulado: «Elementos específicos para um Projecto Pastoral das Paróquias atendidas pela CM».

Para que podais ter uma pequena ideia do que contém, partilho alguns pontos que foca:

1º Convida os missionários a esforçar-se por dar um cunho de autenticidade vicentina às nossa paróquias.


2º Que os sacerdotes da CM que são chamados a ser párocos devem esforçar-se por revestir-se com o Espírito de Jesus Cristo, para tal se lhes recomenda as seguintes atitudes:
- Actitude de conversão continua;
- Actitude de itinerância e desapego;
- Actitude de colaboração e trabaho em equipa;
- Actitude de austeridade nos meios;
- Actitude de convivencia e afabilidade no trato;
- Actitude de humildade para deixar-se ensinar;
- Actitude de compaixão e misericórdia;
- Actitude de sensibilidade frente à pobreza e as injustiças;
- Actitude de partilhar pessoal e comunitariamente com os outros, especialmente com os pobres.


3º Convida os «nossos» párocos a viver as 5 virtudes vicentinas: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo pelas almas.


4º Que nos nossos ministérios paroquiais não esqueçamos nunca a prioridade que é a nossa tarefa missionária.

É muito interessante estudar este tema... sabendo, é certo, que uma coisa é o ideal e outra a práctica... mas o certo é que me vai dando uma nova visão sobre esta tarefa que pode ser tão vicentina!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

segunda-feira, junho 06, 2005

MADRID


Este fim de semana, com a finalidade de estar presentes numa ordenação sacerdotal de “um dos nossos”, o Seminário Interno deslocou-se a Madrid.
O ordenando, Josema (José Manuel Aparicio), é um dos muitos membros da Provincia de Madrid da CM. Foi com grande alegria que estivemos presentes na sua ordenação. Ali fomos contagiados pelos cantos animados da JMV, pela homilia muito vicentina do Bispo Emérito de Burgos, que presidiu à celebração, apesar de notavelmente doente. A igreja estava cheia. Ai estava presente a paróquia (cujo pároco é um sacerdote da Missão), a CM (da provincia de Madrid, mas também o Superior Geral e um Bispo vicentino de Guatemala), as Filhas da Caridade, a JMV,... enfim, a familia de São Vicente de Paulo. Em familia acolhemos este neo-sacerdote.
Como referi, aí estava o Superior Geral, que se encontrava em Madrid para participar num encontro da AIC. Uma vez mais tivemos a oportunidade de estar e falar com ele. E uma vez mais se mostrou uma pessoa tão sociável como simples e acessivel. Foi então que lhe perguntei para quando uma visita a Portugal. Foi com felicidade que recebi como resposta que estava entre as três visitas que pretende realizar. No Domingo, porque almoçámos na casa provincial de Madrid, e ele também aí se encontrava. Dele me despedi com um até para o ano em Portugal.
Na Casa Provincial de Madrid, fomos muito bem acolhidos. Aí pernoitámos e almoçámos no Domingo, como já referi. Despois do almoço, tivemos a oportunidade de visitar o arquivo, muito bem guiados pelo P. Orcajo. Até me doeu o coração ao lembrar-me do arquivo de Portugal...
Mas, para além do principal – a ordenação – aproveitámos o fim de semana para fazer também um pouco de turismo.
No sábado, e na viajem de Teruel a Madrid, aproveitámos para passar por Sigüenza (terra natal do ordenando) e fazer uma visita. É uma cidade pequena mas encantadora. O que mais de encantou foi o seu castelo, muito bem aproveitado como pousada, e a Catedral, onde tive a oportunidade de descobrir que um dos seus bispos mais venerados era português. Além disso, aí pude contemplar uma das pinturas de El Greco.
Já em Madrid, e despois da ordenação, e da recepção/convivio ao ar livre junto à igreja onde decorreu a celebração, fomos conhecer um pouco de Madrid e ver o se ambiente nocturno. Foi um pequeno passeio, mas deu para ver o quão cosmopolita é Madrid. Sentados numa esplanada na «Gran Vía» pudemos ver como a cidade corria diante dos nossos olhos... gente tão diferente... gente tão rica... gente tão pobre... Ai vi o nosso Bruno escandalizado... é que dois rapazes estavam manifestando a sua «amizade» com muito carinho e afecto... pois é, numa cidade grande arrisca-mo-nos a ver o que queremos e o que não queremos...
No domingo, pela manhã, fomos conhecer os pontos mais turísticos da cidade. Foi uma caminhada muito cansativa mas muito interessante. Realmente Madrid é uma cidade que tem muito que ver... desde a «Puerta del Sol» até á «Gran Vía»... do museu e «Paseo del Prado» à «Puerta de Alcalá»... da Catedral da Almudena (mais um quadro de El Greco) ao Palácio Real... que maravilha...
Enfim, foi um fim de semana muito bem passado... foi um cansar o corpo para revitalizar o espirito... valeu a pena!!!

Nuno Miguel Lopes, cm

quinta-feira, junho 02, 2005

MISSÕES...


É com algum contentamento, mas não todo, que vejo alguns (fieis) leitores e comentadores “massacrando” o Bruno por não escrever mais crónicas. Se a sua vocação não é a escrita, creio que devemos deixar de massacrar e, pelo contrário, louvar o pouco que escreve. Se o pudesseis fazer seria muito bom que escutasseis o Bruno tocar peças de Bach, Schubert,... no piano. Dá gosto!!! Se tocando piano se sente melhor que escrevendo, creio que isso devemos respeitar!

Também é uma facto que temos tido uma carga de trabalho que não nos tem permitido dedicar muito tempo aos “hobbys”... pode parecer incrivel, mas aqui trabalhamos... perguntem ao Director, de quem só digo que uma das suas frases-fétiche é «Trabalhar! Trabalhar! Trabalhar!».

Sobre a formação, que só posso dizer, que para os que a querem aproveitar, é uma riqueza inestimável (para os que a quizerem aproveitar, claro!!!). Durante esta semana, além da formação habitual, estamos a ter formação sobre as missões e sua realidade nos nossos dias. O formador é o P. Luis Mari Martinez Sanjuan, que pelo menos os que estiveram no último encontro de missões em Fátima conhecem. Além do mais, é interessantíssimo verificar que ele não tem qualquer pudor en citar o P. Nóbrega, entre outros portugueses.

Também interessante tem sido estudar as virtudes vicentinas... que caminho espiritual se trilha nesse estudo (muito interessante o trabalho do P. Maloney sobre as virtudes que se encontra no Dicionário de Espiritualidade Vicentina)!!! Agora iremos começar com os Votos... estou curioso de ver o que realmente significam para nós!!!

Como podem verificar aqui ocupamos bem o tempo (pelo menos os que o querem fazer!!!).


Nuno Miguel Lopes, cm

sexta-feira, maio 20, 2005

Concerto dos Amantes

Ontem, quinta-feira, 19 de Maio, tivemos a oportunidade de escutar mais um concerto protagonizado pela Orquesta de corda do Conservatório de Música de Teruel, na Igreja de São Pedro; concerto este que foi organizado pela Fundação Amantes. Quanto ao concerto, foram tocadas duas peças do Pe Muneta, entre elas a obra “Uma Rosa compartida para os Amantes”, dedicada, como se pode deducir do título, aos amantes de Teruel e que estava muito bem. O concerto completou-se com uma peça em Sol menor de A. Vivaldi e dois divertimentos de W. Mozart.
Já no final do concerto tivemos ainda a possibilidade de fazer uma visita muito rápida aos “bastidores” da Igreja de São Pedro e comer “suspiros de los amantes”, um doce típico de aquí. Pois, assim continuamos nós em terras de Espanha a largos passos rumo ao final do Seminário Interno cheios de experiencias novas e muito enriquecedoras… ao som de boa música!...


Bruno

quinta-feira, maio 19, 2005

SANTA LUISA DE MARILLAC


Até agora, Santa Luisa de Marillac, no pouco que me foi apresentada, foi-me sendo descrita como uma mulher escrupulosa, débil, de saúde frágil e, até mesmo, um pouco neurótica...

Esta semana, e aproveitando a ausencia do P. Santiago e a presença do P. Corpus (especialista na matéria), tivémos 6 horas de formação sobre S. Luisa...

