domingo, dezembro 26, 2004

VACACIONES...


Lá fora a neve cai com violoência, empurrada pelo vento... no conforto da nossa casa, o Bruno e eu, vamos apreciando o espectáculo e pensando que bem se está aqui... mas, porque tinha que nevar precisamente hoje e uma hora antes de partirmos?.. a preocupação assalta as nossas mentes: se não chegarmos a tempo a Madrid... o autocarro para Lisboa não esperará por nós... bem, tenhamos confiança: a rua ainda não está toda branca... só está pintalgada... não que isso me anime muito...
Os nossos colegas já partiram e o único que poderá ter problemas com a neve é o Luis Miguel que vai para Burgos que já está vestida de branco...
Bem, que Deus nos proteja e que saibamos aproveitar bem as férias...
Uma boa entrada no ano de 2005 é o que desejo a todos os leitores...

Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, dezembro 25, 2004

FELIZ NAVIDAD (¿POR QUÉ ME GUSTA SER PAÚL?)


Sensación agridulce el día de ayer. Nochebuena fuera de casa. La familia, los amigos, la típica cena, hasta la Misa del Gallo serían distintas este año. 450 Km. lejos de casa. La verdad es que el día no prometía demasiado. Era Nochebuena, sí. Pero, ¿realmente sería tan buena como indica su nombre? A la hora de la comida, tristeza. Intento echarme una siesta, pero la nostalgia me lo impide. Lo peor es que dentro de media hora tenemos que ir a celebrar la Misa de Navidad con los presos de la cárcel de Teruel y tengo que poner buena cara. Le pido al Señor que me ayude.
De repente me viene el recuerdo de mi sobrino, una de mis alegrías. Como si el Padre me hubiese escuchado, un cambio de ánimo sorprendente me llena. Ahora sí que tengo fuerza para afrontar la tarde de hoy.
Vamos a casa de las Hijas de la Caridad, con quienes íbamos a ir a la prisión. Llegamos en coche y por fin entramos a la cárcel. ¡Qué sensación tan rara! Intenté quedarme con todos los detalles, observar el lugar, la gente, funcionarios, presos. Nos damos un momento la vuelta y… ¡ahí está el obispo! Él iba a presidir la eucaristía. En todo momento se muestra cercano a los reclusos. Ellos no ven en D. José Manuel a alguien distante, sino a una persona que se interesa por ellos, que no los juzga, que, en definitiva, los trata como lo que son, gente, cosa poco usual para ellos. Cantamos villancicos en la Misa, que fue muy alegre y participada. Se ve el gran corazón de esa gente que, probablemente por desconocimiento, por ignorancia o por necesidad, cometieron algún grave error en su vida. Ahora están pagando por él, pero en ellos también se nota la Navidad. Hablo con alguno de ellos al terminar. Son de mi tierra. Me encanta su acento: ¡Me recuerda tanto a casa! Mientras tanto, mi tristeza matutina se transforma en alegría y vergüenza. Alegría porque estamos en Navidad. Vergüenza porque yo en Navidad voy a estar en casa, y ellos no. Yo tengo suerte y voy a estar unos días con mi familia y ellos no. Salgo de la prisión renovado y con ganas de volver a ver a esa gente que en todo momento se ha comportado como tal, y no como los monstruos que creemos que son.
El siguiente punto del viaje es el comedor de transeúntes que tienen las Hijas de la Caridad en casa. Van a cenar en estas fechas tan señaladas en casa extraña, por mucho cariño que transmitan las hermanas. Me llaman la atención cuatro personas. Tres de ellos son polacos y están tristes. Uno a punto de llorar. El mayor de ellos lleva siete años en España y sin ver a su familia. Para los otros es su primer año fuera. Han dejado mujer e hijos por buscar una situación mejor para todos. Me vuelvo a morir de vergüenza por haber estado mal esta tarde. Yo no estoy en un país extraño. Estoy viviendo en una casa y esta noche tendré una cena de categoría. Podré ir a la Misa del Gallo y vivirlo con mi gente. A ellos les toca estar sin su familia, en tierra extraña, con un idioma que no es el suyo y que aún no dominan, durmiendo en un albergue, sin poder ir siquiera ir a Misa por no dormir en la calle, a pesar de las ganas que tienen. Es una época dura para ellos. Cuesta transmitirles alegría en estos momentos. Me hago el firme propósito de ir a verlos cada vez que pueda, tanto en el comedor, como en las reuniones de inmigrantes. El cuarto individuo que me llama la atención es un chico de Cádiz. Da gusto ver como, a pesar de la distancia está alegre, o por lo menos lo aparenta. Canta un poco y se lo dedica a toda la gente que no está con su familia. Es de los mejores gestos que he visto hoy.
Mi Nochebuena triste se ha convertido en la mejor de mi vida. Ya sé por qué quiero ser paúl. Quiero estar cerca de todas esas personas, vivir su problemática y ser su familia. Muchas gracias al Señor Vicente por darnos ese ejemplo digno sólo de un santo. Feliz Navidad a todos.


