domingo, dezembro 26, 2004

VACACIONES...


Lá fora a neve cai com violoência, empurrada pelo vento... no conforto da nossa casa, o Bruno e eu, vamos apreciando o espectáculo e pensando que bem se está aqui... mas, porque tinha que nevar precisamente hoje e uma hora antes de partirmos?.. a preocupação assalta as nossas mentes: se não chegarmos a tempo a Madrid... o autocarro para Lisboa não esperará por nós... bem, tenhamos confiança: a rua ainda não está toda branca... só está pintalgada... não que isso me anime muito...
Os nossos colegas já partiram e o único que poderá ter problemas com a neve é o Luis Miguel que vai para Burgos que já está vestida de branco...
Bem, que Deus nos proteja e que saibamos aproveitar bem as férias...
Uma boa entrada no ano de 2005 é o que desejo a todos os leitores...

Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, dezembro 25, 2004

FELIZ NAVIDAD (¿POR QUÉ ME GUSTA SER PAÚL?)


Sensación agridulce el día de ayer. Nochebuena fuera de casa. La familia, los amigos, la típica cena, hasta la Misa del Gallo serían distintas este año. 450 Km. lejos de casa. La verdad es que el día no prometía demasiado. Era Nochebuena, sí. Pero, ¿realmente sería tan buena como indica su nombre? A la hora de la comida, tristeza. Intento echarme una siesta, pero la nostalgia me lo impide. Lo peor es que dentro de media hora tenemos que ir a celebrar la Misa de Navidad con los presos de la cárcel de Teruel y tengo que poner buena cara. Le pido al Señor que me ayude.
De repente me viene el recuerdo de mi sobrino, una de mis alegrías. Como si el Padre me hubiese escuchado, un cambio de ánimo sorprendente me llena. Ahora sí que tengo fuerza para afrontar la tarde de hoy.
Vamos a casa de las Hijas de la Caridad, con quienes íbamos a ir a la prisión. Llegamos en coche y por fin entramos a la cárcel. ¡Qué sensación tan rara! Intenté quedarme con todos los detalles, observar el lugar, la gente, funcionarios, presos. Nos damos un momento la vuelta y… ¡ahí está el obispo! Él iba a presidir la eucaristía. En todo momento se muestra cercano a los reclusos. Ellos no ven en D. José Manuel a alguien distante, sino a una persona que se interesa por ellos, que no los juzga, que, en definitiva, los trata como lo que son, gente, cosa poco usual para ellos. Cantamos villancicos en la Misa, que fue muy alegre y participada. Se ve el gran corazón de esa gente que, probablemente por desconocimiento, por ignorancia o por necesidad, cometieron algún grave error en su vida. Ahora están pagando por él, pero en ellos también se nota la Navidad. Hablo con alguno de ellos al terminar. Son de mi tierra. Me encanta su acento: ¡Me recuerda tanto a casa! Mientras tanto, mi tristeza matutina se transforma en alegría y vergüenza. Alegría porque estamos en Navidad. Vergüenza porque yo en Navidad voy a estar en casa, y ellos no. Yo tengo suerte y voy a estar unos días con mi familia y ellos no. Salgo de la prisión renovado y con ganas de volver a ver a esa gente que en todo momento se ha comportado como tal, y no como los monstruos que creemos que son.
El siguiente punto del viaje es el comedor de transeúntes que tienen las Hijas de la Caridad en casa. Van a cenar en estas fechas tan señaladas en casa extraña, por mucho cariño que transmitan las hermanas. Me llaman la atención cuatro personas. Tres de ellos son polacos y están tristes. Uno a punto de llorar. El mayor de ellos lleva siete años en España y sin ver a su familia. Para los otros es su primer año fuera. Han dejado mujer e hijos por buscar una situación mejor para todos. Me vuelvo a morir de vergüenza por haber estado mal esta tarde. Yo no estoy en un país extraño. Estoy viviendo en una casa y esta noche tendré una cena de categoría. Podré ir a la Misa del Gallo y vivirlo con mi gente. A ellos les toca estar sin su familia, en tierra extraña, con un idioma que no es el suyo y que aún no dominan, durmiendo en un albergue, sin poder ir siquiera ir a Misa por no dormir en la calle, a pesar de las ganas que tienen. Es una época dura para ellos. Cuesta transmitirles alegría en estos momentos. Me hago el firme propósito de ir a verlos cada vez que pueda, tanto en el comedor, como en las reuniones de inmigrantes. El cuarto individuo que me llama la atención es un chico de Cádiz. Da gusto ver como, a pesar de la distancia está alegre, o por lo menos lo aparenta. Canta un poco y se lo dedica a toda la gente que no está con su familia. Es de los mejores gestos que he visto hoy.
Mi Nochebuena triste se ha convertido en la mejor de mi vida. Ya sé por qué quiero ser paúl. Quiero estar cerca de todas esas personas, vivir su problemática y ser su familia. Muchas gracias al Señor Vicente por darnos ese ejemplo digno sólo de un santo. Feliz Navidad a todos.


ASS: Nacho.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

NAVIDAD...


A diferentes culturas naturalmente correspondem diferentes maneiras de viver os vários acontecimentos. Este ano, estando em Teruel, tenho o previlégio de conhecer como se vive o Natal do Senhor por terras de “Nuestros Hermanos”.
Se para o grande e emocionante momento da Missa do Galo faltam ainda algumas horas, na preparação que a antecede já deu para perceber algumas diferenças:
· Aqui as escolas funcionam até hoje, 23 de Dezembro; e que estranho é ver as crianças arrastando penosamente as suas malas escolares na véspera da consoada...
· Os concertos, dos quais o Bruno e eu temos vindo a referir nesta página, que vão surgindo nestes días...
· Aqui deseja-se Feliz Navidad, mas também se diz desejar unas Felices Páscuas... que estranho, não?!?
· A noite de consoada é aqui a Noche Buena, enquanto que a passagem de ano é a Noche Vieja...
Numa coisa as nossa culturas são semelhantes: no folclore das decorações de rua e no exterior das casas...
Enfim... culturas diferentes, tradições diferentes, mas o espirito de Natal é o mesmo...
... aproveitemos bem as horas que faltam para preparar uma caminha bem confortavel para o Menino Deus nos nossos corações...

FELIZ NATAL!!!


Ass: Nuno Miguel Lopes

NOTA: Ontem, para melhor podermos celebrar o Natal, na Paróquia da Milagrosa, celebrámos uma celebração Penitencial, fazendo uma avaliação de vida de acordo com as quatro velas de advento: Paz, Amor, Fé, Esperança.
Que bom que é o encontro com os braços de misericórdia do nosso Deus que é Amor!!!

terça-feira, dezembro 21, 2004

MAIS UM CONCERTO EM TERUEL...


Desta vez foi na Igreja da Milagrosa, onde estamos, e pela Polifónica Turelense, brilhantemente regida pelo “nosso” P. Muneta (já era de esperar, não?!?).
Christus natus est, venite adoremus!”, era o que o belo som das vozes nos ia anunciando, e as nossas almas, que nem arrebatadas, quase que subiam até aos altos céus... daí a pouco foi a vez do celebérrimo “Adestes Fideles” ser mais belo quando cantado pelas 39 vozes da polifónica... até o nosso Bruno ficou com pele de galinha!
Ouvir tantas vozes juntas e em tal harmonia além de encantador é um belo exemplo de quanto a união dos homens consegue!
No meio destas meditações filosófico-teológicas, sou interrompido pela voz do P. Muneta que anuncia que se irá cantar algo de Gil Vicente... toda a minha atenção se concentrou nos cantores e, com alguma expectativa, esperei que começassem a cantar. Era realmente algo de belo, só é pena que muitas vezes com a palavra “parió” na letra, mas, posteriormente, o P. Muneta apressou-se a esclarecer-me de que era a forma usada no castelhano desse tempo... enfim, que assim seja!!!
Sabiam que há uma versão espanhola da canção «White Christmas»? Pois eu não sabia, mas garanto que agora sei, e que bem que foi cantada: «Blanca Navidad...». dava vontade de dizer: «Que bem se está aqui, Senhor!».
«Para quê instrumentos quando um tal conjunto de vozes consegue toda a sonoridade necessária???», podiamos perguntar.
Entretanto surge a camara da Estação de TV regional... e grande alvoroço se produz na audiencia... principalmente, alguns portugueses cujo nome não começa por N... (Mentira...)
Para que o concerto fosse ainda melhor, eis que entram dois violinos e um violoncelo... que sonoridade que se alcançou...
Para finalizar em beleza, e no pico do nosso contentamento, eis que começam a cantar «Noche de Paz...»: Que espectáculo!!!

