domingo, novembro 28, 2004

COM O JOÃO LUIS…

No dia em que a família vicentina faz memória de Santa Catarina Labouré, a Filha da Caridade que foi agraciada com as aparições de Nossa Senhora na Rue du Bac em Paris, quis a Divina Providência que um de nós, Congregação da Missão, fosse ordenado Diácono. É este, assim, para nós dia de dupla alegria!!!
A distância que nos separa é imensa mas um mesmo espírito nos aproxima.
A alegria que os nossos irmãos vivem em Portugal também nós a vivemos aqui em Teruel.

Contigo João Luís queremos estar e estamos por meio da oração no mesmo Deus que nos une!!!
A Igreja conta contigo!
A Congregação da Missão também!
Os pobres anseiam a tua mão que se estende!
Que o Deus dos pobres e que se fez pobre te abençoe e proteja!!!


Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, novembro 27, 2004

ENCERRAMENTO DA NOVENA DA MILAGROSA EN TERUEL


Desde o dia 19 deste mês de Novembro que a paróquia da Milagrosa em Teruel vive e respira em função da Novena da Milagrosa. Hoje, festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, numa vivida e concorrida celebração, deu-se por encerrada a Novena, com a presença do Bispo da Diocese, D. José Manuel. Esperamos que o esforço de tanta gente que participou activamente nesta Novena não tenha sido em vão e que seja este mais um passo no caminho de santificação de todos aqueles que desta forma se quiseram aproximar de Deus pelas mãos de Maria nossa Mãe.

Os oito primeiros dias da novena foram muito semelhantes. Pelas 19:35h um de nós, seminaristas, começava a rezar o Terço com a assembleia que se ia juntando para a celebração eucarística (foi a primeira vez que o Bruno e eu lemos em público. Até nos saímos bem, mas haviam de ver como estávamos nervosinhos…). A nossa participação, na simplicidade do diálogo de filhos com a sua Mãe, resumiu-se à presidência e proposta de pequenos textos bíblicos, orações e cânticos para ajuda à meditação dos mistérios que se iam contemplando. O ponto alto da eucaristia era, dia após dia, a homília, na qual se ia relacionando a Santa Virgem com o sacramento que estávamos celebrando (como se pode verificar nas folhas publicadas na página
As celebrações foram presididas pelos Padres Santiago Azcárate, Julio Suescun y Félix Álvarez (Director do Seminário Interno, Ecónomo da Comunidade e Subdirector do Seminário Interno, respectivamente), que se encarregaram das respectivas pregações. Em cada dia, a missa era preparada por algum (o alguns) dos grupos paroquiais ou da família vicentina, por exemplo o grupo de liturgia, as zeladoras, a AMM, a SSVP ou a AIC, entre outros.

No último e grande dia, na Festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, tudo se ia aprontando para que a celebração fosse digna e bem vivida por todos. Por isso se foram juntando na igreja a Polifónica Turolense (brilhantemente dirigida pela batuta do nosso P. Muneta), as Filhas da Caridade (que tinham o encargo de preparar a liturgia), nós seminaristas (na direcção da oração do Terço) e todos os fiéis que se quiseram juntar para louvar o Senhor e venerar a sua Santa Mãe. Pelas 20 horas, terminado o Terço, chegou o senhor Bispo que vinha para presidir à celebração de encerramento da Novena e abertura do Ano Eucarístico na Diocese de Teruel-Albarracín na nossa paróquia. E a festa começou...
Em nosso entender, os pontos altos da cerimónia foram a simples mas muito sentida homilia de D. José Manuel, a entrega de dons pelas Filhas da Caridade e um seminarista (o nosso Bruno) e os cânticos, que nos chegaram a dar arrepios (“a poner los pelos de punta”).

Terminada a celebração, passámos, como coloquialmente se diz aqui em Espanha, “de la misa a la mesa”. Deram-nos a honra de connosco partilhar a refeição da comunidade o senhor Bispo e o seu secretário. Foi a primeira vez que falámos com o D. José Manuel e tivemos o prazer de verificar que é uma pessoa muito próxima e afável.

Que melhor final para esta nossa festa que a presença do senhor Bispo que quis assim acompanhar a tantos turolenses devotos de Nossa Senhora?
Agora só nos resta confiar nela e esperar que a novena em sua honra dê abundantes frutos na nossa caminhada espiritual…


«Ó Maria Concebida sem pecado,
Rogai por nós que recorremos a Vós!»


ASS: Nuno Miguel Lopes e Nacho Gamboa
PS - Se quereis ver as fotos clicai AQUI

sábado, novembro 20, 2004

Assédios!...