ASS: Nacho.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

NAVIDAD...


A diferentes culturas naturalmente correspondem diferentes maneiras de viver os vários acontecimentos. Este ano, estando em Teruel, tenho o previlégio de conhecer como se vive o Natal do Senhor por terras de “Nuestros Hermanos”.
Se para o grande e emocionante momento da Missa do Galo faltam ainda algumas horas, na preparação que a antecede já deu para perceber algumas diferenças:
· Aqui as escolas funcionam até hoje, 23 de Dezembro; e que estranho é ver as crianças arrastando penosamente as suas malas escolares na véspera da consoada...
· Os concertos, dos quais o Bruno e eu temos vindo a referir nesta página, que vão surgindo nestes días...
· Aqui deseja-se Feliz Navidad, mas também se diz desejar unas Felices Páscuas... que estranho, não?!?
· A noite de consoada é aqui a Noche Buena, enquanto que a passagem de ano é a Noche Vieja...
Numa coisa as nossa culturas são semelhantes: no folclore das decorações de rua e no exterior das casas...
Enfim... culturas diferentes, tradições diferentes, mas o espirito de Natal é o mesmo...
... aproveitemos bem as horas que faltam para preparar uma caminha bem confortavel para o Menino Deus nos nossos corações...

FELIZ NATAL!!!


Ass: Nuno Miguel Lopes

NOTA: Ontem, para melhor podermos celebrar o Natal, na Paróquia da Milagrosa, celebrámos uma celebração Penitencial, fazendo uma avaliação de vida de acordo com as quatro velas de advento: Paz, Amor, Fé, Esperança.
Que bom que é o encontro com os braços de misericórdia do nosso Deus que é Amor!!!

terça-feira, dezembro 21, 2004

MAIS UM CONCERTO EM TERUEL...


Desta vez foi na Igreja da Milagrosa, onde estamos, e pela Polifónica Turelense, brilhantemente regida pelo “nosso” P. Muneta (já era de esperar, não?!?).
Christus natus est, venite adoremus!”, era o que o belo som das vozes nos ia anunciando, e as nossas almas, que nem arrebatadas, quase que subiam até aos altos céus... daí a pouco foi a vez do celebérrimo “Adestes Fideles” ser mais belo quando cantado pelas 39 vozes da polifónica... até o nosso Bruno ficou com pele de galinha!
Ouvir tantas vozes juntas e em tal harmonia além de encantador é um belo exemplo de quanto a união dos homens consegue!
No meio destas meditações filosófico-teológicas, sou interrompido pela voz do P. Muneta que anuncia que se irá cantar algo de Gil Vicente... toda a minha atenção se concentrou nos cantores e, com alguma expectativa, esperei que começassem a cantar. Era realmente algo de belo, só é pena que muitas vezes com a palavra “parió” na letra, mas, posteriormente, o P. Muneta apressou-se a esclarecer-me de que era a forma usada no castelhano desse tempo... enfim, que assim seja!!!
Sabiam que há uma versão espanhola da canção «White Christmas»? Pois eu não sabia, mas garanto que agora sei, e que bem que foi cantada: «Blanca Navidad...». dava vontade de dizer: «Que bem se está aqui, Senhor!».
«Para quê instrumentos quando um tal conjunto de vozes consegue toda a sonoridade necessária???», podiamos perguntar.
Entretanto surge a camara da Estação de TV regional... e grande alvoroço se produz na audiencia... principalmente, alguns portugueses cujo nome não começa por N... (Mentira...)
Para que o concerto fosse ainda melhor, eis que entram dois violinos e um violoncelo... que sonoridade que se alcançou...
Para finalizar em beleza, e no pico do nosso contentamento, eis que começam a cantar «Noche de Paz...»: Que espectáculo!!!