Pois bem, as antigas ideias sobre S. Luisa foram desfeitas...
De maneira muito interessante, o P. Corpus iniciou-nos na descoberta da mulher e da santa que Luisa de Marillac foi. Vimos como o que normalmente se aponta como seus principais rasgos, normalmente nada positivos, mais não são que resultado de uma fase que Luisa passou antes de conhecer a S. Vicente de Paulo.
Vimos a sua biografia, a sua acção para com os pobres, a sua liderança para com as Filhas da Caridade, os fenómenos místicos com que foi agraciada, a sua intensa vivencia espiritual, como era uma grande contemplativa, como era igualmente (hiper)activa... como era resistente e perseverante... enfim, uma mulher do seu tempo, mas uma Santa para a eternidade...

Agradeço ao P. Corpus a formação sobre Santa Luisa!
Sei que conto com um exemplo vicentino mais para me ajudar na minha caminhada...

Nuno Miguel Lopes, cm

terça-feira, maio 17, 2005

SANTA TERESA DE JESUS


O ano de Seminário Interno, ano de formação por excelência, permite-nos fazer coisas que na vida anterior e posterior a ele, por falta de tempo, não conseguimos fazer. Uma de essas coisas é a leitura em maior quantidade e, até mesmo qualidade.

Se algumas das minhas impressões sobre o que li já publiquei, aqui fica uma mais...

Terminei por estes dias a leitura, na lingua original (o que é definitivamente um privilégio que nem todos podem conseguir), do denso livro de Santa Teresa de Jesus «Las Moradas del Castillo Interior»...

Definitivamente, uma coisa é ler sobre um autor e suas obras, e outra muito diferente é ler essas mesmas obras... graças às promoções que as grandes (não que este adjectivo se apropríe muito bem a Teruel) superficies comerciais comprei este livro por 1€... como era uma verdadeira pechincha nem duvidei...

É interessante acompanhar a Santa Teresa na sua caminhada espiritual e as indicações que dá às suas irmãs... realmente o que escreve é vida «vivida» e, «avant la letre», Teresa foi uma grande psicóloga (basta ver a sua visão sobre a psicologia, ou espirito como prefere dizer, femenina)... Mas, e definitivamente, o que mais me fascinou foi que para ela, depois de grandes asceses e buscas pelo Esposo, e já nas moradas sétimas, um caminho que nunca se pode deixar de trilhar é o da accção... Teresa não se fica nas grandes contemplações misticas, ela vai mais além, diz que:

«... es menester no poner vuestro fundamento sólo en rezar y contemplar; porque, si no procuráis virtudes y hay ejercicio de ellas, siempre os quedaréis enanas; y aun plega a Dios que sea sólo no crecer, porque ya sabéis que quien no crece, decrece, porque el amor tengo por imposible en contentarse de estar en un ser adonde le hay».

«… Marta y María han de andar juntas para hospedar al Señor y tenerle siempre consigo, y no le hacer mal hospedaje no le dando de comer».

Porém, e porque a sinceridade assim o exige, tenho que reconhecer que não foi sem sacrificio que cheguei à última página... realmente o livro é denso e, até mesmo, um pouco aborrecido... a Santa, que o é, sem dúvida, não tinha o dom da sintese, e repete-se muitas vezes... mas, por outro lado, o que me levou a meditar valeu a pena o sacrificio...

Enfim, recomendo a leitura desta obra de Santa Teresa de Jesus... e, se possivel, na lingua original... como livro de cabeceira é excelente... experimentai e depois contai-me...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

segunda-feira, maio 16, 2005

DIA DA PROVINCIA DE ZARAGOZA...


A Provincia de Zaragoza, devido à sua grande extensão, celebra o dia da povincia em zonas distintas. A celebração na zona em que nos encontramos, a zona centro, este ano, foi hoje e aqui na nossa comunidade de Teruel.

O dia começou com a oração de Laudes, nas quais estava já orando connosco o P. Visitador, que iniciou hoje a visita de oficio à nossa comunidade. Foi uma oração muito participada e alegre, como convém, afinal a nossa vocação tem que ser vivida nas pequenas (grandes) coisas...

Depois começou a preparação para a recepção aos confrades que a nós se vinham juntar... comida... mesa... pequenas guloseimas... folha de cânticos, preces e ofrendas, para a Eucaristia... enfim, tudo o que nos dá gosto preparar para termos o prazer de bem receber...

Chegam os confrades... primeiro os de Cuenca... depois os de Zaragoza... e, depois das necessárias saudações (afinal não somos irmãos que se querem bem?!?), passámos ao primeiro momento: a formação permanente... o tema hoje era o ministério de missões populares... foi muito interessante ver como aqui esse ministério é tido como central na vida da província...

Depois, foi momento de celebrar a Eucaristia... que bem leu o nosso Bruno uma petição e o ofertório em Português... afinal ainda sabe falar na sua lingua materna... ufff, que alívio!!! Depois foi momento também, de dar graças a Deus pelos 50 anos de vocação dos PP. Muneta e Julián Soriano (que continuem firmes e fortes nessa decisão que corajosamente tomaram há meio século!!!) e, claro, de recordar o nosso Irmão Vicente, que há um mês nos deixou...

Da missa passámos à mesa... e que mesa... perguntem ao nosso Bruno porque teve de se levantar... foi um convivio muito bom e agradável...

Depois, e entregues os presentes aos PP. Muneta e Julián foi momento de começar a limpeza para nós e a viagem de regresso para os de fora...

Que dia tão bem passado!!!


Nuno Miguel Lopes, c.m.

PS – Muito me alegro que um dos presentes para o P. Muneta fosse o «D. Quixote»... os confrades provocaram e ele acedeu e ofereceu uma das edições do «D. Quixorte» que já tinha a mim e procurará otra para oferecer ao Bruno... Somos realmente homens de sorte...

domingo, maio 15, 2005

SEMANAL???


Estas crónicas, que em principio se pensaram como frequentes, algumas vezes chegaram a ser diárias, estão a surgir cada vez mais distanciadas... reconheço: estou numa fase de menos criatividade e vontade de escrever... mas passará.... espero...

Esta semana sobre(vivemos) a uma «overdose» de cultura musical... todos os dias assistimos a concertos de música clássica... foi muito bom... Haendel... Boccerini... Chopin... e, principalmente, Muneta... mas sobre isso não falo mais porque o Bruno, no inicio da semana, me prometeu que escreveria uma crónica sobre todos os concertos... eu aguardo, aguardai vós também...

Na sexta-feira, 13 de Maio, celebrámos aqui com toda a solenidade a festa de N. Sra. de Fátima... é bom celebrar as nossas festas mesmo estando longe...

Enfim, a vida continua...
... até à próxima crónica... que esperemos que demore menos!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

XXVII Semana de Música em Teruel

Como tinha prometido ao Nuno, farei um relato o mais breve que possa sobre a grande semana musical que tivemos aquí, em Teruel, desde 9 a 14 de Maio, celebrando a XXVII Semana de Música. Esta semana, evidentemente, teve como principal dinamizador, o Pe Muneta, de modo que tivemos a oportunidade de escutar em quase todos os concertos a estreia de alguna das suas obras; algunas delas, sem dúvida, de muita qualidade, e que ele próprio afirma, não fosse ele o entendido em música.
Passando à crónica propriamente dita, no dia 9 de Maio escutamos o trio de nome “Karasiuk”; pai e seus dois filhos deliciaram-nos com peças de vários compositores, entre os quais Mozart, Bréval, Haydn y Zappa, todas tocadas com contra-baixo, violoncelo e violino. Sem dúvida, uma maravilla, mas o melhor ainda estaria para vir. No dia seguinte, foi a vez de outro trio, um trio “caseiro”, de Teruel, e que já tinhamos tido a oportunidade de escutar. Foram interpretadas varias peças de Tull, Bruch e Danzi, nomes um pouco menos conhecidos, pelo menos para mim, todas a 3 instrumentos: violino, clarinete e piano; escusado será dizer que também foi um momento musical muito bom… Mais um dia e seguiu-se a “Orquestra de Camara de L’Emporda” que nos brindou com vários temas de Toldrá e Grieg, para além do “Suite Don Quijote” de Telemann; este último e para mim, sem dúvida o melhor do dia. Quinta-feira, 12 de maio, com a semana a passar voando, escutamos a Orquestra Filarmónica de Camara de Orenburgo (Russia). Deliciaram-nos, não menos que este adjectivo para qualificar a sua actuação, com temas de músicos do Barroco: Haendel, Bach, Pergolesi e Boccherin.
Até ao momento, este tinha sido o melhor conjunto que tinhamos escutado ao longo da semana; absolutamente fantástico tanto pela arte com que tocavam como também pela voz e interpretação extraordinária da solista da orquestra… Quando todos pensávamos que difícilmente se igualaria a beleza deste último concerto, surge, na sexta-feira, o Coral Oscense, que, de maneira nenhuma, fica atrás do anterior; começaram com a interpretação de uma obra belíssima do Pe Muneta e terminaram com a famosíssima obra de Haendel: “El Mesías”, uma amplia secção da I e II partes, terminando com o arrebatador Aleluia; composto de coro e orquestra, sem dúvida que o seu valor se centra mais no coro e seus solistas, todos eles muito bons. A semana da música terminaria no Sábado, 14 de Maio com um Noneto checo que interpretou várias peças de Vranicky e Rejcha; os instrumentos eram o violino, viola, violoncelo, contra-baixo, flauta, oboe, clarinete, trompa e fagote; a este concerto o Nuno e eu só assistimos aos últimos momentos, pois tinhamos estado a ajudar na animação da missa vespertina de Pentecostes, na Milagrosa; mesmo assim, no que deu para escutar, creio que se terminou da melhor forma esta semana da música.
Muito difícilmente voltaremos a ter a oportunidade de assistir a tantos concerto seguidos e de tão grande qualidade. A nossa “aventura” espanhola, também fica marcada por este aspecto, a música…
Bruno