Que título estranho este, mas para o Nuno e para todos nós, seminaristas, nao. Hoje, como todos os sábados, era dia de irmos fazer voluntariado ao "El Pinar", e todos vamos preparados para ver, como dizem os "Nuestros hermanos", cosas raras. A primeira coisa rara que vimos, logo ao chegar, foi que o Pedro (Viciadíssimo em tabaco) estava a dormir no bar. até aqui, tudo bem; o raro é que, ao acordar, nao nos pediu tabaco e nao o fez durante um tempo recorde (5 minutos...). Mas cedo terminou a resistência e teve lugar a cena mais hilariante do dia: Chega-se perto de mim, do Nuno e do Nacho, e começamos a meter conversa com ele, mas sem obter resposta e o mínimo de interesse da parte dele (estava atento a outra coisa!). De repente, diz-me o Nuno: "estou a ser assediado, o Pedro está a olhar fixamente para o meu peito!". Ainda nao tinha acabado de mo dizer e já estava o Pedro a "apalpar" o peito esquerdo do Nuno e a dizer: baco, baco, baco". Está claro que queria tabaco e viu que o Nuno o tinha no bolso da camisa. Como o Nuno nao o deu, começou a "apalpar" outros peitos, de entre nós, para ver se também tinhamos tabaco... De entre nós, há quem nao leve os óculos porque pode ser motivo de atracçao e entretenimento para eles. Parece que o Nuno também vai ter de deixar de levar o tabaco, pelo menos no bolso da camisa, se nao habilita-se a ser assediado todos os sábados!...
Este foi o momento mais hilariante do dia, mas outros aconteceriam; com eles demos um passeio e, pelo meio, fomos ouvindo os já habituais "traques", quiça, provocados pelo cansaço, para além de "alívios de bexiga", todos de pé, homens e mulleres (nunca imaginei poder ver uma coisa daquelas)! Só visto... De regresso a casa, eu, que era o "amigo" da Glória, fui trocado por outro: pelo Luismi, de quem ela diz maravilhas ao seu confidente, o Nuno. "Que guapo"!- diz ela ao Nuno, sobre o Luismi... Como era de esperar, eu estou muito triste (?!), sobretudo, porque agora já nao me vao chatear com cânticos que ultimamente me têm dedicado como: "Glória, Glória, Aleluia".
Bom, as peripécias terminaram por aqui, neste dia; sábado, outras crónicas se escreverao...

ASS. Bruno

NOVENA DA MILAGROSA


Em 1911 chegou a Teruel uma imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, mandada fazer a um escultor pelos padres da comunidade da CM de Teruel.
Nesse longínquo ano essa imagem a todos cativou pela sua beleza e majestade. Hoje, passados 93 anos, a imagem continua a cativar toda a cidade de Teruel e está na igreja da Milagrosa que é aquela que é matriz da nossa paróquia.
Esta invocação de Nossa Senhora começou a ser festejada depois da aparição de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré na Rue du Bac, em Paris, no dia 27 de Novembro de 1830, na qual Nossa Senhora pediu a Santa Catarina a cunhagem de uma medalha que hoje conhecemos como Medalha Milagrosa.
Porque se aproxima o dia em que toda a família vicentina celebra a solenidade de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, o próximo dia 27, ontem, aqui na paróquia, começou a novena da Milagrosa. Todos os dias, até ao dia 27, pelas 19:35h começa a recitação do Terço, que logo, pelas 20h, é seguida da Eucaristia. Este ano o tema da novena é Maria e a Eucaristia, devido ao ano da Eucaristia que iremos começar no próximo fim-de-semana.
Se a igreja estava cheia no dia de ontem hoje estava «a rebentar pelas costuras».
É muito interessante viver a devoção à Virgem num país e numa cultura que não são a nossa. É uma riqueza e um grande valor acrescentado!!!

«Ó Maria concebida sem pecado,
rogai por nós que recorremos a vós!»

Ass: Nuno Miguel Lopes

sexta-feira, novembro 19, 2004

Santa Cecília

Santa Cecília, padroeira dos músicos, foi a razao pela qual, ontem à tarde, nao tivemos a última das aulas do dia. Marcada para as 18:00 horas, no claustro do Bispado de Teruel, estava a entrega de diplomas para os, pequenos em idade, mas grandes em talento, músicos de Teruel que se inscreveram na leccionaçao correspondente ao ano 2003-2004. Depois das apresentaçoes, agradecimentos e entrega dos diplomas, intercalados por palmas, seguiu-se o mais esperado, nao por todos, mas por mim e muitos outros sim; seguiram-se duas actuaçoes de nível e que me surpreenderam pela positiva: duas peças tocadas por instrumentos de corda e uma outra peça tocada por instrumentos de sopro; sobre esta última, nao sei se a sério ou a brincar, dizia o Pe Muneta, aos granadinos em especial, que era melhor do que a banda de Granada! O que posso dizer é que têm grande qualidade.
Terminado este momento, seguiu-se, às 20 horas missa em honra de Santa Cecília e dos músicos, presidida pelo Bispo de Teruel-Albarracín, D. José Manuel. Era o momento de se privilegiar um outro instrumento, o mais importante de todos, a voz. Assim, toda a missa foi cantada solenemente pelo grupo coral regido pelo Pe Muneta. No momento de Pós-Comunhao, tocou-se uma lindíssima peça por dois violinos...
Ainda nao chegou o dia que a Igreja dedica a santa Cecília, próximo dia 22, mas nós já o celebrámos e de uma forma que nao me lembro ter feito alguma vez...