Mais uma vez o digo: que bom é estar em Teruel!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, dezembro 18, 2004

Concerto de Despedida

Será muito dífícil que no futuro assista a tantos concertos como aconteceu até agora, aqui em Teruel. Depois de quarta-feira passada, ontem, mas desta vez na nossa paróquia, o Pe. Muneta dirigiu mais um concerto com instrumentos de cordas. Tocaram-se Mozart, Vivaldi, Haendel, algumas composiçoes do próprio Pe. Muneta e cançoes várias de espírito natalício.
O motivo do concerto foi o Pe. Muneta: era a última vez que dirigia os seus alunos num concerto, pois dia 27 de Dezembro completa 65 anos e deixará de dar aulas. Por isso, ao programa que nos foi distribuído, se acrescentaram mais algumas músicas da autoria do Pe. Muneta sem que este soubesse e a si dedicadas. No fim do concerto, recebeu de todos os seus alunos uma flor; o resultado é que quase nao tinha maos para tanta flor.
Destaco, antes de terminar, que a maioria dos seus alunos que tocaram tinham entre 10 e 17 anos; sao pequenos em idade, mas, seguramente, grandes em talento e com muito para progredir. Foi um concerto de hora e meia fantástico, que nos deliciou a todos...

sexta-feira, dezembro 17, 2004

FORMAÇÃO PERMANENTE II


Depois de longas e cansativas negociações com o Bruno, para ver quem escrevia o quê sobre o dia de ontem, dia em que fomos a Zaragoza para mais um encontro de Formação Permanente da Zona Centro desta provícia da CM, coube-me escrever sobre o tema e conclusões.
Como pontos de partida para a nossa reflexão prévia, a nivel pessoal e comunitário, tivemos os pontos II e III do documento final da 40ª Assembleia Geral da CM (“Una mirada atenta al presente” e “Una mirada atrevida al futuro”), o texto “Al alba del Tercer Milenio – Retos para la Congregación de la Misión en Europa”, de Cristian Sens, c.m. (publicado em “Vicenciana”, 2000 (Janeiro – Fevereiro), pp. 40-48), e as seguintes questões:
1. ¿Te parece que sigue siendo actual la afirmación de Pablo VI: “nuestros contemporáneos escuchan mejor a los testigos que a los maestros”? ¿Qué implicaciones conlleva para nosotros, seguidores de Cristo Evangelizador de los pobres?
2. ¿Qué pasos estamos dando para que nuestro servicio evangelizador resulte significativo: en nuestros ministerios tradicionales; iniciando con los pobres nuevos caminos de evangelización?
3. ¿Es adecuada nuestra formación continua para responder competentemente a los nuevos desafíos de la misión? ¿A qué podemos comprometernos?
4. ¿Hasta qué punto nos interrogan las llamadas “nuevas pobrezas”? ¿Qué respuestas estamos dando?
5. ¿Cómo afrontamos el diálogo interreligioso?
6. ¿Qué hacemos personal y comunitariamente para suscitar nuevas vocaciones misioneras?
7. ¿De qué manera nos proponemos concretar en nuestras comunidades y en nuestra Provincia los compromisos de la Asamblea General para reforzar nuestra actividad apostólica, para potenciar su dimensión misionera?

Como sería de esperar, não se conseguiu responder a todas as questões,e, para ser sincero, nem tal se tentou. O que se fez, então, foi uma partilha sobre os textos e as questões na generalidade mas sem estar preso a qualquer tipo de esquema.
Na partilha foi-se falando de experiencias de missão tão distintas e, ao mesmo tempo, tão semelhantes como são, para esta Província, Honduras e a Paróquia de San Vicente de Paúl em Zaragoza; da importância do testemunho com a vida a acompanhar a pregação; das novas formas de pobreza e da dificuldade que é actuar em relação a elas; das dificuldades que a Igreja vive aqui em Espanha; do discernimento de quais as obras que a CM deve manter e, principalmente, deve procurar realizar no nosso mundo actual; ...
Poderão perguntar: «E tu, que pensas?»
Eu penso e sinto que, neste mundo novo que é o nosso, sou chamado a viver a minha vocação de forma radical. Radical, para mim, porque bem assente sobre a raiz que é Jesus Cristo Evangelizador dos pobres. Radical, para o mundo, porque seguindo um caminho que parece tão diferente e, para alguns, absurdo. Radical porque só assim o meu testemunho será evangelizador. Só serei verdadeira testemunha de Jesus Cristo se na minha vida e no meu viver os outros O puderem reconhecer. E que melhor forma de reconhecer a Cristo que no serviço e evangelização dos mais pobres?

Ass: Nuno Miguel Lopes

Formaçao Permanente

Ontem, 16 de Dezembro, tínhamos uma outra saída agendada para Saragoça. O motivo foi o encontro de formaçao permanente, para o qual nos pusemos a caminho, por volta das 10 da manha. Quando chegámos a Saragoça passava um pouco das 12 horas. Seguiu-se um pequeno descanso e, de imediato, demos início à reuniao de formaçao permanente, com a duraçao de 1 hora muito produtiva e enriquecedora. Terminada esta, seguiu-se um almoço reforçado e um passeio turístico pela tarde. Turístico sim, mas nao só.
Depois de mais de meia hora a pé, até chegar ao centro da cidade, assistimos á eucaristia das 4 horas da tarde no santuário de Nossa Senhora do Pilar.
O Nuno ficou escandalizado pelo facto de o sacerdote ter celebrado a eucaristia de costas voltadas para nós... tudo somente porque nao existia altar, a nao ser o do Sacrário e nada mais...
De seguida, bem junto ao santuário, um grande aglomerado de gente seguia atentamente a votaçao para a cidade acolhedora da expo 2008. Mais tarde, saberíamos que Saragoça seria eleita a cidade da expo 2008, mas nao estivemos presentes nos festejos.
Entretanto, corremos umas quantas lojas para comprarmos alguns artigos natalícios para adorno da nossa casa, pois em Teruel nao há muito por onde escolher... O tempo para o fazer é que nao foi muito, de maneira que até tivemos de correr, pois a hora de regresso era às 18 e ainda estavamos no centro da cidade. Nao tardou muito para que nos telefonassem a saber onde estavamos... O que é certo é que, pouco depois, estavamos em casa. Seguiram-se as despedidas e o regresso a Teruel, por volta das 21.
Ainda deu tempo para adornarmos a casa e fazer dois presépios...

Bruno

quarta-feira, dezembro 15, 2004

UM CONCERTO EM TERUEL...