Mais uma vez o digo: que bom é estar em Teruel!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, dezembro 18, 2004

Concerto de Despedida

Será muito dífícil que no futuro assista a tantos concertos como aconteceu até agora, aqui em Teruel. Depois de quarta-feira passada, ontem, mas desta vez na nossa paróquia, o Pe. Muneta dirigiu mais um concerto com instrumentos de cordas. Tocaram-se Mozart, Vivaldi, Haendel, algumas composiçoes do próprio Pe. Muneta e cançoes várias de espírito natalício.
O motivo do concerto foi o Pe. Muneta: era a última vez que dirigia os seus alunos num concerto, pois dia 27 de Dezembro completa 65 anos e deixará de dar aulas. Por isso, ao programa que nos foi distribuído, se acrescentaram mais algumas músicas da autoria do Pe. Muneta sem que este soubesse e a si dedicadas. No fim do concerto, recebeu de todos os seus alunos uma flor; o resultado é que quase nao tinha maos para tanta flor.
Destaco, antes de terminar, que a maioria dos seus alunos que tocaram tinham entre 10 e 17 anos; sao pequenos em idade, mas, seguramente, grandes em talento e com muito para progredir. Foi um concerto de hora e meia fantástico, que nos deliciou a todos...

sexta-feira, dezembro 17, 2004

FORMAÇÃO PERMANENTE II


Depois de longas e cansativas negociações com o Bruno, para ver quem escrevia o quê sobre o dia de ontem, dia em que fomos a Zaragoza para mais um encontro de Formação Permanente da Zona Centro desta provícia da CM, coube-me escrever sobre o tema e conclusões.
Como pontos de partida para a nossa reflexão prévia, a nivel pessoal e comunitário, tivemos os pontos II e III do documento final da 40ª Assembleia Geral da CM (“Una mirada atenta al presente” e “Una mirada atrevida al futuro”), o texto “Al alba del Tercer Milenio – Retos para la Congregación de la Misión en Europa”, de Cristian Sens, c.m. (publicado em “Vicenciana”, 2000 (Janeiro – Fevereiro), pp. 40-48), e as seguintes questões:
1. ¿Te parece que sigue siendo actual la afirmación de Pablo VI: “nuestros contemporáneos escuchan mejor a los testigos que a los maestros”? ¿Qué implicaciones conlleva para nosotros, seguidores de Cristo Evangelizador de los pobres?
2. ¿Qué pasos estamos dando para que nuestro servicio evangelizador resulte significativo: en nuestros ministerios tradicionales; iniciando con los pobres nuevos caminos de evangelización?
3. ¿Es adecuada nuestra formación continua para responder competentemente a los nuevos desafíos de la misión? ¿A qué podemos comprometernos?
4. ¿Hasta qué punto nos interrogan las llamadas “nuevas pobrezas”? ¿Qué respuestas estamos dando?
5. ¿Cómo afrontamos el diálogo interreligioso?
6. ¿Qué hacemos personal y comunitariamente para suscitar nuevas vocaciones misioneras?
7. ¿De qué manera nos proponemos concretar en nuestras comunidades y en nuestra Provincia los compromisos de la Asamblea General para reforzar nuestra actividad apostólica, para potenciar su dimensión misionera?

Como sería de esperar, não se conseguiu responder a todas as questões,e, para ser sincero, nem tal se tentou. O que se fez, então, foi uma partilha sobre os textos e as questões na generalidade mas sem estar preso a qualquer tipo de esquema.
Na partilha foi-se falando de experiencias de missão tão distintas e, ao mesmo tempo, tão semelhantes como são, para esta Província, Honduras e a Paróquia de San Vicente de Paúl em Zaragoza; da importância do testemunho com a vida a acompanhar a pregação; das novas formas de pobreza e da dificuldade que é actuar em relação a elas; das dificuldades que a Igreja vive aqui em Espanha; do discernimento de quais as obras que a CM deve manter e, principalmente, deve procurar realizar no nosso mundo actual; ...
Poderão perguntar: «E tu, que pensas?»
Eu penso e sinto que, neste mundo novo que é o nosso, sou chamado a viver a minha vocação de forma radical. Radical, para mim, porque bem assente sobre a raiz que é Jesus Cristo Evangelizador dos pobres. Radical, para o mundo, porque seguindo um caminho que parece tão diferente e, para alguns, absurdo. Radical porque só assim o meu testemunho será evangelizador. Só serei verdadeira testemunha de Jesus Cristo se na minha vida e no meu viver os outros O puderem reconhecer. E que melhor forma de reconhecer a Cristo que no serviço e evangelização dos mais pobres?