ASS. Bruno

quinta-feira, novembro 18, 2004

BRANCO


Depois de uma noite muito bem dormida no conchego do meu confortável e quente leito, do vivificante duche matinal, do, não menos vivificante, momento de “alabanza” ao Senhor que é e dá vida e do fortalecedor pequeno-almoço, saí, bem agasalhado, para comprar o jornal.
Como sempre, pela rua comigo se foram cruzando apressada e encolhidamente turolenses em direcção aos seus matinais afazeres. Eu, na minha calma e contemplação de quem não tem pressa, fui caminhando e observando o mundo que se colocava na minha frente por mais este dia.
Com espanto fui verificando que a cor dominante, nesse mundo que diante mim se perfilava, era o branco. Com estranheza verifiquei que os bancos de jardim, antes castanhos, agora estavam de branco revestidos, que os tejadilhos dos carros, antes de cores variadas, agora estavam cobertos de um branco comum e até as ervas e plantas de jardim, na sua simplicidade, se haviam revestido da alva cor. Que se passava? A resposta é muito simples: os quatro graus negativos que se fizeram sentir durante a noite não quiseram deixar a sua passagem incógnita, e como sua lembrança e sinal deixaram-nos a alva e fria geada.
Num imenso coro de louvor, toda a criação se une para cantar o seu Criador!!!
Juntemos as nossas vozes a esse coro, louvemos o Criador!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

terça-feira, novembro 16, 2004

«A CIDADE E AS SERRAS»

Que há de comum entre a perdida Quinta de Tormes e a fausta e vaidosa cidade de Paris? Aparentemente nada! Mas só aparentemente…
Quando no ano passado, numa qualquer sexta-feira, e num qualquer tempo de formação com o nosso erudito P. Aguiar, me foi sugerida a leitura do livro «A Cidade e as Serras» cujo autor é o nosso grande Eça de Queiroz, nunca pensei que essa pequena peça de grande literatura do século XIX viesse a ser minha companhia de tempos livres aqui no Seminário Interno. Pois confesso que foi com muito agrado e diversão que na última quinzena me tenho deleitado com as peripécias do Zé Fernandes e do Jacinto, primeiro na grande capital francesa e depois na bela e bucólica paisagem do Douro português.
Este pequeno livro de Eça é uma preciosidade. Consegue levar o seu leitor a imaginar a riqueza e vanidade de Paris do final do século XIX, cuja representação mais engraçada está patente quer no avanço tecnológico do 202 quer nos sociabilíssimos passeios no «Bois de Bologne». Depois, consegue Eça fazer-nos sentir a doce aragem que sobe as encostas junto ao Douro, os perfumes que emanam da natureza quase virgem, a rudeza e simplicidade das lusas gentes, enfim todo o ambiente dum Portugal extremamente bucólico e amado por ele (?!?).
O propósito de Eça, no meu humilde entender, era tornar patente a antítese entre o decadente mundo urbano e o vivo e vivificante mundo rural. Creio que o conseguiu, e muito bem, tenho que o admitir. É preciosa a sua perspicácia e a sua capacidade de descrição, o seu humor e a sua cultura, a sua fluência e a sua paixão pelo seu país natal.
Ainda bem que este foi um dos livros que escolhi para companhia no meu «desterro» por terras de «nuestros hermanos». Com ele me ri, com ele pensei, com ele amei (o meu país, claro!!!), … afinal, não é para tal que servem os livros???


Ass: Nuno Miguel Lopes

PS - Não posso deixar de agradecer ao P. Aguiar por me ter aconselhado a ler este livro. Obrigado, P. Aguiar!!!
Valeu a pena!!!
É realmente uma grande peça de literatura!