Porque a vida no Seminário Interno nao é só estudar e rezar, ontem, pelas 20 horas, entravam no Museo de Teruel alguns seminaristas acompanhados pelos seus Director e Sub-director.
O motivo que nos levou àquele lugar naquele momento foi um concerto de música de câmara muito bem interpretada pelo Trio Turolense.
As obras tocadas e por nós degustadas eram de vários autores: J. B. Schenk (Concertate en Mi b), S. Mercadante (Fantasia sobre temas da ópera "Francesca Donato", numa adaptaçao do trio actuante), o "nosso" Jesús Maria Muneta (Requiebros op. 236) e, para finalizar, Darius Milhaud (Suite op. 157 b).
Obviamente que cada um viveu e saboreou o concerto de uma forma pessoal e, por isso, distinta:
se uns até fechavam os olhos para melhor saborear,
outros havia que os fechavam para o tempo aproveitar e, quiçá, cochilar;
se uns se moviam ao som da música,
outros havia que se remexiam de impaciência;
se uns havia que nem deram pelo tempo passar,
outros houve que só pensavam na hora de jantar;
enfim, de uma forma distinta o vivemos,
mas em conjunto aumentámos um pouco mais a nossa bagagem cultural...
Cada vez me convenço mais de quanto é bom estar em Teruel e poder aproveitar as suas ofertas culturais!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

segunda-feira, dezembro 13, 2004

CARIDADE E BUROCRACIA


Hoje, pela manhã, recebi a notícia, infelizmente cada vez mais usual no nosso mundo, de uma idosa que vive em condições pouco dignas e a quem a Segurança Social Portuguesa se nega a prestar apoio.
Aqui está o caso exposto por quem o vive de perto:

«Somos um Centro de Dia, com 5 anos de funcionamento, sedeado em Paialvo e por onde já muitos idosos passaram, alguns ainda se mantêm, outros já faleceram e outros estão cada vez mais dependentes, mais necessitados de apoio permanente.
Das muitas situações difíceis com que já nos deparámos, e relembrando algumas: dois irmãos invisuais, que moravam sozinhos sem as mínimas condições habitacionais: um morreu no hospital, o outro morreu de desgosto por no fim da sua vida se ver longe (Centro de Emergência de Santarém) do sitio a que estava habituado – a sua casa e o Centro de Dia.
Também no Apoio Domiciliário, não são menores as dificuldades, porque quando as situações se complicam, quem tem dinheiro ou família para pagar um Lar privado, tem os seus problemas resolvidos! Mas para quem não tem família, mora sozinha num 1º andar, de renda, acamada, com uma reforma de cerca de 350,00€, não há Lar Privado e nem da Segurança Social que a aceite!!! Esta senhora, vive dos cuidados já insuficientes que este Centro lhe presta.
Claro que tudo isto se resolveria se já tivéssemos aqui um Lar, mas infelizmente, a burocracia é mais que muita, existe muito dinheiro para muita coisa, mas para um Lar Social, até parece uma Utopia!!! E os outros Lares, ditos Sociais, também não têm lugar para uma pessoa que aufere mensalmente 350€. E se fosse 700, será que já haveria lugar para esta senhora???

Talvez este assunto dê para reflectir acerca do país em que vivemos... das injustiças sociais que diariamente aparecem nos meios de comunicação e das que ainda estão camufladas! Num país cada vez mais idoso, talvez já seja altura de serem criadas condições para que os nossos avós vivam no conforto de um Lar, que apesar de não ser o seu, nem da sua família, é da sua área de residência de forma a lhes dar o carinho e as condições de que necessitam.

Ass. Élia Lopes & Manuela Godinho (Centro Social Paroquial N.ª Sr.ª Conceição Freg. Paialvo


Que o Estado tenha querido e queira ter em suas mãos o trabalho sócio-caritativo, historicamente desenvolvido pela Igreja, não vejo problemas. Afinal só está a cumprir a sua função… Agora que preste esses serviços a seu bel-prazer e não o preste a quem deles necessita urgentemente, creio ser uma hipocrisia e uma falta grave contra a humanidade.
Como pode o Estado, e mesmo misericórdias (que tem o mesmo sistema de funcionamento), recusar-se a prestar o apoio a pessoas a quem a sorte da vida não sorriu nunca e não tem os meios suficientes para pagar o pedido por estas instituições pseudo-caritativas ou solidárias?
Como podem os dirigentes destas instituições dormir de noite?
Bem sei que não é fácil, e também sei que estas minhas questões são exageradas… mas revolta a impotência perante esta situação…
Como dizem a Élia e a Manuela, pelo menos que o Estado fosse mais pronto em conceder o apoio para a construção do Lar… afinal, gasta-se tanto e tão mal gasto… mas talvez a construção deste Lar em Paialvo não tenha proveitos políticos!!!
Que mundo este em que vivemos!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

Nota: Para os que não sabem, antes de entrar no seminário trabalhava no Centro de Dia referido. Foi ali que a minha decisão foi amadurecida, e foi na relação com todas aquelas pessoas, idosos e colegas, que vivi num clima extremamente propício para o meu discernimento vocacional. Tudo o que se relaciona com o Centro, como creio que compreendem, me é muito querido, e os seus problemas são também os meus… Aquele ainda é o «meu Centro, os meus idosos, as minhas colegas,…», por isso o meu interesse neste caso.

FRAGMENTOS…


Depois de uns dias de ausência deste cantinho virtual eis que estou de volta com vontade de retomar o diálogo que aqui se proporciona. Não tendo assunto para um artigo, sinto, no entanto, a necessidade de deixar algumas mensagens e partilhas:
1. Quanto ao polémico assunto dos meus últimos artigos quero deixar o meu sincero agradecimento a todos os que quiseram entrar no diálogo por meio dos seus comentários. Esses comentários têm sido realmente um valor acrescentado para esta página…
2. Á minha amiga F.S. quero deixar o convite a ler as mensagens da Conferencia Episcopal Portuguesa, especialmente a que se refere aos pecados sociais…
3. Ao amigo e fiel leitor P. Avelino, quero deixar o meu agradecimento pela sua fidelidade e espírito critico…
4. Ao anónimo que deixou o último comentário quero agradecer pela sua simples e acessível exposição acerca do flagelo da SIDA. Muito agradeço os seus esclarecimentos… foi bom que alguém viesse ajudar-nos a assentar ideias…
5. Como é do conhecimento geral, aqui em Espanha, nos últimos dias a ETA tem andado «muito entretida» a colocar bombas ou a dizer que as havia colocado. Graças a Deus não há vítimas mortais. Mas será que o melhor meio de luta será este? Do contacto que vou tendo com «nuestros hermanos», a sensação que vou tendo é que assim as suas pretensões só ficarão cada vez mais longe de poder ser realizadas…
6. Como o Bruno escreveu no seu artigo de hoje, no passado fim-de-semana estivemos em Barakaldo – Bilbao – País Basco, para participar na ordenação presbiteral de mais um sacerdote da Congregação da Missão. Na celebração houve momentos que realmente me comoveram e não quero deixar de os partilhar: o momento em que os pais do ordenando entregaram na mão do Bispo a casula e a estola, sinal da entrega daquele filho fruto do seu amor para o serviço do Senhor e dos pobres e o momento em que todos os sacerdotes presentes acolheram o novo presbítero com um grande e sentido abraço… Tal como disse o Bruno, fui pensando o quão perto está esse momento para mim… Como o tempo passa!!!
7. Como adepto do FCP e português que sou não quero deixar de congratular-me e agradecer a esse querido clube por mais uma alegria: a Taça Intercontinental…