Ass: Nuno Miguel Lopes

Formaçao Permanente

Ontem, 16 de Dezembro, tínhamos uma outra saída agendada para Saragoça. O motivo foi o encontro de formaçao permanente, para o qual nos pusemos a caminho, por volta das 10 da manha. Quando chegámos a Saragoça passava um pouco das 12 horas. Seguiu-se um pequeno descanso e, de imediato, demos início à reuniao de formaçao permanente, com a duraçao de 1 hora muito produtiva e enriquecedora. Terminada esta, seguiu-se um almoço reforçado e um passeio turístico pela tarde. Turístico sim, mas nao só.
Depois de mais de meia hora a pé, até chegar ao centro da cidade, assistimos á eucaristia das 4 horas da tarde no santuário de Nossa Senhora do Pilar.
O Nuno ficou escandalizado pelo facto de o sacerdote ter celebrado a eucaristia de costas voltadas para nós... tudo somente porque nao existia altar, a nao ser o do Sacrário e nada mais...
De seguida, bem junto ao santuário, um grande aglomerado de gente seguia atentamente a votaçao para a cidade acolhedora da expo 2008. Mais tarde, saberíamos que Saragoça seria eleita a cidade da expo 2008, mas nao estivemos presentes nos festejos.
Entretanto, corremos umas quantas lojas para comprarmos alguns artigos natalícios para adorno da nossa casa, pois em Teruel nao há muito por onde escolher... O tempo para o fazer é que nao foi muito, de maneira que até tivemos de correr, pois a hora de regresso era às 18 e ainda estavamos no centro da cidade. Nao tardou muito para que nos telefonassem a saber onde estavamos... O que é certo é que, pouco depois, estavamos em casa. Seguiram-se as despedidas e o regresso a Teruel, por volta das 21.
Ainda deu tempo para adornarmos a casa e fazer dois presépios...

Bruno

quarta-feira, dezembro 15, 2004

UM CONCERTO EM TERUEL...

Porque a vida no Seminário Interno nao é só estudar e rezar, ontem, pelas 20 horas, entravam no Museo de Teruel alguns seminaristas acompanhados pelos seus Director e Sub-director.
O motivo que nos levou àquele lugar naquele momento foi um concerto de música de câmara muito bem interpretada pelo Trio Turolense.
As obras tocadas e por nós degustadas eram de vários autores: J. B. Schenk (Concertate en Mi b), S. Mercadante (Fantasia sobre temas da ópera "Francesca Donato", numa adaptaçao do trio actuante), o "nosso" Jesús Maria Muneta (Requiebros op. 236) e, para finalizar, Darius Milhaud (Suite op. 157 b).
Obviamente que cada um viveu e saboreou o concerto de uma forma pessoal e, por isso, distinta:
se uns até fechavam os olhos para melhor saborear,
outros havia que os fechavam para o tempo aproveitar e, quiçá, cochilar;
se uns se moviam ao som da música,
outros havia que se remexiam de impaciência;
se uns havia que nem deram pelo tempo passar,
outros houve que só pensavam na hora de jantar;
enfim, de uma forma distinta o vivemos,
mas em conjunto aumentámos um pouco mais a nossa bagagem cultural...
Cada vez me convenço mais de quanto é bom estar em Teruel e poder aproveitar as suas ofertas culturais!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

segunda-feira, dezembro 13, 2004

CARIDADE E BUROCRACIA


Hoje, pela manhã, recebi a notícia, infelizmente cada vez mais usual no nosso mundo, de uma idosa que vive em condições pouco dignas e a quem a Segurança Social Portuguesa se nega a prestar apoio.
Aqui está o caso exposto por quem o vive de perto:

