A terra vermelha, rudemente fendida pelo lento passar dos anos, foi a paisagem que começámos por contemplar no nosso passeio dominical de hoje. Dessa monocromática paisagem que cerca Teruel, na nossa viagem, fomos passando a paisagens de cores distintas e, por fim, a paisagens mais coloridas.
Pelo caminho fomos vendo os baixos pinheiros que corriam em sentido contrário. No penoso roncar da nossa carrinha íamos percebendo que subíamos em direcção ao nosso destino. Os pinheiros, numa correria cada vez mais lenta, iam desaparecendo e em seu lugar o calmo castanho da rasteira vegetação ia afirmando a sua presença vaidosa e pachorrenta. Ao longe a imensidão que nos rodeava ia-se tornando mais longínqua e assustadoramente bela. Pela calma das cadeiras do teleférico aproveitando o que resta do merecido descanso, verificámos que a época da neve ainda não havia começado. A desolação da paisagem era correspondida pelo aparente abandono a que estava votada a estação de desportos de Inverno. Só os canhões de neve pareciam estar numa estranha vigia de fiel guarda que ao mínimo deslize está pronto a disparar.
Continuámos subindo. Sofrendo a carrinha e sofrendo os calhaus que rolavam debaixo do seu peso que passava eis que a meta se avizinha: o topo do monte, orgulhosamente superior nos seus 2022 metros de altura, concedeu que contemplássemos a vastidão dos seus perpétuos adoradores, não sem que nos fosse meigamente fustigando com a gélida aragem que teimosamente nos fazia sentir intrusos em lar alheio, mas não nos deixámos intimidar e um de nós, um homem de peso, como a circunstânsia o exigia, subiu até ao topo do seu marco cimeiro. De seu nome Javalambre, o monte despediu-nos com a sua indiferença milenar.
Descemos dos reinos de sua majestade Javalambre e, por outro caminho, fomos até Camarena de la Sierra, uma bonita e simples aldeia serrana, tomar um café.
Depois foi o regresso. Por um caminho secundário e serrano, fomos, vale fora, em contemplação das cores outonais que nos eram oferecidas à vista: o amarelo dos choupos, o claro castanho dos cansados campos de restolho, o laranja do céu, o branco das ovelhas que preguiçosamente saciavam a gula no caminho de regresso ao conforto do redil, … a noite ia chegando com a sua calma habitual e até o tímido riacho que ia-mos acompanhando parecia encaminhar-se com pressa para o seu ninho.
Chegámos a Teruel já a noite se havia instalado e mandado o sol para o outro lado do mundo.
Como é belo este mundo que nos foi carinhosamente oferecido pelo nosso Deus!!!
Ass: Nuno Miguel Lopes
2 comentários:
As terras de Espanha estão a fazer-te bem. só pelo belo texto que escreveste, já valeu a pena teres emigrado. um abraço e continua a mandar-nos imagens tão bonitas de Espanha~
Nélio
Que tínhamos poetas na familia já eu sabia, agora romancistas.. É novo para mim! Acho que herdas-te a veia poética e romancista de teu avô!! E que belo CANTANTE que era!
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