Com um abraço para todos, daqui do frio de Teruel,

Ass: Nuno Miguel Lopes

Ordenaçao Sacerdotal

Para a ordenaçao sacerdotal do Félix no passado sábado e a realizar em Barakaldo (país basco), tivemos de pôr-nos em viagem, na sexta-feira, em direcçao a Saragoça, onde passámos a noite. Tudo correu bem, e, no dia da grande festa, pusemo-nos a caminho de Barakaldo (Bilbao), bem cedo, por volta das 8 horas; esperava-nos uma viagem de algo mais de 3 horas, que também ela correu bem, ou nao fosse o Nuno a conduzir... Mal chegamos, começamos por conhecer seminaristas e padres da província, que ainda nao tinhamos tido oportunidade de conhecer. Foi-nos mostrada, também, a casa de Barakaldo com o colégio, teatro e Igreja, tudo pertencente á província de Saragoça. Quanto ao ordenando, só o vimos, ou pelo menos eu, na celebraçao. Tudo estava muito bem preparado, inclusive os acólitos, um deles o José que está a fazer o seminário interno aqui em Teruel, que já se encontravam no local da ordenaçao no dia anterior para que até mesmo os mínimos detalhes nao fossem esquecidos. A começar pelo Senhor Bispo, foi muito simples e concreto, com uma homilia pequena e dirigida ao Félix, em particular, e ao que significa e deve ser o ministério sacerdotal; depois, os cantos e guitarristas (ainda bem que o Padre Muneta nao foi à ordenaçao, pois consideraria isto como um insulto); e todos os que ajudaram directa ou indirectamente na preparaçao da Igreja, celebraçao e banquete, no final.
Durante a celebraçao, a mim e seguramente a outros de nós, seminaristas, a ordenaçao fez-me ver que já nao falta muito para ser eu o ordenando, se essa for a vontade de Deus. Até mesmo, no momento de beijar as maos ao novo sacerdote, diziamos: "quando for eu nao quero"... Mas aqui nao há quereres e este gesto deve ser interpretado como um sinal, símbolo de amor do homem para com Deus que sempre envia operários para a sua messe...
Passada esta simples e, por isso, bela celebraçao, seguiu-se um pequeno "beberete" para todos os que participaram na celebraçao; de seguida, os convidados, continuamos o banquete num restaurante vizinho. Alguns que tinham sido mais gulosos, na primeira fez que puderam comer algo desde manha cedo, viram-se aflitos para comer o que nos esperava; já nao me recordo quantos pratos foram, mas sei que estivemos à mesa umas tres horas... Comemos, bebemos, convivemos e festejamos esta nova ordenaçao da melhor forma.
Na hora da despedida, Desejamos felicidades, coragem e confiança em Deus ao longo da sua caminhada, que seja testemunho da Luz, de Cristo, num mundo que cada vez mais se cerra à transcendência.
Iniciamos a viagem de regresso a Saragoça, já de noite e com um nevoeiro cerradíssimo; mas como era o José a conduzir, segundo ele, com os olhos da fé, nao tinhamos nada a temer e chegamos bem a casa, graças a Deus. Dormimos em Saragoça e regressamos a Teruel, (já com saudades!?) no domingo. Termina, assim, da melhor forma este fim de semana, bem diferente do habitual...
Bruno

domingo, dezembro 05, 2004

CONCEPÇÕES…


Todos os que me conhecem bem sabem que não consigo resistir a uma boa polémica, e, nos últimos dias, em função do meu último artigo, neste blog, que nunca tinha recebido tantos comentários a uma só publicação, tem reinado a polémica. Muito me agrada esse facto, sinal de que o que aqui se escreve não é indiferente a quem o lê.
Se o iniciador da polémica fui eu, ao escrever o artigo, o seu digno alimentador tem sido o «meu amigo» F.S., ao tão fervorosamente comentar. É certo que as reacções ao(s) seu(s) comentário(s) não têm sido as mais serenas, mesmo da minha parte, mas creio chegada a altura de tentar colocar «água na fervura» e ensaiar esclarecer as coisas um pouco:
Confesso, e mentiria se o não fizesse, que o primeiro comentário do F.S. me deixou um pouco perturbado, quer pela surpresa quer pelo tom. Porém, e depois da “roda-viva” de comentários que foram surgindo, quero agradecer o interesse e a participação de todos nesta página que elo de ligação com Portugal e o mundo pretende ser.
Porque, no meu entender, a polémica se deve a uma divergência de concepções, quero apresentar algumas que creio poderem ajudar ao esclarecimento da minha posição:
O Homem é para mim um ser em relação e só se pode entender e definir em função dela. Toda a humanidade é, assim, um corpo relacional. Como em todos os corpos, basta ver o nosso, se um membro sofre todos sofrem por compaixão (na verdadeira acepção do termo: Sofrer com). Todos esses membros são abrangidos pela corresponsabilidade de trabalhar para o bem comum. Assim, se há homens, perto ou longe, isso não importa, que sofrem, não posso, nem devo, comportar-me como se isso não fosse problema meu, ou então limitar-me a constata-lo sem sentir a urgência de passar à acção.
O flagelo da SIDA, repito, deve impelir-nos á acção.
Como em relação a todos os males, a acção, neste caso, deve ter uma dupla vertente: de prevenção e de tratamento, e uma sem a outra estão sempre condenadas ao fracasso a médio-longo prazo.
A prevenção, no caso da SIDA, não pode reduzir-se a uma mera distribuição de preservativos. É certo que é, reconhecidamente, um dos melhores meios de prevenção, mas, porém, não é o único!
A Igreja, porque não vai atrás de modas, tem o dever ser lugar de salvação para os seus membros e para toda a humanidade, a quem ama e serve. Não pode, assim, irresponsavelmente, vir dizer que aprova o uso do preservativo. Porquê?
A união sexual entre um homem e uma mulher só pode ser entendida como sinal e expressão do amor que entre os dois existe e vai crescendo. Porque o amor não é instantâneo mas progressivo, a relação sexual só pode surgir como fruto da mútua confiança adquirida. Terá sentido neste caso o uso do preservativo como prevenção contra a SIDA?
Ao serem distribuídos preservativos às camadas mais jovens da sociedade como se de rebuçados se tratásse, no meu entender, está-se a «educar» o futuro da humanidade a seguir o caminho da irresponsabilidade sexual e esse caminho nunca poderá ser o defendido pela Igreja.
Que outros caminhos há então para prevenção da SIDA? Principalmente um: a educação para a vivência de uma sexualidade responsável.
No entanto, e porque do geral ao particular vai uma grande distância, há casos em que, sem hesitar, eu sou o primeiro a apontar o uso do preservativo como recurso, principalmente em contextos culturais de poligamia e/ou de constante troca de parceiros sexuais e, claro, no caso daqueles que não partilham da minha visão sobre a sexualidade…
Falando agora dos meios de tratamento, deparamos com a maior das injustiças: o monopólio das grandes farmacêuticas que impede os afectados dos países mais pobres de ter acesso aos tratamentos actualmente existentes. E essa, ninguém me diga que não, é um grande exemplo das hipocrisias do mundo ocidental!!!
Não posso deixar de terminar sem esclarecer um último ponto: quando me referia aos ocidentais obviamente que o fazia no geral e não no particular. Assim, e porque fui muito mal interpretado, quero dar o meu público louvor a todos aqueles que da sua vida fazem uma desinteressada entrega em favor dos que sofrem com o flagelo da SIDA. Bem hajam!
Muito ficará por esclarecer, mas não se pode esgotar uma fonte, pois não???

Ass: Nuno Miguel Lopes

PS1 – Caro F.S., tens que reler o meu comentário ao teu comentário. O sentido de «os ocidentais menos um: tu» creio que é claro: surge por respeito à tua auto-exclusão do grupo dos ocidentais que eu apelido de hipócritas… restam dúvidas??? Coloca-as, que prontamente tentarei esclarece-las.

PS2 - «Amigo F.S.», se essa for a tua vontade, com todo o gosto continuarei a debater este assunto contigo. Aqui tens o meu contacto:
nunomiguelopes@hotmail.com...

Prólogo de S. Joao e o Natal

Num dos tempos de formaçao, estamos a abordar o tema da Palabra, na Bíblia. Na distribuiçao de sub-temas, fiquei de estudar o tema da Palavra no Prólogo de S. Joao (1,1-18). Nao o conhecia bem, de modo que fiquei surpreendido com a beleza e conteúdos doutrinais-teológicos que contém. Neste mesmo prólogo, Joao aborda de forma distinta a questao do nascimento de Jesus Cristo. Nao narra, como Lucas, a forma como aconteceu o nascimento de Jesus, mas começa o seu Evangelho afirmando a Sua preexistencia: "No principio era o Verbo, e o Verbo era Deus" (1,1). Pelo meio, faz referencia ao testemunho de Joao Baptista, em favor Daquele que virá e é maior do que ele; Aquele que é a Luz e a Verdade, no qual se cumprem promessas feitas a Abraao e sua descendencia, realizando uma Aliança Nova e Eterna. Mas a narraçao do nascimento de Jesus em Joao, tao somente surge no versículo 14 "E o Verbo Divino Encarnou, e habitou entre nós…". É este o versículo principal do prólogo, carregado de significado para todos nós e que celebramos no dia 25 de Dezembro.
Mas, tudo isto, é apenas um aperitivo, porque o prólogo de Joao esconde muitas mais belezas e riquezas, que à primeira vista nem sequer suspeitamos. Nao é de estranhar que seja uma das passagens bíblicas que mais se tem estudado e que ainda muito tenha para ser descoberto.