domingo, maio 08, 2005

CRISTO...


Hoje, dia em que a Igreja nos propõe a celebração da Solenidade da Ascensão do Senhor, iniciámos o nosso dia com o Rosário da Aurora... é uma antiga tradição que implica não só o rezar o Terço como também o fazer-lo em procissão pelas ruas da paróquia. Muito ensonados e preguiçosos lá estavamos na igreja às 8 horas... estava um bom grupo, com uma média de idades que prefiro nem tentar calcular, que rezou, cantou e mostrou, às duas ou três pessoas que encontramos pelo caminho, a sua devoção a Nossa Senhora.

Neste momento estarão alguns perguntando: “Que tem isso que ver com a Ascensão???” Não sei... por muitas ligações teológicas que se tente não encontro explicação... alguém quer tentar? (Dou uma pista: no final da procissão foi bendita uma imagem da Milagrosa que se colocou num “nicho” junto à porta da igreja...)

Pelas 10h30m, ouço que batem na minha porta... é o P. Félix... o motivo de tal visita era um convite a acompanhar-lhe ao Pinar onde ía celebrar a Eucaristia... eu prontamente aceitei o convite e fui... e o Bruno também...

No Evangelho de hoje, Jesus é o próprio que diz que ficará connosco até ao fim dos tempos... e eu, no Pinar, celebrando a Eucaristia com aqueles seres tão puros, sentí isso mesmo: a Presença do Senhor Ressuscitado! Ele está realmente connosco, basta abrir os olhos e ver... Ele só espera que o reconheçamos...

Nuno Miguel Lopes,c.m.

quinta-feira, maio 05, 2005

SEMANA INTENSA...


Pois é, caros amigos, já sentia saudades de comunicar convosco... como o título já o indica, nem podeis imaginar a semana intensa que vivi... para quem me conhece creio que já o havia imaginado... afinal, para eu não publicar nada durante tanto tempo é porque outras ocupações tal não me permitiam...
Motivos para tal intensidade foram o acumular de muita leitura preparatória para os tempos de formação, o voluntariado, o dia do trabalhador e, claro, o cansaço.

1) Os temas de formação que, nesta semana, tanto tempo me ocuparam foram a História da Congregação da Missão (a propósito, para os que lêem Inglês, aconselho o livro do POOLE), a História da Espiritualidade Cristã (para a qual, chagando ao final, havia que entregar um trabalho final) e para Espiritualidade Vicentina (para a qual muitas páginas tivémos que ler)... Não pensem que me estou a queixar... pelo contrário, é com imenso prazer que vou lendo a imensa bibliografia apresentada para estes temas, mas o facto é que tudo coincidiu na mesma altura, e o tempo não estica...
2) No último sábado, dia 30 de Abril, o Alexis, o Luis Miguel, o Toni e eu (que somos os voluntários desta casa no Pinar até ao fim do mês, passámos todo o dia com os nossos amigos do Pinar. Eles, nesse dia, participaram num campeonato de Petanca e de futebol (devidamente adaptados, claro) e a cada um de nós foi pedido que acompanhássemos três deles... foi muito divertido... mas tão cansativo... começou pela manhã e só terminou pela hora de jantar... eu estava de rastos... só o Pedro pode imaginar o que é passar um dia a correr atrás da Cândida... a levar a Maribel à casa de banho... ufff... mas, e falando sério, é nestas experiências que vou sentido que o carisma vicentino é o meu...
3) Na segunda-feira, dia em que aqui se festejou o dia do trabalhador, em comunidade fomos passear... fomos a Algarbe (não, não ganhei pronuncia do norte... é um sitio perto de Albarracín que tem esse nome)... um sitio muito bonito: verdadeiro campo... aí assámos a carne... a comemos... nos divertimos... depois fomos tomar café a Albarracín (volto a aconselhar a visita... vale mesmo a pena)... e, no regresso, fomos visitar uma zona que está cheia de pinturas pré-históricas (não se vê muito, mas como são tantas... tá bem...).

Enfim, uma semana que muito me agradou mas que igualmente me cansou... mas são estas semanas que nos fazem pensar: “Vale a pena!!!”.

Nuno Miguel Lopes, c.m.

terça-feira, abril 26, 2005

ERNEST HEMINGWAY

Ninguém é uma illa, completo em si mesmo; cada homem é um pedaço do continente, uma parte da terra; se o mar leva consigo uma porção de terra, toda a Europa diminui, como se fosse um promontório, ou a casa de um dos teus amigos, ou a tua própria casa; a morte de qualquer homem me diminui, porque estou ligado à humanidade; e, por conseguinte, nunca perguntes por quem tocam os sinos; tocam por ti.”
John Donne


Este belo pensamento de John Donne lí-o na abertura de uma das obras de Ernest Hemingway intitulada, em español, “Por quién doblan las campanas”. Chamou-me a atenção, para além do autor, o título do livro: De que é que tratará, a que é que se refere? Na verdade, a minha curiosidade ficou satisfeita simplesmente com este pensamento com o qual o autor dá início ao seu romance. Trata do problema da morte, do (quase nulo) sentido de humanidade que existe em tempos de guerra, no caso desta obra, na guerra civil espanhola.
Libertando um pouco mais a minha reflexao, este pensamento faz-me pensar no absurdo que é a guerra, no absurdo que é deixar morrer alguém à fome ou enfermo se podemos, nós mesmos, ajudar a evitá-lo. Quão absurda é a morte, nestes casos, se eu tenho conciência que com a morte de cada uma dessas pessoas morre uma parte de mim, uma parte da humamidade…
Que diferente seria o mundo se este pensamento de John Donne formasse parte do nosso agir e modo de ver o mundo e os problemas que afectam a humanidade!...
Neste sentido, já percorremos um largo e importantísimo caminho, mas é necesario muito mais ... e nós somos capazes disso…
Mãos à obra!…
Bruno

segunda-feira, abril 25, 2005

JORNADAS MISSIONÁRIAS EM CASTELNOVO (CASTELLÓN)


Ontem, domingo, fui convidado pelo P. Júlio Suescun a acompanhá-lo a Castelnovo para participarmos no último dia das Jornadas Missionárias Vicentinas, com membros de todos os ramos da familia vicentina.
Quatro dos meus colegas (o Bruno está nesse grupo, pode ser que partilhe algo do que viveu!?!), assim como o P. Angel, haviam estado no sábado a participar nessas jornadas, que duraram todo o fim-de-semana, e haviam chegado a casa muito contentes com o que haviam vivido...
Eu, se bem que a principio inibido por não conhecer quase ninguém, depressa me fui “infiltrando”...
De manhã, quando chegámos, estavam todos ainda no pequeno almoço. Depois de alguns momentos de convivio, decorreu uma “mesa redonda” onde os participantes (o P. Visitador da Provincia de Barcelona, uma Filha da Caridade da Provincia de Pamplona e um matrimónio de JMV) partilharam a sua vivência da Eucaristia. Em seguida, e porque era domingo, celebrámos uma Eucaristia muito animada, participada e vivida.
Da missa passámos à mesa e, devo confessar, que comemos muito bem!