segunda-feira, novembro 15, 2004

ABENÇOADA NORMALIDADE…


Estando eu a fumar o, já habitual, cigarro pós-jantar, sentindo o vento gelado furiosamente batendo na minha cara, surgiu-me no pensamento a ideia de escrever uma crónica. «O problema é que tudo rola na mais absoluta normalidade!!! Que poderá haver para contar???» – pensei eu. Aí lembrei-me «mas a normalidade é algo que é novo!!!». É verdade, fiz a grande descoberta: Atingimos a normalidade no Seminário Interno! Que confortável que é poder dizer que se está vivendo a normalidade! É a normalidade que dá a segurança que todos os seres humanos necessitam para viverem e serem equilibrados.
Assim, aqui estou eu, em frente ao meu computador, na sala de convívio dos seminaristas. Ao meu lado está o Nacho, alegremente entusiasmado com um jogo de Free Cell, o qual vai interrompendo quando recebe alguma mensagem no Messenger… mais adiante está o Luís Mi, no outro computador, com a entusiasmante tarefa de evangelizar pelo Messenger, haviam de ver o seu porte de pregador, a sua cara de entrega à conversão… que missionário!!! Entretanto, e porque o Nacho se farta de perder e deixa o computador, o Tony, num brusco e repentino salto de jogador a quem o treinador manda entrar em campo, corre para o computador que entretanto ficou livre, e eis que entusiasmadamente navega na net em busca de alimento espiritual para a sua alma faminta… mas coitado, fartou-se, afinal a sua alma não tinha tanta fome… será???
Mas o José veio em sua substituição…. Que procurará? Noticias do santuário de Fátima? Ver se a Virgem fará a sua primeira aparição via web???
Em redor do, infelizmente, verdadeiro centro desta sala – o televisor – está o resto da malta… e haviam de ver com que sofreguidão consomem o fraco alimento (do qual para mal dos meus pecados também sou adepto) que lhes é fornecido!!!
Mas eis que me dá a sensação que tenho um anjo a meu lado… esperem, afinal enganei-me, é só o Bruno em busca de um qualquer livro que nunca irá ler… ou será que está perdido em busca do televisor???
Eis que chega o director. Será que vem orientar o Bruno na sua busca??? Não, afinal veio só buscar o jornal… pobre Bruno, como se orientará???
Enfim… esta é a nossa já “normal normalidade” de todas as noites do seminário interno… que bom que é vivê-la… e que bom é estar aqui, Senhor!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

domingo, novembro 14, 2004

Formaçao Permanente II

Uma das vertentes da formaçao permanente é o convívio. Outra, é a própria formaçao, o debate e conclusoes que se retiram do que é debatido. A formaçao permanente, que teve lugar em nossa casa, na quarta-feira passada e que se realiza uma vez por mês (a próxima é dia 15 de Dezembro), teve como base de reflexao o Documento Final da XL Assembleia Geral (2004). A partir de "Una mirada atenta al presente" a reflexao conjunta recaiu sobre 7 perguntas interpeladoras:
1 - ¿Hasta qué punto somos capaces de leer, interpretar y situarnos como misioneros ante los signos de los tiempos?
2 - ¿De qué medios nos estamos sirviendo para configurarnos con Cristo Evangelizador de los pobre y revestidos de su mismo espiritu?
3 - ¿sabemos con exactitud para qué estamos en la Iglesia?. Y lo que hacemos¿es significativo?
4 - ¿Qué nos identifica como miembros de la Congregación de la Misión hoy?
5 - ¿Cuál es tu grado de satisfación respecto a la Congregación y su efectividad en la Iglesia? ¿ Qué contagias a los que te rodean?
6 - ¿Detectas signos de cansancio en la Provincia de Zaragoza (ou Portuguesa)? Explica tu respuesta y confróntala con los miembros de la comundad.
7 - ¿De qué manera nos proponemos concretar en nuestras comunidades y en nuestra pro´vincia los compromisos de la Asamblea General Para revitalizar nuestra identidad vocacional vicenciana?
Em cada comunidade, antes deste encontro de formaçao, foi lido e meditado, em conjunto e em particular, o Documento final da Assembleia Geral, acompanhado de um artigo do Padre Miguel Pérez Flores com o título: "Sacerdotes de la misión para una nueva evangelización", para se partilhar neste encontro de formaçao. Nao foi possível analizar e responder a todas as perguntas na reuniao, mas algumas interpelaçoes ficaram presentes: que estamos numa "mudança de época" em que as nossas Igrejas estao a ficar vazias e a necessiadade de respondermos concretamente a esta situaçao; a importancia da formaçao permanente, mas sem esquecer a sua vertente practica: a formaçao deve estar dirigida para a acçao; a pouca predisposiçao para a mudança, adaptaçao a uma nova realidade: propoem-se algo de novo para cada paróquia e todos dizem tudo bem, menos na minha...; a necessidade de originalidade para atrair os jovens, que sao o futuro da Igreja. Tudo isto e muito mais foi mensionado, para além de outras ideias que agora nao me recordo.
Para a próxima serei mais concreto... pois acho que é algo enriquecedor para todos nós. O que reflectimos aqui também pode e deve ser feito em relaçao à Província Portuguesa e por cada confrade.