Bruno

quarta-feira, dezembro 01, 2004

INDEPENDENCIA(S)…


No dia em que o calendário me indica que é feriado no meu querido Portugal, eis que verifico que o seu nome está na primeira página dos jornais de Espanha. Será que “nuestros hermanos” ainda estão com dor de cotovelo por nos terem perdido? Será que o rei Juan Carlos quer incluir Portugal nos seus domínios? Não!!!

Aqui em Espanha o nome de Portugal só sai na primeira página dos jornais por motivos menos bons. A primeira vez que tal aconteceu, desde que estou aqui, foi por causa do julgamento do caso da Casa Pia… não me parece que seja o melhor dos motivos… A segunda vez foi hoje, dia em que o nosso país festeja a restauração da independência de Portugal em relação à coroa de Espanha, não sobre esse assunto, como é óbvio, mas sobre a dissolução do Parlamento e consequente queda do governo proclamada ontem pelo Presidente da República Portuguesa, o Dr. Jorge Sampaio. Para quem está longe estas notícias são sempre preocupantes… agora compreendo os sentimentos dos emigrantes…

Hoje celebra-se também o dia mundial da luta contra a SIDA. Quando será que deixaremos, nós os hipócritas ocidentais, de fazer bonitos discursos pondo caras forçosamente compungidas, enquanto vemos milhares de pessoas morrerem devido a esse flagelo? Passemos à acção!!! Cada vida que se perde devido a esse flagelo é também culpa de cada um de nós!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

domingo, novembro 28, 2004

COM O JOÃO LUIS…

No dia em que a família vicentina faz memória de Santa Catarina Labouré, a Filha da Caridade que foi agraciada com as aparições de Nossa Senhora na Rue du Bac em Paris, quis a Divina Providência que um de nós, Congregação da Missão, fosse ordenado Diácono. É este, assim, para nós dia de dupla alegria!!!
A distância que nos separa é imensa mas um mesmo espírito nos aproxima.
A alegria que os nossos irmãos vivem em Portugal também nós a vivemos aqui em Teruel.

Contigo João Luís queremos estar e estamos por meio da oração no mesmo Deus que nos une!!!
A Igreja conta contigo!
A Congregação da Missão também!
Os pobres anseiam a tua mão que se estende!
Que o Deus dos pobres e que se fez pobre te abençoe e proteja!!!


Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, novembro 27, 2004

ENCERRAMENTO DA NOVENA DA MILAGROSA EN TERUEL


Desde o dia 19 deste mês de Novembro que a paróquia da Milagrosa em Teruel vive e respira em função da Novena da Milagrosa. Hoje, festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, numa vivida e concorrida celebração, deu-se por encerrada a Novena, com a presença do Bispo da Diocese, D. José Manuel. Esperamos que o esforço de tanta gente que participou activamente nesta Novena não tenha sido em vão e que seja este mais um passo no caminho de santificação de todos aqueles que desta forma se quiseram aproximar de Deus pelas mãos de Maria nossa Mãe.

Os oito primeiros dias da novena foram muito semelhantes. Pelas 19:35h um de nós, seminaristas, começava a rezar o Terço com a assembleia que se ia juntando para a celebração eucarística (foi a primeira vez que o Bruno e eu lemos em público. Até nos saímos bem, mas haviam de ver como estávamos nervosinhos…). A nossa participação, na simplicidade do diálogo de filhos com a sua Mãe, resumiu-se à presidência e proposta de pequenos textos bíblicos, orações e cânticos para ajuda à meditação dos mistérios que se iam contemplando. O ponto alto da eucaristia era, dia após dia, a homília, na qual se ia relacionando a Santa Virgem com o sacramento que estávamos celebrando (como se pode verificar nas folhas publicadas na página
As celebrações foram presididas pelos Padres Santiago Azcárate, Julio Suescun y Félix Álvarez (Director do Seminário Interno, Ecónomo da Comunidade e Subdirector do Seminário Interno, respectivamente), que se encarregaram das respectivas pregações. Em cada dia, a missa era preparada por algum (o alguns) dos grupos paroquiais ou da família vicentina, por exemplo o grupo de liturgia, as zeladoras, a AMM, a SSVP ou a AIC, entre outros.

No último e grande dia, na Festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, tudo se ia aprontando para que a celebração fosse digna e bem vivida por todos. Por isso se foram juntando na igreja a Polifónica Turolense (brilhantemente dirigida pela batuta do nosso P. Muneta), as Filhas da Caridade (que tinham o encargo de preparar a liturgia), nós seminaristas (na direcção da oração do Terço) e todos os fiéis que se quiseram juntar para louvar o Senhor e venerar a sua Santa Mãe. Pelas 20 horas, terminado o Terço, chegou o senhor Bispo que vinha para presidir à celebração de encerramento da Novena e abertura do Ano Eucarístico na Diocese de Teruel-Albarracín na nossa paróquia. E a festa começou...
Em nosso entender, os pontos altos da cerimónia foram a simples mas muito sentida homilia de D. José Manuel, a entrega de dons pelas Filhas da Caridade e um seminarista (o nosso Bruno) e os cânticos, que nos chegaram a dar arrepios (“a poner los pelos de punta”).

Terminada a celebração, passámos, como coloquialmente se diz aqui em Espanha, “de la misa a la mesa”. Deram-nos a honra de connosco partilhar a refeição da comunidade o senhor Bispo e o seu secretário. Foi a primeira vez que falámos com o D. José Manuel e tivemos o prazer de verificar que é uma pessoa muito próxima e afável.

Que melhor final para esta nossa festa que a presença do senhor Bispo que quis assim acompanhar a tantos turolenses devotos de Nossa Senhora?
Agora só nos resta confiar nela e esperar que a novena em sua honra dê abundantes frutos na nossa caminhada espiritual…


«Ó Maria Concebida sem pecado,
Rogai por nós que recorremos a Vós!»


ASS: Nuno Miguel Lopes e Nacho Gamboa
PS - Se quereis ver as fotos clicai AQUI

sábado, novembro 20, 2004

Assédios!...

Que título estranho este, mas para o Nuno e para todos nós, seminaristas, nao. Hoje, como todos os sábados, era dia de irmos fazer voluntariado ao "El Pinar", e todos vamos preparados para ver, como dizem os "Nuestros hermanos", cosas raras. A primeira coisa rara que vimos, logo ao chegar, foi que o Pedro (Viciadíssimo em tabaco) estava a dormir no bar. até aqui, tudo bem; o raro é que, ao acordar, nao nos pediu tabaco e nao o fez durante um tempo recorde (5 minutos...). Mas cedo terminou a resistência e teve lugar a cena mais hilariante do dia: Chega-se perto de mim, do Nuno e do Nacho, e começamos a meter conversa com ele, mas sem obter resposta e o mínimo de interesse da parte dele (estava atento a outra coisa!). De repente, diz-me o Nuno: "estou a ser assediado, o Pedro está a olhar fixamente para o meu peito!". Ainda nao tinha acabado de mo dizer e já estava o Pedro a "apalpar" o peito esquerdo do Nuno e a dizer: baco, baco, baco". Está claro que queria tabaco e viu que o Nuno o tinha no bolso da camisa. Como o Nuno nao o deu, começou a "apalpar" outros peitos, de entre nós, para ver se também tinhamos tabaco... De entre nós, há quem nao leve os óculos porque pode ser motivo de atracçao e entretenimento para eles. Parece que o Nuno também vai ter de deixar de levar o tabaco, pelo menos no bolso da camisa, se nao habilita-se a ser assediado todos os sábados!...
Este foi o momento mais hilariante do dia, mas outros aconteceriam; com eles demos um passeio e, pelo meio, fomos ouvindo os já habituais "traques", quiça, provocados pelo cansaço, para além de "alívios de bexiga", todos de pé, homens e mulleres (nunca imaginei poder ver uma coisa daquelas)! Só visto... De regresso a casa, eu, que era o "amigo" da Glória, fui trocado por outro: pelo Luismi, de quem ela diz maravilhas ao seu confidente, o Nuno. "Que guapo"!- diz ela ao Nuno, sobre o Luismi... Como era de esperar, eu estou muito triste (?!), sobretudo, porque agora já nao me vao chatear com cânticos que ultimamente me têm dedicado como: "Glória, Glória, Aleluia".
Bom, as peripécias terminaram por aqui, neste dia; sábado, outras crónicas se escreverao...