«Somos um Centro de Dia, com 5 anos de funcionamento, sedeado em Paialvo e por onde já muitos idosos passaram, alguns ainda se mantêm, outros já faleceram e outros estão cada vez mais dependentes, mais necessitados de apoio permanente.
Das muitas situações difíceis com que já nos deparámos, e relembrando algumas: dois irmãos invisuais, que moravam sozinhos sem as mínimas condições habitacionais: um morreu no hospital, o outro morreu de desgosto por no fim da sua vida se ver longe (Centro de Emergência de Santarém) do sitio a que estava habituado – a sua casa e o Centro de Dia.
Também no Apoio Domiciliário, não são menores as dificuldades, porque quando as situações se complicam, quem tem dinheiro ou família para pagar um Lar privado, tem os seus problemas resolvidos! Mas para quem não tem família, mora sozinha num 1º andar, de renda, acamada, com uma reforma de cerca de 350,00€, não há Lar Privado e nem da Segurança Social que a aceite!!! Esta senhora, vive dos cuidados já insuficientes que este Centro lhe presta.
Claro que tudo isto se resolveria se já tivéssemos aqui um Lar, mas infelizmente, a burocracia é mais que muita, existe muito dinheiro para muita coisa, mas para um Lar Social, até parece uma Utopia!!! E os outros Lares, ditos Sociais, também não têm lugar para uma pessoa que aufere mensalmente 350€. E se fosse 700, será que já haveria lugar para esta senhora???

Talvez este assunto dê para reflectir acerca do país em que vivemos... das injustiças sociais que diariamente aparecem nos meios de comunicação e das que ainda estão camufladas! Num país cada vez mais idoso, talvez já seja altura de serem criadas condições para que os nossos avós vivam no conforto de um Lar, que apesar de não ser o seu, nem da sua família, é da sua área de residência de forma a lhes dar o carinho e as condições de que necessitam.

Ass. Élia Lopes & Manuela Godinho (Centro Social Paroquial N.ª Sr.ª Conceição Freg. Paialvo


Que o Estado tenha querido e queira ter em suas mãos o trabalho sócio-caritativo, historicamente desenvolvido pela Igreja, não vejo problemas. Afinal só está a cumprir a sua função… Agora que preste esses serviços a seu bel-prazer e não o preste a quem deles necessita urgentemente, creio ser uma hipocrisia e uma falta grave contra a humanidade.
Como pode o Estado, e mesmo misericórdias (que tem o mesmo sistema de funcionamento), recusar-se a prestar o apoio a pessoas a quem a sorte da vida não sorriu nunca e não tem os meios suficientes para pagar o pedido por estas instituições pseudo-caritativas ou solidárias?
Como podem os dirigentes destas instituições dormir de noite?
Bem sei que não é fácil, e também sei que estas minhas questões são exageradas… mas revolta a impotência perante esta situação…
Como dizem a Élia e a Manuela, pelo menos que o Estado fosse mais pronto em conceder o apoio para a construção do Lar… afinal, gasta-se tanto e tão mal gasto… mas talvez a construção deste Lar em Paialvo não tenha proveitos políticos!!!
Que mundo este em que vivemos!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

Nota: Para os que não sabem, antes de entrar no seminário trabalhava no Centro de Dia referido. Foi ali que a minha decisão foi amadurecida, e foi na relação com todas aquelas pessoas, idosos e colegas, que vivi num clima extremamente propício para o meu discernimento vocacional. Tudo o que se relaciona com o Centro, como creio que compreendem, me é muito querido, e os seus problemas são também os meus… Aquele ainda é o «meu Centro, os meus idosos, as minhas colegas,…», por isso o meu interesse neste caso.