ASS. BRUNO

sexta-feira, novembro 12, 2004

AUGUSTO


Com este nome fomos brincando, na casa da Luz, durante o primeiro semestre deste ano, a propósito do longo e difícil processo de eleição do Visitador para a Província Portuguesa da Congregação da Missão.
O nome Augusto, o segundo nome do P. Alves, foi inspirando algumas crónicas na nossa página web (É que nós, numa mescla entre a brincadeira e a seriedade, íamos desejando que fosse esse membro da nossa comunidade o eleito).
Passados todos estes meses com muitas peripécias pelo meio (sendo o nome “Spiszchla”, ou algo parecido, só um exemplo…) o nosso desejo vê-se finalmente cumprido.
Assim, foi com muita alegria que hoje pelas 16 horas recebi a noticia: «Nuno, já é oficial, o P. Alves é o Visitador».

Neste elo de união à PPCM, que é esta página, ou que pelo menos pretende sê-lo, quero felicitar publicamente o novo Visitador eleito, assim como a toda a província que o escolheu.

Que o trabalho de um com a colaboração de todos seja um passo em frente no seguimento de Jesus Cristo, evangelizador dos pobres!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

quinta-feira, novembro 11, 2004

FORMAÇÃO PERMANENTE


Ontem, logo pela manhã, começámos a preparar tudo para bem acolher os irmãos Paúles que se viriam juntar à nossa comunidade para uma manhã de formação permanente.
Havia que comprar o necessário para primar na arte de bem receber, e assim o fizemos, logo pela manhã.
Havia que preparar a sala para o encontro, e assim o fizemos, colocando cadeiras e juntando mesas.
Havia que preparar a oração inicial, e assim se fez.
Havia que preparar um pequeno “mata-bicho” para quando os convidados chegassem, e assim se fez.
Depois de tudo preparado bastou esperar que quem se dirigia ao nosso encontro chegasse para que o encontro acontecesse.
Pelas 11:30h chegaram e foram convidados a beber um café e trincar alguma coisa.
Aqui em casa, e segundo o ecónomo, o especialista em café sou eu. Havia ele afirmado isso perante os nossos convidados, para quem eu era só o desconhecido seminarista português, quando me senti que nem Francisco de Sales no seu primeiro sermão em Paris. Num teste à minha humildade, a qual confesso que não é das virtudes que tenho mais desenvolvidas, os primeiros cafés que tentei tirar resultaram numa chuveirada de café e borras. Afinal até os grandes especialistas têm imprevistos e ontem tive o meu. Foi uma situação engraçada e embaraçosa, mas ainda o dia estava a começar.
Depois veio o encontro de formação que correu muito bem. O alvo das partilhas (dos sacerdotes, porque nós, humildemente ou talvez não, colocámo-nos na posição de quem quer ouvir para aprender, ou confortavelmente prefere deixar os outros fazer as despesas de oratória) foi o documento final da Assembleia Geral de Julho último e um artigo do P. Flores. Foi uma partilha interessante e rica pelas diversas proveniências dos que a faziam (todos desta zona da Província de Saragoça, mas de diferentes casas).
Depois da formação veio o convívio. Foi uma grande e farta refeição, com tudo o que o encontro de amigos que se querem bem exige.
Foi uma experiência muito boa!
Vale a pena estar fora do meu país para ir vendo e aprendendo como se vive o seu Paúl por estas bandas!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

segunda-feira, novembro 08, 2004

“BAPTISMO CIVIL”


Como todas as manhãs, hoje, pelas 9:30h, saí, calmamente saboreando o matinal primeiro cigarro, para comprar o jornal. A gélida aragem matutina contrastava com a timidez do sol que preguiçosamente saía do conforto do seu ninho. A apressada indiferença dos transeuntes assinalava o novo dia que imperiosa e irremediavelmente começava. Na sua pachorra e timidez, o termómetro colocado no exterior da agência funerária, marcava 1º. Continuei caminhando, confortável mas não excessivamente agasalhado, em direcção ao hospital em cujo interior está o, já familiar, quiosque.
Já com o jornal na mão, eis que me deparo com uma notícia, num recôndito da primeira página: «Baptismo Civil». Como é óbvio e natural a minha curiosidade foi despertada. Que era isso de Baptismo Civil???
Fui caminhando e procurando a notícia no interior do jornal. Eis que a encontro e paro, no meio do passeio, para saciar a minha curiosidade.
O que se passou, segundo o jornal «El Mundo», foi que uma mãe, muito fervorosa no seu laicismo, quis que o seu rebento recebesse um baptismo civil. Tinha tentado que tal cerimónia acontecesse em outros “Ayuntamientos”, porém só no de Igualada (Catalunha) é que conseguiu que o Alcayde acedesse a tal intento.
Então, ontem, no dito Ayuntamiento, com toda a solenidade, iniciado com um discurso da laica mãe, teve lugar o acolhimento da pobre criança como membro da comunidade civil. Foram lidos alguns excertos da carta da ONU sobre os direitos da criança e da Constituição do estado espanhol.
O que se passou ontem em Igualada não é inédito. Já nos alvores da primeira república francesa, a 13 de Julho de 1790, quando ainda se respiravam os ares da revolução, se havia feito o primeiro baptismo deste género.
O meu espírito ficou tão inquieto quanto atónito com aquilo que havia lido.
Primeiro, por ser mais um sinal da força do laicismo na sociedade espanhola, que havia sido um dos grandes reinos católicos.
Depois, por ver o ridículo a que chegam pessoas aparentemente tão formadas.
Ora bem, o laicismo pressupõe o afastamento e negação de tudo o que seja religioso. Até aí tudo bem, a religião afinal pressupõe sempre uma decisão e adesão pessoais. Agora que se substitua algo sagrado (afinal o Baptismo é um sacramento!!!) daquilo que se nega por uma barata e ridícula imitação, isso não aceito!
Se os defensores do laicismo querem afirmar as suas pseudo-convicções, creio que por este caminho não chegam lá. Assim só conseguem o descrédito e ridicularização dos seus ideais.
Afinal este é só mais um tiro que dão no próprio pé pois já haviam começado “muito bem” com o querer chamar matrimónio à união civil de parelhas homossexuais…