ASS. Bruno

NOVENA DA MILAGROSA


Em 1911 chegou a Teruel uma imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, mandada fazer a um escultor pelos padres da comunidade da CM de Teruel.
Nesse longínquo ano essa imagem a todos cativou pela sua beleza e majestade. Hoje, passados 93 anos, a imagem continua a cativar toda a cidade de Teruel e está na igreja da Milagrosa que é aquela que é matriz da nossa paróquia.
Esta invocação de Nossa Senhora começou a ser festejada depois da aparição de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré na Rue du Bac, em Paris, no dia 27 de Novembro de 1830, na qual Nossa Senhora pediu a Santa Catarina a cunhagem de uma medalha que hoje conhecemos como Medalha Milagrosa.
Porque se aproxima o dia em que toda a família vicentina celebra a solenidade de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, o próximo dia 27, ontem, aqui na paróquia, começou a novena da Milagrosa. Todos os dias, até ao dia 27, pelas 19:35h começa a recitação do Terço, que logo, pelas 20h, é seguida da Eucaristia. Este ano o tema da novena é Maria e a Eucaristia, devido ao ano da Eucaristia que iremos começar no próximo fim-de-semana.
Se a igreja estava cheia no dia de ontem hoje estava «a rebentar pelas costuras».
É muito interessante viver a devoção à Virgem num país e numa cultura que não são a nossa. É uma riqueza e um grande valor acrescentado!!!

«Ó Maria concebida sem pecado,
rogai por nós que recorremos a vós!»

Ass: Nuno Miguel Lopes

sexta-feira, novembro 19, 2004

Santa Cecília

Santa Cecília, padroeira dos músicos, foi a razao pela qual, ontem à tarde, nao tivemos a última das aulas do dia. Marcada para as 18:00 horas, no claustro do Bispado de Teruel, estava a entrega de diplomas para os, pequenos em idade, mas grandes em talento, músicos de Teruel que se inscreveram na leccionaçao correspondente ao ano 2003-2004. Depois das apresentaçoes, agradecimentos e entrega dos diplomas, intercalados por palmas, seguiu-se o mais esperado, nao por todos, mas por mim e muitos outros sim; seguiram-se duas actuaçoes de nível e que me surpreenderam pela positiva: duas peças tocadas por instrumentos de corda e uma outra peça tocada por instrumentos de sopro; sobre esta última, nao sei se a sério ou a brincar, dizia o Pe Muneta, aos granadinos em especial, que era melhor do que a banda de Granada! O que posso dizer é que têm grande qualidade.
Terminado este momento, seguiu-se, às 20 horas missa em honra de Santa Cecília e dos músicos, presidida pelo Bispo de Teruel-Albarracín, D. José Manuel. Era o momento de se privilegiar um outro instrumento, o mais importante de todos, a voz. Assim, toda a missa foi cantada solenemente pelo grupo coral regido pelo Pe Muneta. No momento de Pós-Comunhao, tocou-se uma lindíssima peça por dois violinos...
Ainda nao chegou o dia que a Igreja dedica a santa Cecília, próximo dia 22, mas nós já o celebrámos e de uma forma que nao me lembro ter feito alguma vez...

ASS. Bruno

quinta-feira, novembro 18, 2004

BRANCO


Depois de uma noite muito bem dormida no conchego do meu confortável e quente leito, do vivificante duche matinal, do, não menos vivificante, momento de “alabanza” ao Senhor que é e dá vida e do fortalecedor pequeno-almoço, saí, bem agasalhado, para comprar o jornal.
Como sempre, pela rua comigo se foram cruzando apressada e encolhidamente turolenses em direcção aos seus matinais afazeres. Eu, na minha calma e contemplação de quem não tem pressa, fui caminhando e observando o mundo que se colocava na minha frente por mais este dia.
Com espanto fui verificando que a cor dominante, nesse mundo que diante mim se perfilava, era o branco. Com estranheza verifiquei que os bancos de jardim, antes castanhos, agora estavam de branco revestidos, que os tejadilhos dos carros, antes de cores variadas, agora estavam cobertos de um branco comum e até as ervas e plantas de jardim, na sua simplicidade, se haviam revestido da alva cor. Que se passava? A resposta é muito simples: os quatro graus negativos que se fizeram sentir durante a noite não quiseram deixar a sua passagem incógnita, e como sua lembrança e sinal deixaram-nos a alva e fria geada.
Num imenso coro de louvor, toda a criação se une para cantar o seu Criador!!!
Juntemos as nossas vozes a esse coro, louvemos o Criador!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

terça-feira, novembro 16, 2004

«A CIDADE E AS SERRAS»

Que há de comum entre a perdida Quinta de Tormes e a fausta e vaidosa cidade de Paris? Aparentemente nada! Mas só aparentemente…
Quando no ano passado, numa qualquer sexta-feira, e num qualquer tempo de formação com o nosso erudito P. Aguiar, me foi sugerida a leitura do livro «A Cidade e as Serras» cujo autor é o nosso grande Eça de Queiroz, nunca pensei que essa pequena peça de grande literatura do século XIX viesse a ser minha companhia de tempos livres aqui no Seminário Interno. Pois confesso que foi com muito agrado e diversão que na última quinzena me tenho deleitado com as peripécias do Zé Fernandes e do Jacinto, primeiro na grande capital francesa e depois na bela e bucólica paisagem do Douro português.
Este pequeno livro de Eça é uma preciosidade. Consegue levar o seu leitor a imaginar a riqueza e vanidade de Paris do final do século XIX, cuja representação mais engraçada está patente quer no avanço tecnológico do 202 quer nos sociabilíssimos passeios no «Bois de Bologne». Depois, consegue Eça fazer-nos sentir a doce aragem que sobe as encostas junto ao Douro, os perfumes que emanam da natureza quase virgem, a rudeza e simplicidade das lusas gentes, enfim todo o ambiente dum Portugal extremamente bucólico e amado por ele (?!?).
O propósito de Eça, no meu humilde entender, era tornar patente a antítese entre o decadente mundo urbano e o vivo e vivificante mundo rural. Creio que o conseguiu, e muito bem, tenho que o admitir. É preciosa a sua perspicácia e a sua capacidade de descrição, o seu humor e a sua cultura, a sua fluência e a sua paixão pelo seu país natal.
Ainda bem que este foi um dos livros que escolhi para companhia no meu «desterro» por terras de «nuestros hermanos». Com ele me ri, com ele pensei, com ele amei (o meu país, claro!!!), … afinal, não é para tal que servem os livros???