FRAGMENTOS…


Depois de uns dias de ausência deste cantinho virtual eis que estou de volta com vontade de retomar o diálogo que aqui se proporciona. Não tendo assunto para um artigo, sinto, no entanto, a necessidade de deixar algumas mensagens e partilhas:
1. Quanto ao polémico assunto dos meus últimos artigos quero deixar o meu sincero agradecimento a todos os que quiseram entrar no diálogo por meio dos seus comentários. Esses comentários têm sido realmente um valor acrescentado para esta página…
2. Á minha amiga F.S. quero deixar o convite a ler as mensagens da Conferencia Episcopal Portuguesa, especialmente a que se refere aos pecados sociais…
3. Ao amigo e fiel leitor P. Avelino, quero deixar o meu agradecimento pela sua fidelidade e espírito critico…
4. Ao anónimo que deixou o último comentário quero agradecer pela sua simples e acessível exposição acerca do flagelo da SIDA. Muito agradeço os seus esclarecimentos… foi bom que alguém viesse ajudar-nos a assentar ideias…
5. Como é do conhecimento geral, aqui em Espanha, nos últimos dias a ETA tem andado «muito entretida» a colocar bombas ou a dizer que as havia colocado. Graças a Deus não há vítimas mortais. Mas será que o melhor meio de luta será este? Do contacto que vou tendo com «nuestros hermanos», a sensação que vou tendo é que assim as suas pretensões só ficarão cada vez mais longe de poder ser realizadas…
6. Como o Bruno escreveu no seu artigo de hoje, no passado fim-de-semana estivemos em Barakaldo – Bilbao – País Basco, para participar na ordenação presbiteral de mais um sacerdote da Congregação da Missão. Na celebração houve momentos que realmente me comoveram e não quero deixar de os partilhar: o momento em que os pais do ordenando entregaram na mão do Bispo a casula e a estola, sinal da entrega daquele filho fruto do seu amor para o serviço do Senhor e dos pobres e o momento em que todos os sacerdotes presentes acolheram o novo presbítero com um grande e sentido abraço… Tal como disse o Bruno, fui pensando o quão perto está esse momento para mim… Como o tempo passa!!!
7. Como adepto do FCP e português que sou não quero deixar de congratular-me e agradecer a esse querido clube por mais uma alegria: a Taça Intercontinental…

Com um abraço para todos, daqui do frio de Teruel,

Ass: Nuno Miguel Lopes

Ordenaçao Sacerdotal

Para a ordenaçao sacerdotal do Félix no passado sábado e a realizar em Barakaldo (país basco), tivemos de pôr-nos em viagem, na sexta-feira, em direcçao a Saragoça, onde passámos a noite. Tudo correu bem, e, no dia da grande festa, pusemo-nos a caminho de Barakaldo (Bilbao), bem cedo, por volta das 8 horas; esperava-nos uma viagem de algo mais de 3 horas, que também ela correu bem, ou nao fosse o Nuno a conduzir... Mal chegamos, começamos por conhecer seminaristas e padres da província, que ainda nao tinhamos tido oportunidade de conhecer. Foi-nos mostrada, também, a casa de Barakaldo com o colégio, teatro e Igreja, tudo pertencente á província de Saragoça. Quanto ao ordenando, só o vimos, ou pelo menos eu, na celebraçao. Tudo estava muito bem preparado, inclusive os acólitos, um deles o José que está a fazer o seminário interno aqui em Teruel, que já se encontravam no local da ordenaçao no dia anterior para que até mesmo os mínimos detalhes nao fossem esquecidos. A começar pelo Senhor Bispo, foi muito simples e concreto, com uma homilia pequena e dirigida ao Félix, em particular, e ao que significa e deve ser o ministério sacerdotal; depois, os cantos e guitarristas (ainda bem que o Padre Muneta nao foi à ordenaçao, pois consideraria isto como um insulto); e todos os que ajudaram directa ou indirectamente na preparaçao da Igreja, celebraçao e banquete, no final.
Durante a celebraçao, a mim e seguramente a outros de nós, seminaristas, a ordenaçao fez-me ver que já nao falta muito para ser eu o ordenando, se essa for a vontade de Deus. Até mesmo, no momento de beijar as maos ao novo sacerdote, diziamos: "quando for eu nao quero"... Mas aqui nao há quereres e este gesto deve ser interpretado como um sinal, símbolo de amor do homem para com Deus que sempre envia operários para a sua messe...
Passada esta simples e, por isso, bela celebraçao, seguiu-se um pequeno "beberete" para todos os que participaram na celebraçao; de seguida, os convidados, continuamos o banquete num restaurante vizinho. Alguns que tinham sido mais gulosos, na primeira fez que puderam comer algo desde manha cedo, viram-se aflitos para comer o que nos esperava; já nao me recordo quantos pratos foram, mas sei que estivemos à mesa umas tres horas... Comemos, bebemos, convivemos e festejamos esta nova ordenaçao da melhor forma.
Na hora da despedida, Desejamos felicidades, coragem e confiança em Deus ao longo da sua caminhada, que seja testemunho da Luz, de Cristo, num mundo que cada vez mais se cerra à transcendência.
Iniciamos a viagem de regresso a Saragoça, já de noite e com um nevoeiro cerradíssimo; mas como era o José a conduzir, segundo ele, com os olhos da fé, nao tinhamos nada a temer e chegamos bem a casa, graças a Deus. Dormimos em Saragoça e regressamos a Teruel, (já com saudades!?) no domingo. Termina, assim, da melhor forma este fim de semana, bem diferente do habitual...
Bruno