que tempos estes em que vivemos!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

domingo, novembro 07, 2004

PASSEIO DE DOMINGO


A terra vermelha, rudemente fendida pelo lento passar dos anos, foi a paisagem que começámos por contemplar no nosso passeio dominical de hoje. Dessa monocromática paisagem que cerca Teruel, na nossa viagem, fomos passando a paisagens de cores distintas e, por fim, a paisagens mais coloridas.
Pelo caminho fomos vendo os baixos pinheiros que corriam em sentido contrário. No penoso roncar da nossa carrinha íamos percebendo que subíamos em direcção ao nosso destino. Os pinheiros, numa correria cada vez mais lenta, iam desaparecendo e em seu lugar o calmo castanho da rasteira vegetação ia afirmando a sua presença vaidosa e pachorrenta. Ao longe a imensidão que nos rodeava ia-se tornando mais longínqua e assustadoramente bela. Pela calma das cadeiras do teleférico aproveitando o que resta do merecido descanso, verificámos que a época da neve ainda não havia começado. A desolação da paisagem era correspondida pelo aparente abandono a que estava votada a estação de desportos de Inverno. Só os canhões de neve pareciam estar numa estranha vigia de fiel guarda que ao mínimo deslize está pronto a disparar.
Continuámos subindo. Sofrendo a carrinha e sofrendo os calhaus que rolavam debaixo do seu peso que passava eis que a meta se avizinha: o topo do monte, orgulhosamente superior nos seus 2022 metros de altura, concedeu que contemplássemos a vastidão dos seus perpétuos adoradores, não sem que nos fosse meigamente fustigando com a gélida aragem que teimosamente nos fazia sentir intrusos em lar alheio, mas não nos deixámos intimidar e um de nós, um homem de peso, como a circunstânsia o exigia, subiu até ao topo do seu marco cimeiro. De seu nome Javalambre, o monte despediu-nos com a sua indiferença milenar.
Descemos dos reinos de sua majestade Javalambre e, por outro caminho, fomos até Camarena de la Sierra, uma bonita e simples aldeia serrana, tomar um café.
Depois foi o regresso. Por um caminho secundário e serrano, fomos, vale fora, em contemplação das cores outonais que nos eram oferecidas à vista: o amarelo dos choupos, o claro castanho dos cansados campos de restolho, o laranja do céu, o branco das ovelhas que preguiçosamente saciavam a gula no caminho de regresso ao conforto do redil, … a noite ia chegando com a sua calma habitual e até o tímido riacho que ia-mos acompanhando parecia encaminhar-se com pressa para o seu ninho.
Chegámos a Teruel já a noite se havia instalado e mandado o sol para o outro lado do mundo.

Como é belo este mundo que nos foi carinhosamente oferecido pelo nosso Deus!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, novembro 06, 2004