Ass: Nuno Miguel Lopes

PS - Não posso deixar de agradecer ao P. Aguiar por me ter aconselhado a ler este livro. Obrigado, P. Aguiar!!!
Valeu a pena!!!
É realmente uma grande peça de literatura!

segunda-feira, novembro 15, 2004

ABENÇOADA NORMALIDADE…


Estando eu a fumar o, já habitual, cigarro pós-jantar, sentindo o vento gelado furiosamente batendo na minha cara, surgiu-me no pensamento a ideia de escrever uma crónica. «O problema é que tudo rola na mais absoluta normalidade!!! Que poderá haver para contar???» – pensei eu. Aí lembrei-me «mas a normalidade é algo que é novo!!!». É verdade, fiz a grande descoberta: Atingimos a normalidade no Seminário Interno! Que confortável que é poder dizer que se está vivendo a normalidade! É a normalidade que dá a segurança que todos os seres humanos necessitam para viverem e serem equilibrados.
Assim, aqui estou eu, em frente ao meu computador, na sala de convívio dos seminaristas. Ao meu lado está o Nacho, alegremente entusiasmado com um jogo de Free Cell, o qual vai interrompendo quando recebe alguma mensagem no Messenger… mais adiante está o Luís Mi, no outro computador, com a entusiasmante tarefa de evangelizar pelo Messenger, haviam de ver o seu porte de pregador, a sua cara de entrega à conversão… que missionário!!! Entretanto, e porque o Nacho se farta de perder e deixa o computador, o Tony, num brusco e repentino salto de jogador a quem o treinador manda entrar em campo, corre para o computador que entretanto ficou livre, e eis que entusiasmadamente navega na net em busca de alimento espiritual para a sua alma faminta… mas coitado, fartou-se, afinal a sua alma não tinha tanta fome… será???
Mas o José veio em sua substituição…. Que procurará? Noticias do santuário de Fátima? Ver se a Virgem fará a sua primeira aparição via web???
Em redor do, infelizmente, verdadeiro centro desta sala – o televisor – está o resto da malta… e haviam de ver com que sofreguidão consomem o fraco alimento (do qual para mal dos meus pecados também sou adepto) que lhes é fornecido!!!
Mas eis que me dá a sensação que tenho um anjo a meu lado… esperem, afinal enganei-me, é só o Bruno em busca de um qualquer livro que nunca irá ler… ou será que está perdido em busca do televisor???
Eis que chega o director. Será que vem orientar o Bruno na sua busca??? Não, afinal veio só buscar o jornal… pobre Bruno, como se orientará???
Enfim… esta é a nossa já “normal normalidade” de todas as noites do seminário interno… que bom que é vivê-la… e que bom é estar aqui, Senhor!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

domingo, novembro 14, 2004

Formaçao Permanente II

Uma das vertentes da formaçao permanente é o convívio. Outra, é a própria formaçao, o debate e conclusoes que se retiram do que é debatido. A formaçao permanente, que teve lugar em nossa casa, na quarta-feira passada e que se realiza uma vez por mês (a próxima é dia 15 de Dezembro), teve como base de reflexao o Documento Final da XL Assembleia Geral (2004). A partir de "Una mirada atenta al presente" a reflexao conjunta recaiu sobre 7 perguntas interpeladoras:
1 - ¿Hasta qué punto somos capaces de leer, interpretar y situarnos como misioneros ante los signos de los tiempos?
2 - ¿De qué medios nos estamos sirviendo para configurarnos con Cristo Evangelizador de los pobre y revestidos de su mismo espiritu?
3 - ¿sabemos con exactitud para qué estamos en la Iglesia?. Y lo que hacemos¿es significativo?
4 - ¿Qué nos identifica como miembros de la Congregación de la Misión hoy?
5 - ¿Cuál es tu grado de satisfación respecto a la Congregación y su efectividad en la Iglesia? ¿ Qué contagias a los que te rodean?
6 - ¿Detectas signos de cansancio en la Provincia de Zaragoza (ou Portuguesa)? Explica tu respuesta y confróntala con los miembros de la comundad.
7 - ¿De qué manera nos proponemos concretar en nuestras comunidades y en nuestra pro´vincia los compromisos de la Asamblea General Para revitalizar nuestra identidad vocacional vicenciana?
Em cada comunidade, antes deste encontro de formaçao, foi lido e meditado, em conjunto e em particular, o Documento final da Assembleia Geral, acompanhado de um artigo do Padre Miguel Pérez Flores com o título: "Sacerdotes de la misión para una nueva evangelización", para se partilhar neste encontro de formaçao. Nao foi possível analizar e responder a todas as perguntas na reuniao, mas algumas interpelaçoes ficaram presentes: que estamos numa "mudança de época" em que as nossas Igrejas estao a ficar vazias e a necessiadade de respondermos concretamente a esta situaçao; a importancia da formaçao permanente, mas sem esquecer a sua vertente practica: a formaçao deve estar dirigida para a acçao; a pouca predisposiçao para a mudança, adaptaçao a uma nova realidade: propoem-se algo de novo para cada paróquia e todos dizem tudo bem, menos na minha...; a necessidade de originalidade para atrair os jovens, que sao o futuro da Igreja. Tudo isto e muito mais foi mensionado, para além de outras ideias que agora nao me recordo.
Para a próxima serei mais concreto... pois acho que é algo enriquecedor para todos nós. O que reflectimos aqui também pode e deve ser feito em relaçao à Província Portuguesa e por cada confrade.

ASS. BRUNO

sexta-feira, novembro 12, 2004

AUGUSTO


Com este nome fomos brincando, na casa da Luz, durante o primeiro semestre deste ano, a propósito do longo e difícil processo de eleição do Visitador para a Província Portuguesa da Congregação da Missão.
O nome Augusto, o segundo nome do P. Alves, foi inspirando algumas crónicas na nossa página web (É que nós, numa mescla entre a brincadeira e a seriedade, íamos desejando que fosse esse membro da nossa comunidade o eleito).
Passados todos estes meses com muitas peripécias pelo meio (sendo o nome “Spiszchla”, ou algo parecido, só um exemplo…) o nosso desejo vê-se finalmente cumprido.
Assim, foi com muita alegria que hoje pelas 16 horas recebi a noticia: «Nuno, já é oficial, o P. Alves é o Visitador».

Neste elo de união à PPCM, que é esta página, ou que pelo menos pretende sê-lo, quero felicitar publicamente o novo Visitador eleito, assim como a toda a província que o escolheu.

Que o trabalho de um com a colaboração de todos seja um passo em frente no seguimento de Jesus Cristo, evangelizador dos pobres!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

quinta-feira, novembro 11, 2004

FORMAÇÃO PERMANENTE


Ontem, logo pela manhã, começámos a preparar tudo para bem acolher os irmãos Paúles que se viriam juntar à nossa comunidade para uma manhã de formação permanente.
Havia que comprar o necessário para primar na arte de bem receber, e assim o fizemos, logo pela manhã.
Havia que preparar a sala para o encontro, e assim o fizemos, colocando cadeiras e juntando mesas.
Havia que preparar a oração inicial, e assim se fez.
Havia que preparar um pequeno “mata-bicho” para quando os convidados chegassem, e assim se fez.
Depois de tudo preparado bastou esperar que quem se dirigia ao nosso encontro chegasse para que o encontro acontecesse.
Pelas 11:30h chegaram e foram convidados a beber um café e trincar alguma coisa.
Aqui em casa, e segundo o ecónomo, o especialista em café sou eu. Havia ele afirmado isso perante os nossos convidados, para quem eu era só o desconhecido seminarista português, quando me senti que nem Francisco de Sales no seu primeiro sermão em Paris. Num teste à minha humildade, a qual confesso que não é das virtudes que tenho mais desenvolvidas, os primeiros cafés que tentei tirar resultaram numa chuveirada de café e borras. Afinal até os grandes especialistas têm imprevistos e ontem tive o meu. Foi uma situação engraçada e embaraçosa, mas ainda o dia estava a começar.
Depois veio o encontro de formação que correu muito bem. O alvo das partilhas (dos sacerdotes, porque nós, humildemente ou talvez não, colocámo-nos na posição de quem quer ouvir para aprender, ou confortavelmente prefere deixar os outros fazer as despesas de oratória) foi o documento final da Assembleia Geral de Julho último e um artigo do P. Flores. Foi uma partilha interessante e rica pelas diversas proveniências dos que a faziam (todos desta zona da Província de Saragoça, mas de diferentes casas).
Depois da formação veio o convívio. Foi uma grande e farta refeição, com tudo o que o encontro de amigos que se querem bem exige.
Foi uma experiência muito boa!
Vale a pena estar fora do meu país para ir vendo e aprendendo como se vive o seu Paúl por estas bandas!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

segunda-feira, novembro 08, 2004

“BAPTISMO CIVIL”