domingo, dezembro 05, 2004

CONCEPÇÕES…


Todos os que me conhecem bem sabem que não consigo resistir a uma boa polémica, e, nos últimos dias, em função do meu último artigo, neste blog, que nunca tinha recebido tantos comentários a uma só publicação, tem reinado a polémica. Muito me agrada esse facto, sinal de que o que aqui se escreve não é indiferente a quem o lê.
Se o iniciador da polémica fui eu, ao escrever o artigo, o seu digno alimentador tem sido o «meu amigo» F.S., ao tão fervorosamente comentar. É certo que as reacções ao(s) seu(s) comentário(s) não têm sido as mais serenas, mesmo da minha parte, mas creio chegada a altura de tentar colocar «água na fervura» e ensaiar esclarecer as coisas um pouco:
Confesso, e mentiria se o não fizesse, que o primeiro comentário do F.S. me deixou um pouco perturbado, quer pela surpresa quer pelo tom. Porém, e depois da “roda-viva” de comentários que foram surgindo, quero agradecer o interesse e a participação de todos nesta página que elo de ligação com Portugal e o mundo pretende ser.
Porque, no meu entender, a polémica se deve a uma divergência de concepções, quero apresentar algumas que creio poderem ajudar ao esclarecimento da minha posição:
O Homem é para mim um ser em relação e só se pode entender e definir em função dela. Toda a humanidade é, assim, um corpo relacional. Como em todos os corpos, basta ver o nosso, se um membro sofre todos sofrem por compaixão (na verdadeira acepção do termo: Sofrer com). Todos esses membros são abrangidos pela corresponsabilidade de trabalhar para o bem comum. Assim, se há homens, perto ou longe, isso não importa, que sofrem, não posso, nem devo, comportar-me como se isso não fosse problema meu, ou então limitar-me a constata-lo sem sentir a urgência de passar à acção.
O flagelo da SIDA, repito, deve impelir-nos á acção.
Como em relação a todos os males, a acção, neste caso, deve ter uma dupla vertente: de prevenção e de tratamento, e uma sem a outra estão sempre condenadas ao fracasso a médio-longo prazo.
A prevenção, no caso da SIDA, não pode reduzir-se a uma mera distribuição de preservativos. É certo que é, reconhecidamente, um dos melhores meios de prevenção, mas, porém, não é o único!
A Igreja, porque não vai atrás de modas, tem o dever ser lugar de salvação para os seus membros e para toda a humanidade, a quem ama e serve. Não pode, assim, irresponsavelmente, vir dizer que aprova o uso do preservativo. Porquê?
A união sexual entre um homem e uma mulher só pode ser entendida como sinal e expressão do amor que entre os dois existe e vai crescendo. Porque o amor não é instantâneo mas progressivo, a relação sexual só pode surgir como fruto da mútua confiança adquirida. Terá sentido neste caso o uso do preservativo como prevenção contra a SIDA?
Ao serem distribuídos preservativos às camadas mais jovens da sociedade como se de rebuçados se tratásse, no meu entender, está-se a «educar» o futuro da humanidade a seguir o caminho da irresponsabilidade sexual e esse caminho nunca poderá ser o defendido pela Igreja.
Que outros caminhos há então para prevenção da SIDA? Principalmente um: a educação para a vivência de uma sexualidade responsável.
No entanto, e porque do geral ao particular vai uma grande distância, há casos em que, sem hesitar, eu sou o primeiro a apontar o uso do preservativo como recurso, principalmente em contextos culturais de poligamia e/ou de constante troca de parceiros sexuais e, claro, no caso daqueles que não partilham da minha visão sobre a sexualidade…
Falando agora dos meios de tratamento, deparamos com a maior das injustiças: o monopólio das grandes farmacêuticas que impede os afectados dos países mais pobres de ter acesso aos tratamentos actualmente existentes. E essa, ninguém me diga que não, é um grande exemplo das hipocrisias do mundo ocidental!!!
Não posso deixar de terminar sem esclarecer um último ponto: quando me referia aos ocidentais obviamente que o fazia no geral e não no particular. Assim, e porque fui muito mal interpretado, quero dar o meu público louvor a todos aqueles que da sua vida fazem uma desinteressada entrega em favor dos que sofrem com o flagelo da SIDA. Bem hajam!
Muito ficará por esclarecer, mas não se pode esgotar uma fonte, pois não???