Special Olympics

Este dia, 6 de Novembro, foi um dia especial para nós seminaristas e ainda mais para os nossos amigos do psiquiátrico "El Pinar", onde todos os sabados fazemos voluntariado. Estava agendado para hoje uma competiçao a nível de todo o território aragonês para pessoas deficientes, na cidade (creio) de Andorra. À partida, 8 da manha, todos estavam bem dispostos e prontos para ganhar muitas medalhas. Quase duas horas de viagem foi o que demoramos para chegar ao nosso destino; cheguei esgotado e alguns deles também, nomeadamente, o Fernando, que já dizia que nao devia estar ali e sim em casa, que o pai nao o veio ver e que as sapatilhas nao eram dele: todo o caminho a dizer o mesmo... Para mais, numa das contagens, para ver se estavam todos, eu também fui contado como um paciente; o pior é que já nao é a primeira vez... Bom, mas sigamos com o narrar dos acontecimentos principais. Mal chegámos, comemos algo e fomos a um café próximo para fazermos, também, as nossas necessidades; entretanto, o Fernando estava, agora, muito afectivo: abraçava e beijava a todos nós, seminaristas; o mais hilariante foi o que se passou com o Nuno, com o Nacho a dizer ao Fernando para dar um abraço bem forte porque o Nuno merecia; o pior é que ele tinha mesmo força e os seus abraços tornavam-se insuportáveis...
Devo dizer que me surpreendeu o facto de eles se conhecerem entre si; incluso, descubrimos que uma delas tinha um noivo o qual nos apresentou (a "minha" Glória, nao que eu concorde com este pronome possessivo, mas se nao os podes vencer, junta-te a eles...) .
Seguiu-se a primeira prova de corrida e, com ela, o nosso primeiro campeao do "El Pinar"; resultado: último lugar...(Aqui, abro um parentesis para dizer que o nosso grupo era o pior, ou seja, em comparaçao com todos os outros participantes, os do "El Pinar" tinham metade das suas capacidades, ou por aí perto). Mas as coisas iam melhorar, dentro dos possíveis, claro. Seguiram-se outros nossos pupilos do "El Pinar" e o melhor que conseguimos foram dois quartos lugares; a um deles, foi-lhe prometido que, se ganhasse, receberia um cigarro de presente; o que é certo é que pouco faltou e, mesmo assim, teve o cigarro como recompensa; é que os nossos atletas, todos eles, ou quase todos, fumavam; um deles até queria ir fazer o aquecimento de cigarro na boca, mas nao lho permitimos, desporto é desporto. Pelo meio, perdiamos o rasto a alguns, que nos escapavam; numa modalidade, que nao o desporto, mas sim a dança, nós éramos os campeoes; acontece que a acompanhar todo o concurso tivemos música e da pesada; de maneira que alguns, como foi o caso do Fernando, se pôs a disfrutar ao máximo, dançando como só ele sabe...
Terminado o concurso e com um resultado que podemos considerar razoável, ou mesmo bom, seguiu-se o almoço. Aqui, confesso que deveriamos ter tido um pouco mais de atençao e ficarmos espalhados pela mesa para os ajudar a comer e a comportar-se como deve ser, mas assim nao aconteceu; para a próxima teremos de melhorar este aspecto. Eis que, quando nos damos conta, faltava um deles, o Lázaro; estava tudo bem com ele: tinha-se sentado nao sei bem onde, mas longe da sua mesa e do nosso grupo e nao estava a passar mal sem nós; quando chegou já tinha um pao carcomido e partido em tres pedaços; assim é que é, nao há tempo a perder... Escusado é dizer que o apetite era grande, mas para alguns de nós, estava a ser difícil digerir a comida; a razao é que, pouco depois de começar, a mesa estava um caos e cada um deles a comer de formas e jeitos que nunca antes haviamos visto. Havia quem enchesse a boca de comida e depois nao a conseguisse engolir; esfomeados ou golosos a pegar no prato e mete-lo à boca para que nao sobrasse nada; tampas de iogurte coladas nas camisolas; bolsos cheios de pao para comer durante o dia; ou seja, uma verdadeira festa, sem dúvida.
Depois do almoço, agradecimentos e entrega de lembranças do encontro aos vários grupos participantes, seguiu-se o momento da dança onde todos disfrutaram da forma como melhor puderam. Mas, mais revelaçoes surpreendentes: uma delas, do "El Pinar", tinha algo na boca, já passava quase uma hora depois do término do almoço; o que era? um osso ou pedaço de carne, nao sei bem, que logo lhe dissemos para cuspir para fora. Entretanto, o Nuno chegou-se à minha beira e disse-me: "Bruno, va lá, ensina-a a mastigar!"... Outro deles, que tinha passado o almoço a recolher pao para os bolsos, a cada passo ia ao bolso e metia um pedaço de pao à boca; ao que parece, estava de dieta, mas como se apanhou longe de casa e do médico que o acompanha, comeu o mais que pôde.
A noite já estava caindo e chegou a hora bendita de voltarmos a casa. Na viagem de regresso correu tudo bem, àparte de um incidente em que um deles se mijou no autocarro; ninguém estava à espera que tal acontecesse e eu tive culpas, pois sabia que ele queria fazê-lo e, como estavamos próximos de casa, nao foi dito ao motorista para parar o autocarro; enfim, um infeliz incidente que fica para se aprender a liçao para que para a próxima nao aconteça... À parte isto, a viagem terminou bem, com todos cansados com o dia estafante e cheio de peripécias. Posto isto, ainda se seguiria uma prova muito perigosa: era eu a conduzir a carrinha para nos trazer de regresso de "El Pinar" para casa... felizmente tudo correu bem; apenas se sobressaíram umas mudanças metidas à martelada e umas reduçoes um pouco atribuladas, mas nada de mais...
E assim foi este dia cansativo, mas muito enriquecedor para todos nós; para a próxima saída as coisas vao melhorar e organizar-se melhor!...