Enfim, foi mais uma experiência muito enriquecedora nesta minha peregrinação por terras de “nuestros hermanos”!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

Nota – Para ler e ver mais:

terça-feira, abril 19, 2005

De França

De França, a comunidade de Teruel recebeu hoje a visita dos padres Agustín (espanhol, da província de Toulouse ) e Ciryl (francês, da província de Paris). Sempre bem acompanhados pelo Pe Corpus, o assunto que os trouxe aqui, foi a possibilidade de, no próximo ano, os seminaristas franceses se unirem às províncias de Espanha num Seminário Interno interprovincial.
Sem dúvida que, caso se venha a concretizar esta possibilidade, o Seminário Interno se tornará mais enriquecedor, sobretudo, culturalmente.
Da minha parte, lamento já este ano nao ter tido a oportunidade de gozar da presença francesa neste Seminário Interno...
Bruno

BENTO XVI

"Habemus Papam"
A Igreja alegra-se por ter novamente um Sumo Pontífice: SS o Papa Bento XVI (Cardeal J. Ratzinger)!!!
No Seminário Interno, em Teruel, também seguimos atentamente o momento em que foi anunciado o nome do novo Papa.
É com muita esperança e confiança no Espirito Santo que encaramos o pontificado que agora começa!!!
Nuno Miguel Lopes, c.m.
Nota: Cofesso que estou um pouco desiludido... quando escutei "Josephum...." estava esperando que em seguida viesse "Policarpus"...
É o Papa que temos... rezemos por ele... e pela Igreja, que bem precisa!!!

segunda-feira, abril 18, 2005

EXPERIÊNCIA DE DEUS


No sábado passado vivi uma fortíssima experiência de Deus... estar com um homem na sua última agonia e acompanhá-lo enquanto o abandona o último alento vital é viver intensamente a presença de Deus na nossa vida... refiro-me, claro está, ao Irmão Vicente... no Sábado pela manhã vi no seu rosto o Cristo sofredor, o Cristo que se entrega... Vicente soube ser verdadeiramente IRMÃO nesta sua peregrinação terrena... que mais podíamos fazer que com ele estar na sua última agonia???

Hoje, pelas 12 horas celebraremos a Eucaristia e depois iremos acompanhar o seu cadáver á sepultura... deixamos de contar com um Irmão na terra... mas contamos com mais um santo no Céu... disso estou seguro!!!

RIP

Nuno Miguel Lopes, c.m.

sábado, abril 16, 2005

VICENTE


Esta manhã, pouco passava das 11 horas, o (nosso) Irmão Vicente entregou o seu espirito nas mãos do Pai...
Desde quinta-feira, quando foi internado no hospital, que este desfecho se estava a fazer adivinhar...
O peso dos seu 89 anos (que completava na terça-feira) e a doença derrubaram aquele que até ao minuto final se manteve firme e tentando não ser incómodo para os demais... Porém, nós, seu irmãos de comunidade, decidimos que não iria estar só... Desde quinta-feira que, por turnos, estivemos sempre com ele... até durante as noites...
Alguém teria que estar com ele quando a sua hora chegasse... calhou que fora o P. Ángel, o Alexis e eu... mas não eramos só nós três que ali estávamos... toda a comunidade estava representada por nós...

Enfim, sentimos tristeza por deixar de poder conviver com um homem como Vicente... mas também sentimos alegria por saber que agora o temos a interceder por nós junto do Pai!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

quarta-feira, abril 13, 2005

LAURA


Da experiência missionária que vivi em Canárias disse que muito mais havia para contar e, então, porque as saudades desse intenso mês já se vão fazendo sentir, hoje decidi escrever sobre algo que me marcou e que sucedeu durante esses dias: Laura!

Um dos grupos que existem na Paróquia de S. João Bosco, no “Valle de Jinámar”, é o de S. Francisco de Assis. Uma das actividades desse grupo é a distribuição de metadona e a tentativa de reinserção social dos toxicodependentes.
No último sábado em que aí estivemos resolvemos (os Padres Pablo, Stanislaw, e Alexis Viera e eu) aceitar o convite que nos havia sido feito pela irmã que aí trabalha, visitar as instalações e ver o seu trabalho “ao vivo”.
O que vimos não só nos agradou como levou a que nos sentíssemos acolhidos. É óbvio que se trata de pessoas com histórias de vida muito complicadas, como aliás todas as pessoas que em dado momento se viram enfeitiçadas pela toxicodependencia, porém, e quando entrámos, o que vimos foi um grupo de pessoas em animada conversação, tomando o seu café e umas bolachas e alguns, até, jogando às cartas. Aí, imediatamente, constatámos que ali todos se sentiam bem.
Como todos entenderão, a nossa intenção ali não era fazer pregações; o que fizémos foi juntar-nos ao grupo. Tomámos o nosso café, fumámos o nosso cigarro (excepto o P. Pablo que se afirma um “fumador não praticante”, se bem que ninguém saiba muito bem o que isso é...) e até nos juntámos aos que jogavam às cartas.
Foi uma manhã muito bem passada e em que admirámos o trabalho cristão que ali com aquela gente se faz e ao qual o Pároco (P. Ricardo, um sacerdote da CM) se junta sempre que pode... que exemplo!!!

Agora todos estarão perguntando: “E que tem o nome Laura que ver com tudo isto???”
Eu respondo: “Calma!!!” (Ai os direitos de autor...)

Passo a explicar:
Quando nos sentámos para jogar um pouco às cartas, tomar o nosso café e fumar o nosso cigarro, foi-me apresentada uma senhora que estava à minha frente. O seu nome era Laura. Nesse momento só vi que Laura era uma mulher na casa dos 40, um pouco diferente, mas cuja diferença pensei que se devesse ao facto de ser uma ex-toxicodependente.
Começámos o jogo de cartas...
A jogar estávamos o P. Alexis Viera, Laura, duas monitoras e eu.
Quando estamos a jogar às cartas é normal que olhemos para as mãos dos outros quando pousam a carta que jogam. Foi precisamente o que aconteceu comigo quando Laura pousou a primeira carta.
Nesse momento pensei: “Meu Deus! Que mãos mais masculinas que esta mulher tem!!!”
Continuámos o jogo mas eu comecei a ficar intrigado... e o Alexis também...
Olhei para ver melhor... vejo como os braços de Laura eram muito peludos... olhei melhor... vejo como Laura é bem larga de ombros... nesse momento vejo que o Alexis está a pensar o mesmo que eu: “Laura é (ou foi) um homem!!!”
(Bem, depois viémos a descubrir que Laura é, na realidade, Carmelo! Que se note que, aqui em Espanha, Carmelo é nome de homem...)
Mas entretanto, quando ainda estávamos só no campo da suspeita, fomos ouvindo o que nos contava sobre a sua vida... disso só digo que, sendo verdade, Laura teve uma vida de imenso sofrimento fisico e moral, o qual não descrevo por respeito a Laura e à sua privacidade, além do que não é fundamental para a questão...
Quando nos despedimos de Laura, como é natural entre um homem e uma mulher, fizé-mo-lo com dois beijos na cara. E, sabem uma coisa? Não senti repulsa, vergonha, ou o que seja... afinal, à minha frente estava uma mulher, bem estranha, mas “mulher”...
E não fica o caso por aqui...
Na missa de Envio, e porque havia sido convidada, aí estava Laura (e na primeira fila)... e, se querem saber, fiquei encantado ao ver como todos os que a conheciam do «S. Francisco de Assis» a acolheram...
Afinal, o que fez Jesus durante toda a sua vida senão acolher a todos???

Nuno Miguel Lopes, c.m.

NOTAS:
1 – Como é óbvio, aqui não estou a fazer qualquer tipo de defesa da homossexualidade, transexualidade, ou o que seja... só estou a olhar à pessoa sem fazer qualquer consideração moral quanto ao seu desvio na vivência da sua sexualidade... Esse pode ser tema de um próximo artigo... quem sabe???
2 – Este artigo foi escrito há três semanas em Zaragoza, durante os exercícios espirituais. Andou perdido entre os meus papeis... mas finalmente vê “a luz do dia”. Creio que se mantém actual... oxalá não me engane!!!

terça-feira, abril 12, 2005

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA


Quando iniciámos este ano de Seminário Interno, no já distante mês de Outrubro passado, houve uma alma inquieta que nos perguntava se não iriamos ter formação na área da Doutrina Social da Igreja.
Desde a semana passada, e aproveitando a ausência do Director do Seminário Interno, estamos a receber uma formação intensiva (duas horas diárias) de Doutrina Social da Igreja, ministradas pelo P. Jaime Corera, c.m..
É óbvio, e natural, que este (pouco) tempo de formação nesta área (tão marginalizada e esquecida) tem como propósito somente introduzir-nos no tema e interessar-nos por ele, para que depois, por iniciativa própria sigamos esse estudo.
Podem dizer que é pouco... eu direi que antes isto que nada...
É que, na realidade, tem sido uma agradável surpresa descobrir a visão da Igreja sobre estes temas sociais... eu só me pergunto: PORQUE PERMANECE A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA TÃO MARGINALIZADA???
É no estudo de estes temas que me alegro pela vocação à evangelização e serviço ao Pobre...