Ass: Nuno Miguel Lopes

PS1 – Caro F.S., tens que reler o meu comentário ao teu comentário. O sentido de «os ocidentais menos um: tu» creio que é claro: surge por respeito à tua auto-exclusão do grupo dos ocidentais que eu apelido de hipócritas… restam dúvidas??? Coloca-as, que prontamente tentarei esclarece-las.

PS2 - «Amigo F.S.», se essa for a tua vontade, com todo o gosto continuarei a debater este assunto contigo. Aqui tens o meu contacto:
nunomiguelopes@hotmail.com...

Prólogo de S. Joao e o Natal

Num dos tempos de formaçao, estamos a abordar o tema da Palabra, na Bíblia. Na distribuiçao de sub-temas, fiquei de estudar o tema da Palavra no Prólogo de S. Joao (1,1-18). Nao o conhecia bem, de modo que fiquei surpreendido com a beleza e conteúdos doutrinais-teológicos que contém. Neste mesmo prólogo, Joao aborda de forma distinta a questao do nascimento de Jesus Cristo. Nao narra, como Lucas, a forma como aconteceu o nascimento de Jesus, mas começa o seu Evangelho afirmando a Sua preexistencia: "No principio era o Verbo, e o Verbo era Deus" (1,1). Pelo meio, faz referencia ao testemunho de Joao Baptista, em favor Daquele que virá e é maior do que ele; Aquele que é a Luz e a Verdade, no qual se cumprem promessas feitas a Abraao e sua descendencia, realizando uma Aliança Nova e Eterna. Mas a narraçao do nascimento de Jesus em Joao, tao somente surge no versículo 14 "E o Verbo Divino Encarnou, e habitou entre nós…". É este o versículo principal do prólogo, carregado de significado para todos nós e que celebramos no dia 25 de Dezembro.
Mas, tudo isto, é apenas um aperitivo, porque o prólogo de Joao esconde muitas mais belezas e riquezas, que à primeira vista nem sequer suspeitamos. Nao é de estranhar que seja uma das passagens bíblicas que mais se tem estudado e que ainda muito tenha para ser descoberto.

Bruno

quarta-feira, dezembro 01, 2004

INDEPENDENCIA(S)…


No dia em que o calendário me indica que é feriado no meu querido Portugal, eis que verifico que o seu nome está na primeira página dos jornais de Espanha. Será que “nuestros hermanos” ainda estão com dor de cotovelo por nos terem perdido? Será que o rei Juan Carlos quer incluir Portugal nos seus domínios? Não!!!

Aqui em Espanha o nome de Portugal só sai na primeira página dos jornais por motivos menos bons. A primeira vez que tal aconteceu, desde que estou aqui, foi por causa do julgamento do caso da Casa Pia… não me parece que seja o melhor dos motivos… A segunda vez foi hoje, dia em que o nosso país festeja a restauração da independência de Portugal em relação à coroa de Espanha, não sobre esse assunto, como é óbvio, mas sobre a dissolução do Parlamento e consequente queda do governo proclamada ontem pelo Presidente da República Portuguesa, o Dr. Jorge Sampaio. Para quem está longe estas notícias são sempre preocupantes… agora compreendo os sentimentos dos emigrantes…

Hoje celebra-se também o dia mundial da luta contra a SIDA. Quando será que deixaremos, nós os hipócritas ocidentais, de fazer bonitos discursos pondo caras forçosamente compungidas, enquanto vemos milhares de pessoas morrerem devido a esse flagelo? Passemos à acção!!! Cada vida que se perde devido a esse flagelo é também culpa de cada um de nós!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes