Como o prometido é devido, aqui estou com vontade de partilhar as minhas vivências por terras Canárias...
Na segunda semana da nossa estadia por essas paragens, estivémos envolvidos num trabalho de pós-missão na Paróquia da Imaculada Conceição de Jinámar-Marzagán. Foi então que conhecemos os restantes membros da equipe missionária na qual nos iriamos inserir: os PP. Pablo, Alexis e Stanislav e as irmãs Dolores e Rosário, eles “paúles” e elas Filhas da Caridade. Era uma equipe muito internacional: um eslovaco, dois portugueses, quatro “canarinhos” e dois “godos” (nome que os de Canárias dão aos espanhois peninsulares). Era uma equipe muito jovem, na qual havia seis elementos cuja idade era igual ou inferior a trinta anos. Assim, como seria natural, reinou o ambiente descontraido e alegre, e foi essa a nossa primeira vitória e “arma” de evangelização.
Nessa primeira semana, em que o que se pretendia era revitalizar um pouco o espírito da missão que se havia vivido naquelas paragens, o nosso tempo dividiu-se em diversas actividades: pelas manhãs (e tempos livres pelas tardes), depois da oração da manhã com os membros da comunidade paroquial que a nós se queriam juntar, visitámos os pais das crianças da catequese, as pessoas que haviam estado mais ligadas à missão e os doentes; pelas tardes encontrámo-nos com as crianças, com os seus pais, com as suas catequistas, com os adolescentes, com o Conselho Pastoral e outros agentes da pastoral paroquial. Como momento alto da semana, com os adultos, de quarta a sexta, realizaram-se pregações sobre a vivência comunitária da fé. Com as crianças, e porque estas não são nada dadas a grandes discursos, optámos por fazer uma caminhada a uma aldeia chamada Hornos del Rey, onde se cantou, brincou e rezou.
Foi uma semana muito intensa e o grupo teve que dividir-se várias vezes por coincidência de horário de actividades distintas.
Houve momentos de grande alegria, como quando fizemos a caminhada com as crianças; houve momentos de grande cansaço, como quando alguns tinham que subir as mais altas encostas dos mais altos montes para fazer uma visita; houve momentos de desespero, como quando alguns, depois de subir ao mais alto da mais alta encosta, descobrem que a doente que iam visitar já estava com o Senhor há doze anos; houve momentos de impotência, como quando alguns tentavam falar de Jesus a um grupo de mais de vinte crianças; houve momentos de arrepiar, como quando um homem alcolizado (ou drogado) decidiu que continuamente havia de interromper a pregação do P. Alexis; houve momentos de grande conversão, como todos aqueles em que Stanislav visitava um doente, que inevitavelmente deixava “confessado e comungado”; enfim, foi uma semana que deu para tudo, até para iniciar os nossos (que se tornaram habituais) jogos de cartas após o almoço... e que campeão se mostrou o nosso Bruno!!!
Assim foi a nossa segunda semana em Canárias...
... numa próxima crónica contaremos das outras duas... até lá!
Ass: Nuno Miguel Lopes
Sem comentários:
Enviar um comentário