Nuno Miguel Lopes, c.m.

sábado, abril 09, 2005

KAROL WOJTYLA

Durante esta semana que passou, e como forma de luto, decidi não escrever nada... mas, agora, é chegada a altura de voltar à escrita, de voltar à partilha desde o seminário interno...

Hoje, pela manhã, e como habitual, saí para comprar o jornal... o vento soprava cortante e gelado... poucos caminhavam pela rua... o termometro marcava 1º...
Comprei o jornal. O tema de capa era o “Funeral do século”.

«Não tenhas medo... Faz-te ao largo...» são palavras de JP II que me marcaram e influenciaram... são um desafio e um conforto para mim... Este era o «meu» Papa... o único que conscientemente conheci...

Karol Vojtyla foi um homem de fé...
João Paulo II foi um APÓSTOLO (as maiúsculas são propositadas) dos nossos tempos...

É momento de caminhar em frente...
É momento de deixar Karol descansar na paz eterna...
É momento de tranquilamente esperar pela eleição do novo Papa...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

sexta-feira, abril 01, 2005

PAPA...


Desde as mais precoces horas do dia de hoje que em Espanha, e no mundo inteiro, se fala sobre o estado de saúde do Papa João Paulo II. Parece que o seu corpo está a chegar ao limite da sua resistência. As cadeias de televisão, as rádios, o cidadão anónimo, todos têm um assunto comum: o Papa.
Que curioso!!!
Num tempo em que o religioso é quase tabu vemos que o assunto número um é um homem que é simbolo e presença do religioso entre nós...
Num tempo em que é moda ser ateu, agnóstico, ... vemos a geral admiração e reconhecimento perante o pontificado de João Paulo II... Nem os mais afastados conseguem ficar indiferentes...
Quer queiramos quer não temos que reconhecer que este foi um Papa do mundo, não só de Roma mas do mundo inteiro... foi um Papa amado pelos jovens, pelos doentes, pelos pobres,... enfim, por todos...
Outro virá... será melhor? Será pior? Uma certeza tenho: será diferente! Graças a Deus o ser humano é único e irrepetível!!! No entanto não queiramos antecipar os acontecimentos... deixemos que Karol entregue o seu espirito nas mãos do Pai... depois falaremos do próximo...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

quinta-feira, março 31, 2005

Aniversário do Pe Ángel...

Esta última semana, desde quinta-feira Santa até hoje, estivemos em festa: De quinta-feira Santa até ao Domingo de Ressurreição celebramos, como todos os cristãos, o Mistério Pascal; na segunda-feira, celebramos a alegria de mais um aniversário, o 65º do superior da casa, o Pe Ángel Pascual; ao Pe Ángel desejamos que celebre, em alegria, muitos mais anos; no dia seguinte, terça-feira, celebramos, e muito bem, o meu aniversário e que o Nuno já referiu; por fim, até hoje e desde segunda-feira, o Pe Nélio fez-nos uma visita para saber como estamos a sentir-nos aqui e conhecer a comunidade; ficou satisfeito com o que viu e ouviu e nós agradecemos-lhe a visita...
Estes foram os principais acontecimentos desta última semana, mas a alegria continua com o tempo de Páscoa, tempo de alegria entre todos os cristãos...

Bruno, c.m.

quarta-feira, março 30, 2005

O BRUNO E AS TORTILLAS...


Na passada terça-feira, dia 29 de Março, foi dia de festa aqui em Teruel: o Bruno completava 22 anos de vida. Em virtude de tal solenidade não houve aulas no seminário interno (e também, claro, porque era feriado em Teruel...). Todos ficámos tão felizes que passámos o dia a cantar-lhe os parabéns, em todos os sitios e ocasiões... principalmente quando havia gente por perto.
Para bem celebrar a ocasião, e porque em Teruel nesse dia (o dia do sermão das “tortillas”; não me perguntem porquê... porque o não sei) é costume ir fazer um piquenique para o campo, também nós preparámos o farnel, pegámos na carrinha e partimos à busca de lugar para o banquete...
O lugar era bonito... muitas árvores, água (chamam-lhe rio, mas para mim é um charco...), pássaros cantando, mesas, assadores... tudo o necessário para o nosso almoço...
A primeira tarefa foi buscar lenha para a fogueira... até o Nélio ajudou (o Bruno falará da sua estadia... pelo menos assim o espero, porque tal me prometeu...). Acendida a fogueira, já existindo brasas, foi tempo de começar a assar as chouriças, os chouriços, o entrecosto, a costoletas de borrego,... e, claro, começar a comer... comemos bem, bebemos bem, diverti-mo-nos...
Terminada a refeição, e depois de tudo arrumado na carrinha, partimos em busca de outras paisagens... afinal tinhamos o Nélio de visita e essa era a desculpa perfeita para mais um pouco de passeio... (he... he... he...)
Visitámos umas aldeias ou vilas muito interessantes e recheadas de marcas da longa história que nelas havia sido feita...
Terminada a visita cultural voltámos a casa felizes e contentes... e já fartos de cantar os parabéns ao Bruno (o pobre já não tinha mais sangue para lhe colorir a cara por tantas vergonhas passadas...).
Enfim, um dia bem passado...
E, claro, uma vez mais, e para ti Bruno: “Cumpleaños feliz...”


Nuno Miguel Lopes, c.m.

PÁSCOA RURAL...


Recém chegados de Zaragoza, e depois de uns renovadores exercicios espirituais, na última quarta-feira, dia 24 de Março, partimos à descoberta de novos mundos e novas aventuras...

As malas estão feitas... Tudo está carregado na carrinha... é hora de partir!
À medida que a carrinha se ía distanciando do seminário o caudal do rio ía engrossando... eram as lágrimas do Bruno e do José que ficavam para servir a paróquia na liturgia das celebrações da Páscoa... (é mentira... mas até fica poético...)
A estrada à nossa frente era cada vez mais estreita e perigosa... íamos subindo e as ravinas eram cada vez mais assustadoras... alguns já se sentiam enjoados... outros já jogavam com os telemóveis que, não tendo rede, pelo menos serviam para alguma coisa...

E eis que finalmente e num grande e em uníssono «OOOOOOOHHHHHH» avistamos a primeira aldeia em que íamos trabalhar: TORMÓN. Parecia-nos estar perante um postal... ao fundo os altos montes... mais perto as casas todas de pedra e aninhadas em redor da torre da igreja... o fumo timidamente ia saindo de algumas chaminés... um cão pachorrentamente olhava a carrinha que passava e cortava o silêncio habitual... um rosto que se vislumbrava numa perdida janela...

Depois de mais uma curvas... e outras curvas.... e mais curvas... finalmente chegamos a ALOBRAS. Aí estava aquela que seria a nossa casa até ao domingo de Páscoa.

Chegámos e começámos a instalar-nos. As condições, nada parecidas com um RITZ, eram as suficientes para um grupo de missionários como nós: 5 quartos, um WC e, muito importante, uma salamandra para nos aquecermos...
Primeira refeição... a animação que reinaria nos dias seguintes já se vislumbrava... À mesa estávamos as duas Filhas da Caridade (Magdalena e Manuela), uma JMV (Angela) e seis seminaristas (Ramón, Alexis, Nacho, Luis Miguel, Toni e eu)... para que o grupo ficasse completo só faltava a Rebeca (outra JMV), que chegou no dia seguinte.