ASS: Bruno

terça-feira, novembro 02, 2004

Dia de Todos os Santos

Em Teruel, e creio que em toda a Espanha, há também o costume de ir ao cemitério no dia de Todos os Santos, se bem que o dia mais "correcto" para o fazer seja o de hoje, dos fiéis defuntos. Talvez por isso, nao tenho a certeza, poucas pessoas participaram na eucaristia das 11 da manha, única a que assisti e que foi animada por nós, seminaristas. Mais concretamente, o que quero partilhar convosco é o que tive de fazer em seguida, no dia de ontem; por muito azar meu, calhou-me a mim e ao Luismi o turno da cozinha, esta semana, e ainda por cima com um fim de semana prolongado. Acontece que me comprometi a fazer algo, a fazer um cozido à portuguesa, em dia de festa... Comecei duas horas antes a fazê-lo e quase nao chegavam para cozer a carne...(fez-me lembrar as vezes que fiz comida na Casa da Luz e que nunca, ou dificilmente, estavam prontas a tempo). Mas o que interessa é que consegui. Os ingredientes eram um pouco diferentes (aqui nao há couve como em Portugal, ou pelo menos ainda nao a vi), mas o essencial havia. Ao final, correu tudo bem, todos gostaram da comida e eu e o Nuno pudemos disfrutar de algo que já há algum tempo nao era possível, ou seja, comer comida tipicamente portuguesa (ou quase típica). Nao quer dizer que nao goste da comida daqui de Espanha, mas confesso que já tinha saudades de "algo" português.
Bom, e assim passei eu uma boa parte do dia de Todos os Santos na cozinha, mas nao só... descanso e trabalho vicentino para as aulas de hoje também fizeram parte deste dia...

ASS: Bruno

MARIAZINHA

No dia em que a Igreja faz memória dos fieis defuntos, para os quais acreditamos e confiamos que a ressurreição em Cristo foi, é e será um facto, quero lembrar uma mulher que, em momentos muito importantes da minha vida, foi presença de Deus para mim. Essa mulher, não o sabendo, foi e é sinal de Deus que me chama, foi a voz de Deus que me convidava (e convida) a segui-l’O por um caminho que se não adivinhava fácil, e o qual me recusei a admitir até aos 22 anos, mas que me poderá conduzir à realização total enquanto pessoa e enquanto cristão.
Essa mulher esteve presente na minha vida desde o meu nascimento e foi quem me encaminhou nos meus primeiros passos da fé. O seu rosto suave e macio, com uns lindos e transparentes olhos azuis ou cinzentos (conforme os dias e o tempo), o seu suave cabelo branco, nem sempre muito bem penteado mas sempre brilhante como neve, as peles dos seus braços caídas e que me encantavam pela sua suavidade, o seu belo sorriso, tão malandro como sincero, são só alguns pormenores que dela guardo, e guardarei para sempre, na minha memória. Era a minha Mariazinha, a minha “Visa”, a minha bisavó.
Na minha memória estão gravadas as manhãs/madrugadas frias de Inverno em que entrava na sua cama quentinha e acolhedora, depois de ter sido tirado do conforto do “ninho” pela minha mãe que tinha que ir trabalhar para os campos e que por isso me ia colocar ao cuidado da sua avó. Nessa cama fofinha e quente ficava umas duas horas, mas eram duas horas maravilhosas. Nesse tempo dava tempo para dormir, mas também para algo que me encantava, para aprender bonitas e antigas orações, que a minha Maria ia buscando e rebuscando na sua memória de mulher analfabeta.
Na minha memória estão também os fins de tarde de um qualquer dia de semana em que a acompanhava para a eucaristia. Ninguém mais estava disponível, e eu até gostava de a acompanhar. Nessa altura sentia-me encantado ao ver o P. João a celebrar, e a minha avó dava-me a hipótese de o ver nessa actividade mais um dia além do domingo. Já então eu sentia o chamamento de Deus, mas faltava-me a coragem e a oportunidade para o assumir…
Na minha memória ficou e ficará para sempre registado, também, aquela tarde de primavera, no dia 31 de Março, era eu um adolescente com 17 anos, em que ouvi o seu último suspiro, em que a senti abandonar o seu velho e cansado corpo, em que sentado a seu lado na cama senti a paz da sua despedida desta sua passagem por este mundo.
Mas agora acredito e espero que a minha Maria está na felicidade eterna junto de Deus e de Maria (a quem ela rezava tantos e contínuos Terços) intercedendo por mim e pela minha caminhada vocacional. Afinal a semente da minha vocação foi abundantemente regada por ela na sua vida terrena, só é de esperar que a continue regando na sua vida eterna.

Obrigado Senhor por na minha vida teres colocado a minha bisavó e Tua serva Maria! Ela, que foi para mim Tua presença e voz, esteja agora incluída no número dos incontáveis que gozam o prémio da ressurreição! Ámen!
Ass: Nuno Miguel Lopes