Recém chegados de Zaragoza, e depois de uns renovadores exercicios espirituais, na última quarta-feira, dia 24 de Março, partimos à descoberta de novos mundos e novas aventuras...
As malas estão feitas... Tudo está carregado na carrinha... é hora de partir!
À medida que a carrinha se ía distanciando do seminário o caudal do rio ía engrossando... eram as lágrimas do Bruno e do José que ficavam para servir a paróquia na liturgia das celebrações da Páscoa... (é mentira... mas até fica poético...)
A estrada à nossa frente era cada vez mais estreita e perigosa... íamos subindo e as ravinas eram cada vez mais assustadoras... alguns já se sentiam enjoados... outros já jogavam com os telemóveis que, não tendo rede, pelo menos serviam para alguma coisa...
E eis que finalmente e num grande e em uníssono «OOOOOOOHHHHHH» avistamos a primeira aldeia em que íamos trabalhar: TORMÓN. Parecia-nos estar perante um postal... ao fundo os altos montes... mais perto as casas todas de pedra e aninhadas em redor da torre da igreja... o fumo timidamente ia saindo de algumas chaminés... um cão pachorrentamente olhava a carrinha que passava e cortava o silêncio habitual... um rosto que se vislumbrava numa perdida janela...
Depois de mais uma curvas... e outras curvas.... e mais curvas... finalmente chegamos a ALOBRAS. Aí estava aquela que seria a nossa casa até ao domingo de Páscoa.
Chegámos e começámos a instalar-nos. As condições, nada parecidas com um RITZ, eram as suficientes para um grupo de missionários como nós: 5 quartos, um WC e, muito importante, uma salamandra para nos aquecermos...
Primeira refeição... a animação que reinaria nos dias seguintes já se vislumbrava... À mesa estávamos as duas Filhas da Caridade (Magdalena e Manuela), uma JMV (Angela) e seis seminaristas (Ramón, Alexis, Nacho, Luis Miguel, Toni e eu)... para que o grupo ficasse completo só faltava a Rebeca (outra JMV), que chegou no dia seguinte.
O nosso trabalho consistiu em preparar e celebrar a Páscoa com aquelas gentes de ALOBRAS, TORMÓN e VEGILLAS. Preparámos os monumentos para quinta-feira Santa... animámos as eucaristias nesse mesmo dia... participámos e orientámos a hora santa nos 3 locais... preparámos e, com o povo, na sexta-feira de manhã, fizémos a Via Sacra... Participámos e animámos as celebrações de sexta-feira Santa (muito bem presididas pelo Ramón, pelo Alexis e pelo Toni)... visitámos os doentes na manhã de sábado e levá-mos-lhes a comunhão... preparámos e animámos a Vigilia Pascal em Alobras e, finalmente, no Domingo de Páscoa, preparámos e animámos as celebrações da palavra em Vegillas (onde pela primeira vez na minha vida presidi a uma celebração da palavra) e em Tormón (onde presidiu o Nacho)...
Foram dias muito intensos, com pouco descanso mas com muita animação... e daquilo que vivemos quero destacar duas coisas:
Primeiro a Vigilia Pascal: ao nosso grupo juntaram-se os estudantes do teologado da CM (que de Barakaldo tinham vindo para celebrar a Páscoa numas aldeias perto de Teruel), o seu director e o Bruno (que já nem comía com saudades nossas) ... foi uma celebração com 3 pessoas no altar (os PP. Félix e David a celebrar e o Luis Miguel a acolitar), o que é algo quase inédito por aquelas paragens... como eramos muitos a cantar a celebração foi muito animada... foi uma celebração muito simples, mas também muito vivida... as pessoas ficaram encantadas e nós também....
Segundo a Celebração da Palavra em Vegillas no Domingo de Páscoa: como disse antes, foi a primeira vez que presidi a uma celebração da Palavra... foi também a primeira vez que distribuí a comunhão... e, numa primeira vez, fi-lo em espanhol...
Foi uma experiência muito boa... na simplicidade e na beleza da serra creio que conseguimos celebrar dignamente a Páscoa do Senhor!!!
Nuno Miguel Lopes, c.m.
Sem comentários:
Enviar um comentário