O nosso trabalho consistiu em preparar e celebrar a Páscoa com aquelas gentes de ALOBRAS, TORMÓN e VEGILLAS. Preparámos os monumentos para quinta-feira Santa... animámos as eucaristias nesse mesmo dia... participámos e orientámos a hora santa nos 3 locais... preparámos e, com o povo, na sexta-feira de manhã, fizémos a Via Sacra... Participámos e animámos as celebrações de sexta-feira Santa (muito bem presididas pelo Ramón, pelo Alexis e pelo Toni)... visitámos os doentes na manhã de sábado e levá-mos-lhes a comunhão... preparámos e animámos a Vigilia Pascal em Alobras e, finalmente, no Domingo de Páscoa, preparámos e animámos as celebrações da palavra em Vegillas (onde pela primeira vez na minha vida presidi a uma celebração da palavra) e em Tormón (onde presidiu o Nacho)...

Foram dias muito intensos, com pouco descanso mas com muita animação... e daquilo que vivemos quero destacar duas coisas:
Primeiro a Vigilia Pascal: ao nosso grupo juntaram-se os estudantes do teologado da CM (que de Barakaldo tinham vindo para celebrar a Páscoa numas aldeias perto de Teruel), o seu director e o Bruno (que já nem comía com saudades nossas) ... foi uma celebração com 3 pessoas no altar (os PP. Félix e David a celebrar e o Luis Miguel a acolitar), o que é algo quase inédito por aquelas paragens... como eramos muitos a cantar a celebração foi muito animada... foi uma celebração muito simples, mas também muito vivida... as pessoas ficaram encantadas e nós também....
Segundo a Celebração da Palavra em Vegillas no Domingo de Páscoa: como disse antes, foi a primeira vez que presidi a uma celebração da Palavra... foi também a primeira vez que distribuí a comunhão... e, numa primeira vez, fi-lo em espanhol...

Foi uma experiência muito boa... na simplicidade e na beleza da serra creio que conseguimos celebrar dignamente a Páscoa do Senhor!!!


Nuno Miguel Lopes, c.m.

terça-feira, março 29, 2005

ALELUIA!!!

Depois de estarmos em exercicios espirituais...
Depois de celebrarmos o Tríduo Pascal com as gentes da serra...
Depois de já termos o P. Nélio entre nós...

Aqui estou, querendo, antes de mais, saudar a todos os membros da CM e da Família Vicentina de Portugal com um grande Aleluia em Jesus Ressuscitado!!!

Muito há que contar...
Muitos artigos a escrever...

Esperai e lereis...


Ass: Nuno Miguel Lopes, c.m.

sábado, março 26, 2005

Feliz Páscoa

Desde Espanha, Teruel, e em nome de toda a comunidade, votos de uma feliz e santa Páscoa para todos!...

quinta-feira, março 24, 2005

Exercícios Espirituais

De 18 a 23 de Março, ontem, os seminaristas das províncias de Saragoça e Barcelona, juntamente connosco que estamos a fazer o Seminário Interno, realizámos os nossos exercícios espirituais na cidade de Saragoça. O orientador dos exercícios foi o Pe Félix, sub-director do Seminário Interno.
No primeiro dia, para além das apresentaçoes, programámos as actividades dos restantes dias; assim e resumindo o mais importante, iniciávamos o dia com Laudes ás 8:30, seguido do pequeno almoço e uma pequena exposição de um tema para reflexão pessoal até ao almoço, ás 14h. Depois de um pequeno descanso, ás 17h tínhamos mais uma exposição de outro tema, seguido, também, de reflexão pessoal. Terminávamos o dia com a celebração da Eucaristía ás 20h e jantar ás 21h.
Os temas, expostos pelo Pe Félix, basearam-se na Pessoa de Jesús Cristo e seu significado para nós, no perfil de um vicentino nos dias de hoje e na importancia da comunidade. O momento culminante de todos estes dias foi a celebração penitencial, no dia 22 ao fim da tarde.
Todos aproveitamos estes dias para meditar um pouco e sentirmos mais intensamente a Pessoa de Jesús e espírito vicentino nas nossas vidas a par, também, de um descanso merecido e um pouco de convívio e conhecimento mútuo entre todos. Sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora para todos nós…

Bruno

sexta-feira, março 18, 2005

Matar Saudades...

Confesso que já tinha saudades, depois de mais de um mês fora... Sim, tinha saudades da casa, da comunidade, da cidade e de outras coisas mais, depois de um mês de missão nas encantadoras ilhas canárias e suas gentes acolhedoras e extrovertidas... Mas, as saudades que tinha e a que me refiro têm a ver com o P. Muneta, com a música, com a polifónica Turolense. Por incrível que pareça, não me lembro, desde que estamos em Espanha, de passar tanto tempo sem escutar e disfrutar de um concerto orientado pelo P. Muneta. Depois de mais de um mês, antes de ontem tivemos oportunidade de escutar mais uma vez a polifónica, interpretando alguns temas de Muneta como foi o caso de "Pueri Hebreorum" e "Crux Fidelis", e outros bem famosos e belos como são o "Agnus Dei" da - Missa da Coronação - de W. A. Mozart, o "Aleluia" - da obra - Messias - de Haendel e um fragmento do "Gloria in excelsis Deo" de Antonio Vivaldi. Sem dúvida, obras de, como se diz aqui em Espanha, "poner los pelos de punta"...
Como se não bastasse, ontem houve outro concerto, este de cordas, em que se tocaram várias e também belas obras como, por exemplo, "Marcha de las Ilustrísimas Directoras", do nosso grande maestro P. Muneta, "Ave Verum" de W. A. Mozart, introdução ao "Glória" de Antonio Vivaldi e um "Trio em Dó Maior" de J. Haydn, entre outras obras, também elas muito boas.
Ao que parece, hoje há outro concerto, mas não vamos poder estar presentes, porque iniciamos hoje os nossos exercícios espirituais em Saragoça e que se prolongam até quarta-feira. Depois, desde quinta-feira Santa até Domingo da Ressurreição estaremos divididos em 2 grupos para a preparação e celebração do Mistério Pascal: 2, eu e o José ficamos aqui na paróquia da Milagrosa e os restantes, sob orientação de Sor Magdalena, vão para os "pueblos" do P. Baltazar. Seguramente, estes dias serão de muita importância para cada um de nós quer a nível espiritual quer pastoral. Mais tarde escreveremos para partilhar as nossas experiências...
Bruno

quinta-feira, março 17, 2005

VALLE DE JINAMAR


Porque não tenho qualquer tipo de prazer em deixar os nossos leitores assaltados pela curiosidade sobre o que se passou nas terceira e quarta semanas da nossa estadia em Canárias, aqui estou disposto a partilhar, sempre de forma fragmentária e incompleta, um pouco mais das nossas vivências e experiências missionárias...

Nessas duas semanas, estando já a equipe formada (ver artigo de 16/03/2005), o nosso trabalho consistiu em, conjuntamente com a Paróquia de San Juan Bosco (Valle de Jinámar), preparar a missão que irá realizar-se nos seus territórios de Eucaliptus 1, Los Helechos e Las Violetas, no final deste ano (Outubro ou Novembro). Pode parecer estranho que a missão se realize só nestas zonas, mas é uma situação bastante compreensível devido à extensão dos seus territórios, que se têm vindo a missionar desde 1995.
Essa paróquia, bastante jovem, é uma zona excessivamente povoada. É também uma zona de habitação social, onde encontramos gente vinda do (antes espanhol) Saara, gente vitima das mais variadas pobrezas e também gente que aí comprou a sua casa. As construções primam pela altura, habitando em cada bloco uma média de 40/48 famílias (em Eucaliptus 1). A nivel social é uma zona bastante conflitiva e carenciada. Aí estão patentes os problemas com a toxicodependência, com a prostituição, com as familias desagregadas, com a pobreza. É de louvar, no entanto, o trabalho da paróquia na área da acção social (Cáritas, “S. Francisco de Assis” para os toxicodependentes e “Media Luna” para as crianças)... podemos dizer que é uma paróquia verdadeiramente vicentina!!!
Todas as manhãs (excepto sexta-feiras), o nosso dia missionário começava com a oração da manhã na e com a paróquia, à qual se seguia a celebração da Eucaristia. Depois, tomado o café que na paróquia gentilmente nos ofereciam, reunía a equipe para preparar o trabalho do dia. O resto da manhã era passado a visitar os territórios a missionar. Nessas visitas, o nosso propósito era, contactando com as pessoas que já tinham algum tipo de contacto com a paróquia (catequistas, membros de grupos paroquiais, pais de crianças na catequese e outros), convidá-las a participar nos encontros de reflexão a realizar na segunda semana e encontrar “enlaces” em cada bloco. (Aqui vejo a necessidade de fazer uma pequena explicação: a missão vicentina na Provincia de Zaragoza começa, na(s) primeira(s) semana(s), por fazer visitas a todas as familias do território a missionar, nas quais se apresenta a missão e se convida à participação na mesma. Os “enlaces” são as pessoas que, em cada bloco, fazem um trabalho prévio de anúncio dessa visita dos missionários, e que servem de contacto entre a paróquia e os residentes nesse bloco). Na manhãs da segunda semana o trabalho era o mesmo, sendo porém alvo diferente: os visitados eram os doentes da paróquia e suas familias.
Pelas tardes o nosso trabalho era mais variado...
Assim, na primeira semana, todas as tardes mantivemos uma hora de encontro com as crianças da paróquia (e que crianças!!!). Eram mais de 100 crianças e cada uma mais irrequieta que a outra, mas todas encantadoras... foi cansativo estar com esses pequeninos mas todos chegámos ao ultimo dia com a agradável sensação de que valeu a pena.
Além dos encontros com as crianças, mantivémos encontros com os seus pais, os adolescentes, os jovens, os catequistas e com os diversos grupos da paróquia (Conselho Pastoral, Cáritas, Catequese de Adultos, ...). O objectivo de todos esses encontros era, para além de os animar nos seus trabalhos, de os entusiasmar e envolver na missão.
Na última semana, e como tempo especial, todas as tardes se realizou um encontro de reflexão e oração, cujo objectivo era a descoberta da vivência comunitária da fé e como essa vivência impele para a missão.
Foram duas semanas muito bem passadas... O ambiente na equipe missionária não podia ser melhor... a receptividade por parte da paróquia também... enfim, se assim foi a preparação, nem quero imaginar como será a missão!!!
Como ponto final neste tempo especial de preparação da missão, no último sábado, e numa celebração muito participada e vivida, foi enviada toda a paróquia em missão. A nós foram entregues “pintaderas” (tipicas de Gran Canária) e o diploma missionário.

Ass: Nuno Miguel Lopes

(Foi para mim muito importante a participação neste trabalho de missão não só por poder sentir uma vez mais que estou a trilhar o caminho certo mas também por verificar que a lingua espanhola já não é assim tão difícil para mim... desde ter que a usar com desconhecidos, para presidir a orações, para fazer catequese, enfim, em todas as actividades normais numa missão...)

Deste tempo de missão muito mais haveria para contar (peripécias, descobertas, frustrações, ...), mas por agora fico por aqui, não quero que o tamanho do artigo assuste aos nossos leitores... e, mais tarde, quem sabe se escreverei mais sobre o assunto!??!

quarta-feira, março 16, 2005

JINÁMAR – MARZAGÁN


Como o prometido é devido, aqui estou com vontade de partilhar as minhas vivências por terras Canárias...

Na segunda semana da nossa estadia por essas paragens, estivémos envolvidos num trabalho de pós-missão na Paróquia da Imaculada Conceição de Jinámar-Marzagán. Foi então que conhecemos os restantes membros da equipe missionária na qual nos iriamos inserir: os PP. Pablo, Alexis e Stanislav e as irmãs Dolores e Rosário, eles “paúles” e elas Filhas da Caridade. Era uma equipe muito internacional: um eslovaco, dois portugueses, quatro “canarinhos” e dois “godos” (nome que os de Canárias dão aos espanhois peninsulares). Era uma equipe muito jovem, na qual havia seis elementos cuja idade era igual ou inferior a trinta anos. Assim, como seria natural, reinou o ambiente descontraido e alegre, e foi essa a nossa primeira vitória e “arma” de evangelização.

Nessa primeira semana, em que o que se pretendia era revitalizar um pouco o espírito da missão que se havia vivido naquelas paragens, o nosso tempo dividiu-se em diversas actividades: pelas manhãs (e tempos livres pelas tardes), depois da oração da manhã com os membros da comunidade paroquial que a nós se queriam juntar, visitámos os pais das crianças da catequese, as pessoas que haviam estado mais ligadas à missão e os doentes; pelas tardes encontrámo-nos com as crianças, com os seus pais, com as suas catequistas, com os adolescentes, com o Conselho Pastoral e outros agentes da pastoral paroquial. Como momento alto da semana, com os adultos, de quarta a sexta, realizaram-se pregações sobre a vivência comunitária da fé. Com as crianças, e porque estas não são nada dadas a grandes discursos, optámos por fazer uma caminhada a uma aldeia chamada Hornos del Rey, onde se cantou, brincou e rezou.

Foi uma semana muito intensa e o grupo teve que dividir-se várias vezes por coincidência de horário de actividades distintas.

Houve momentos de grande alegria, como quando fizemos a caminhada com as crianças; houve momentos de grande cansaço, como quando alguns tinham que subir as mais altas encostas dos mais altos montes para fazer uma visita; houve momentos de desespero, como quando alguns, depois de subir ao mais alto da mais alta encosta, descobrem que a doente que iam visitar já estava com o Senhor há doze anos; houve momentos de impotência, como quando alguns tentavam falar de Jesus a um grupo de mais de vinte crianças; houve momentos de arrepiar, como quando um homem alcolizado (ou drogado) decidiu que continuamente havia de interromper a pregação do P. Alexis; houve momentos de grande conversão, como todos aqueles em que Stanislav visitava um doente, que inevitavelmente deixava “confessado e comungado”; enfim, foi uma semana que deu para tudo, até para iniciar os nossos (que se tornaram habituais) jogos de cartas após o almoço... e que campeão se mostrou o nosso Bruno!!!

Assim foi a nossa segunda semana em Canárias...
... numa próxima crónica contaremos das outras duas... até lá!


Ass: Nuno Miguel Lopes

terça-feira, março 15, 2005

MISSIONÁRIOS


Depois de uma prolongada ausência deste cantinho virtual de ligação a Portugal, e de um mês de trabalho missionário, eis que volto à partilha de vivências, experiências e notícias desde o Seminário Interno Interprovincial da CM em Teruel.

O Seminário Interno, tempo de conhecimento da CM, além da formação teórica prevê também a formação práctica. Nessa área, para além dos trabalhos pastorais, a que podemos chamar de ordinários (como a catequese, o voluntariado na prisão, o voluntariado com os imigrantes e sem abrigo, o voluntariado no “El Pinar”,...), há também a experiência de trabalho na missão, vocação por excelência da CM. Assim, todos os seminaristas foram enviados, durante um mês, para diferentes locais, em missão. Os da Província de Madrid foram enviados para uma missão em Alicante. O José e o Ramón foram enviados para Cuenca. O Alexis, o Nacho, o Bruno e eu fomos enviados para Gran Canária.

Todos regressámos a Teruel com o sorriso no rosto, aquele sorriso de quem experimentou algo que lhe agradou e que por isso descobre que está no caminho certo. É comum a todos o agrado pelo trabalho realizado e a vontade de caminhar cada vez com mais empenho no seio da Cogregação da Missão.

O trabalho em Gran Canária, que o Bruno e eu vivemos, dividiu-se em três partes distintas: na primeira semana, em que realizamos convivências com os alunos do Colégio de San Vicente de Paúl, no Lomo Apolinário em Las Palmas (que o Bruno já descreveu); na segunda semana, na Paróquia da Inmaculada Concepción de Jinámar-Marzagán, en que participámos num tempo de pós-missão; e, finalmente, nas terceira e quarta semanas, na Paróquia de San Juan Bosco, no Valle de Jinámar, em que participámos num tempo de pré-missão.

Sobre as nossas experiências nos trabalhos de pós e pré missão escreveremos nas nossas próximas partilhas... é que, regressados a Teruel, as aulas voltaram e o trabalho que supõem também...


Ass: Nuno Miguel Lopes

NOTA: Não quero deixar de aproveitar este meio para saudar e felicitar todas as Filhas da Caridade de Portugal neste dia em que celebramos a Solenidade de Santa Luisa de Marillac, sua co-fundadora... Que sejam cada vez mais como ela no serviço e amor ao pobre!!!

sábado, fevereiro 19, 2005

Semana de convivências

Já antes de chegarmos às ilhas canárias, sabíamos, mais ou menos, o que nos esperaria nestes primeiros dias; por isso, tivemos tempo para preparar tudo atempadamente e da melhor forma; Refiro-me, mais concretamente, às convivências que nos encarregaram de preparar para os estudantes do colégio de S. Vicente de Paulo, contíguo à casa da comunidade.
Deste modo, desde segunda até quinta-feira, da parte da manha, estivemos com os alunos dos vários anos de escolaridade aquí presentes. Em cada convivência começávamos com uma pequena dinâmica de apresentaçao/ambientaçao, seguida de um momento de oraçao; terminada esta, víamos um filme (planta 4ª ou Shrek 2) e trabalhavamos em grupos sobre a mensagem que nos transmitia e seus valores. "Ser pessoa à imagem de Jesus Cristo" era o último tema que trabalhávamos. Seguia-se, para terminar da melhor forma a convivência, a celebraçao da Eucaristia.
Avaliando o trabalho feito, penso que foi muito positivo para nós e para todos os jovens do colégio que participaram nas convivências; certamente aprendemos todos algo de novo: por um lado, experiência no trato com os jovens e, por outro, um maior conhecimento dos valores humanos fundamentais e da pessoa de Jesus Cristo.
Na sexta-feira e hoje, sábado, nao nos dedicamos às convivências, mas sim à preparaçao da missao que tem início amanha. Nao se trata de um tempo forte de missao, mas sim de um tempo de preparaçao para a missao (Outubro). Sem dúvida que nao será fácil e muito trabalho nos espera. Da nossa parte procuraremos dar o nosso melhor e encomendamos esta missao e seus frutos ás vossas oraçoes....
Bruno

terça-feira, fevereiro 15, 2005

LAS PALMAS

Eram 16 horas (hora de Portugal e de Canárias), quando no passado domingo um avião proveniente de Madrid havia terminado as manobras de aterragem... Nesse avião, cheios de curiosidade, vinham os quatro ("magnificos") seminaristas missionários: Alexis (de volta à sua terra), Nacho (conhecendo mais um canto do seu país), Bruno (acabado de acordar) e Nuno (eu).
O acolhimento foi feito, e muito bem, pela comunidade da CM de Las Palmas.
Chegados a casa, foi momento de ficarmos encantados com a casa, uma casa senhorial antiga... realmente encantadora!
O nosso trabalho nesta primeira semana consiste em realizar encontros/convivencias com as várias turmas do colégio a cargo desta comunidade...
...pelas tardes, depois de tudo preparado para o dia seguinte, temos aproveitado para conhecer: a cidade, os centros comerciais, a praia,...
Enfim, chegámos bem e bem nos sentimos... estamos encantados com a ilha e ainda não conhecemos nada... vamos ver o que nos espera durante este mês...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

sábado, fevereiro 12, 2005

EFECTIVAMENTE...


Efectivamente não nevou em Teruel...
Efectivamente já estamos em tempo de Quaresma...
Efectivamente o tempo passa sem que demos conta...
Efectivamente amanhã já é dia 13 de Fevereiro...

Amanhã iniciamos uma nova etapa do Seminário Interno: A MISSÃO!
Os “campos” de missão serão 3: Alicante (para os dois de Madrid), Cuenca (para o José e para o Ramón) e Jinámar – Canárias (para o Nacho, o Alexis, o Bruno e eu).

A expectativa é grande para todos nós... e a vontade de trabalhar pela missão também...
Contamos convosco e com a vossa oração...

Nuno Miguel Lopes, c.m.

Nota: Como não sei as condições materiais que me esperam não sei se durante o mês de missão poderei escrever neste espaço... mas amanhã já saberemos!!!

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

TERUEL MEDIEVAL...


Era uma vez uma linda jovem turelense... como em todas as histórias de encantar, esta bela jovem conheceu o amor... o seu principe, o seu Diego.
Porque os contos de encantar necessitam de emoção, neste caso o pobre Diego foi para a guerra... A pobre jovem, triste e lacrimejante, ficou à espera do seu amado, com o qual, antes da sua partida havia acordado uma data até à qual havia de esperar por ele...
Porque a sina dos amantes é sempre triste, neste caso também não deixou de o ser...
O pai da nossa bela jovem, homem preocupado com a sua descendencia que não via meios de surgir por ter a filha em casa sem se casar, começou a empenhar-se em resolver esse mal, e em casá-la...
A nossa bela jovem lá foi conseguindo atrasar os projectos do preocupado pai, mas, um dia, na mais profunda penumbra existencial ficou ao receber a noticia de que o seu amado Diego havia beijado os frios lábios da morte no campo de batalha...
Como o prazo acordado com Diego estava a terminar e o pai estava cada vez mais insistente com o projecto de a casar, a nossa jovem cedeu e o casamento com um nobre cavaleiro da cidade foi marcado para a véspera do dia em que terminava o prazo...
Ó cruel fado que brincas com os sentimentos dos pobres mortais...
No dia em que o prazo terminava, chega Diego a Teruel e, qual não é o seu espanto quando ao perguntar o porquê da festa na cidade descobre que tudo se deve ao casamento da sua amada...
Diego, apaixonadamente louco, corre ao encontro da sua amada, consegue entrar na casa, e, após tantos momentos de amargura em que a lembrança do seu rosto o anima e conforta, vê o amado rosto...
Como seria de esperar, e porque esta história se passa no tempo em que a honra era palavra ainda com significado, quando Diego pede um beijo a sua amada a única coisa que recebe é um estalo na cara...
Porque não são só as mulheres que sofrem de amor, o nosso pobre Diego, em imenso sofrimento pela rejeição, encontra o consolo dos frios braços da morte e a eles se entrega...
A nossa bela jovem, ainda não senhora por ainda se não ter dado a consumação do matrimónio, em lágrimas por não poder entregar-se ao seu verdadeiro amor, recebe a notícia: o Diego morreu...
Ó sofrimento, ó desdita, ó fado...
Esquecendo tudo e todos, a nossa jovem corre ao encontro do seu amado...
Mudos de espanto, todos os que o morto velavam, assistiram á chegada da nossa jovem... Se lágrimas mais pudessem seus tristes olhos chorar, mais pelas suas belas faces correriam... Ela chega... indiferente a todos, junto ao frio corpo do seu amado se ajoelha...
«O beijo que na vida te neguei, na morte o darei...»
Na lentidão de quem quer saborear o momento, vai aproximando os seus vermelhos lábios dos já pálidos de Diego... e, numa entrega de verdadeira paixão, beija aquele que nunca deixou de amar...
Porque também as mulheres morrem de amor, a nossa bela jovem, que a outro não se queria entregar, a vida abandonou e como o seu amado morta ficou...

Esta história, muito do estilo de Romeu e Julieta, menos famosa embora anterior, é inspiração para Teruel... Os corpos dos dois amantes jazem na bela Igreja de San Pedro e durante este fim de semana foi a sua história ocasião para um reviver o passado...
Toda a cidade vestiu os seus trajes medievais...
Todas as tendas de venda de produtos artesanais se montaram...
O touro saíu à rua...
As encenações do romance dos amantes sucederam-se relembrando todos os momentos do seu fatídico amor...
Enfim, vivi este fim de semana uma festa que me encantou e que recomendo a todos...
É realmente algo digno de se ver!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

domingo, fevereiro 06, 2005

«VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO»


Ao escutar o Evangelho de hoje, somos surpreendidos pelas palavras de Jesus Cristo: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,14a)... que quereria o Mestre de todos os mestres dizer com essa intrigante afirmação?
A resposta mais óbvia é que nos chama a ser suas presenças e portadores da sua luz no mundo. Como se consegue isso? Com a vida! Com o agir no dia a dia, afirmando-nos cristãos não só com o que dizemos mas, e muito mais importante, com o que fazemos e como o fazemos...
Porém a minha meditação não se ficou por aí... não podia ficar...
Uma sequencia de dúvidas me assaltaram:

Que tipo de luz sou? E que tipo de luz quero ser?
Serei uma daquelas luzes de vela que, de tão mortiças, pouco ou nada iluminam?
Serei uma luz de lâmpada que se acende e apaga consoante as conveniências?
Serei um bonito candelabro, muito trabalhado, muito cheio de ouros, muito brilhante, muito antigo,... que todos admiram mas que já ninguém usa?
Serei uma daquelas lâmpadas que se orientam para um só sentido?
Serei um daqueles candelabros que acesos são muito bonitos mas que assim que se apagam se descobre que estão cobertos pelo pó e pelas teias de aranha?
Afinal, sou uma luz que realmente ilumina ou, pelo contrário, serei uma lâmpada fundida?

E tu?
Que tipo de luz és?

Nuno Miguel Lopes, c.m.