Como todas as manhãs, hoje, pelas 9:30h, saí, calmamente saboreando o matinal primeiro cigarro, para comprar o jornal. A gélida aragem matutina contrastava com a timidez do sol que preguiçosamente saía do conforto do seu ninho. A apressada indiferença dos transeuntes assinalava o novo dia que imperiosa e irremediavelmente começava. Na sua pachorra e timidez, o termómetro colocado no exterior da agência funerária, marcava 1º. Continuei caminhando, confortável mas não excessivamente agasalhado, em direcção ao hospital em cujo interior está o, já familiar, quiosque.
Já com o jornal na mão, eis que me deparo com uma notícia, num recôndito da primeira página: «Baptismo Civil». Como é óbvio e natural a minha curiosidade foi despertada. Que era isso de Baptismo Civil???
Fui caminhando e procurando a notícia no interior do jornal. Eis que a encontro e paro, no meio do passeio, para saciar a minha curiosidade.
O que se passou, segundo o jornal «El Mundo», foi que uma mãe, muito fervorosa no seu laicismo, quis que o seu rebento recebesse um baptismo civil. Tinha tentado que tal cerimónia acontecesse em outros “Ayuntamientos”, porém só no de Igualada (Catalunha) é que conseguiu que o Alcayde acedesse a tal intento.
Então, ontem, no dito Ayuntamiento, com toda a solenidade, iniciado com um discurso da laica mãe, teve lugar o acolhimento da pobre criança como membro da comunidade civil. Foram lidos alguns excertos da carta da ONU sobre os direitos da criança e da Constituição do estado espanhol.
O que se passou ontem em Igualada não é inédito. Já nos alvores da primeira república francesa, a 13 de Julho de 1790, quando ainda se respiravam os ares da revolução, se havia feito o primeiro baptismo deste género.
O meu espírito ficou tão inquieto quanto atónito com aquilo que havia lido.
Primeiro, por ser mais um sinal da força do laicismo na sociedade espanhola, que havia sido um dos grandes reinos católicos.
Depois, por ver o ridículo a que chegam pessoas aparentemente tão formadas.
Ora bem, o laicismo pressupõe o afastamento e negação de tudo o que seja religioso. Até aí tudo bem, a religião afinal pressupõe sempre uma decisão e adesão pessoais. Agora que se substitua algo sagrado (afinal o Baptismo é um sacramento!!!) daquilo que se nega por uma barata e ridícula imitação, isso não aceito!
Se os defensores do laicismo querem afirmar as suas pseudo-convicções, creio que por este caminho não chegam lá. Assim só conseguem o descrédito e ridicularização dos seus ideais.
Afinal este é só mais um tiro que dão no próprio pé pois já haviam começado “muito bem” com o querer chamar matrimónio à união civil de parelhas homossexuais…

que tempos estes em que vivemos!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

domingo, novembro 07, 2004

PASSEIO DE DOMINGO


A terra vermelha, rudemente fendida pelo lento passar dos anos, foi a paisagem que começámos por contemplar no nosso passeio dominical de hoje. Dessa monocromática paisagem que cerca Teruel, na nossa viagem, fomos passando a paisagens de cores distintas e, por fim, a paisagens mais coloridas.
Pelo caminho fomos vendo os baixos pinheiros que corriam em sentido contrário. No penoso roncar da nossa carrinha íamos percebendo que subíamos em direcção ao nosso destino. Os pinheiros, numa correria cada vez mais lenta, iam desaparecendo e em seu lugar o calmo castanho da rasteira vegetação ia afirmando a sua presença vaidosa e pachorrenta. Ao longe a imensidão que nos rodeava ia-se tornando mais longínqua e assustadoramente bela. Pela calma das cadeiras do teleférico aproveitando o que resta do merecido descanso, verificámos que a época da neve ainda não havia começado. A desolação da paisagem era correspondida pelo aparente abandono a que estava votada a estação de desportos de Inverno. Só os canhões de neve pareciam estar numa estranha vigia de fiel guarda que ao mínimo deslize está pronto a disparar.
Continuámos subindo. Sofrendo a carrinha e sofrendo os calhaus que rolavam debaixo do seu peso que passava eis que a meta se avizinha: o topo do monte, orgulhosamente superior nos seus 2022 metros de altura, concedeu que contemplássemos a vastidão dos seus perpétuos adoradores, não sem que nos fosse meigamente fustigando com a gélida aragem que teimosamente nos fazia sentir intrusos em lar alheio, mas não nos deixámos intimidar e um de nós, um homem de peso, como a circunstânsia o exigia, subiu até ao topo do seu marco cimeiro. De seu nome Javalambre, o monte despediu-nos com a sua indiferença milenar.
Descemos dos reinos de sua majestade Javalambre e, por outro caminho, fomos até Camarena de la Sierra, uma bonita e simples aldeia serrana, tomar um café.
Depois foi o regresso. Por um caminho secundário e serrano, fomos, vale fora, em contemplação das cores outonais que nos eram oferecidas à vista: o amarelo dos choupos, o claro castanho dos cansados campos de restolho, o laranja do céu, o branco das ovelhas que preguiçosamente saciavam a gula no caminho de regresso ao conforto do redil, … a noite ia chegando com a sua calma habitual e até o tímido riacho que ia-mos acompanhando parecia encaminhar-se com pressa para o seu ninho.
Chegámos a Teruel já a noite se havia instalado e mandado o sol para o outro lado do mundo.

Como é belo este mundo que nos foi carinhosamente oferecido pelo nosso Deus!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, novembro 06, 2004

Special Olympics

Este dia, 6 de Novembro, foi um dia especial para nós seminaristas e ainda mais para os nossos amigos do psiquiátrico "El Pinar", onde todos os sabados fazemos voluntariado. Estava agendado para hoje uma competiçao a nível de todo o território aragonês para pessoas deficientes, na cidade (creio) de Andorra. À partida, 8 da manha, todos estavam bem dispostos e prontos para ganhar muitas medalhas. Quase duas horas de viagem foi o que demoramos para chegar ao nosso destino; cheguei esgotado e alguns deles também, nomeadamente, o Fernando, que já dizia que nao devia estar ali e sim em casa, que o pai nao o veio ver e que as sapatilhas nao eram dele: todo o caminho a dizer o mesmo... Para mais, numa das contagens, para ver se estavam todos, eu também fui contado como um paciente; o pior é que já nao é a primeira vez... Bom, mas sigamos com o narrar dos acontecimentos principais. Mal chegámos, comemos algo e fomos a um café próximo para fazermos, também, as nossas necessidades; entretanto, o Fernando estava, agora, muito afectivo: abraçava e beijava a todos nós, seminaristas; o mais hilariante foi o que se passou com o Nuno, com o Nacho a dizer ao Fernando para dar um abraço bem forte porque o Nuno merecia; o pior é que ele tinha mesmo força e os seus abraços tornavam-se insuportáveis...
Devo dizer que me surpreendeu o facto de eles se conhecerem entre si; incluso, descubrimos que uma delas tinha um noivo o qual nos apresentou (a "minha" Glória, nao que eu concorde com este pronome possessivo, mas se nao os podes vencer, junta-te a eles...) .
Seguiu-se a primeira prova de corrida e, com ela, o nosso primeiro campeao do "El Pinar"; resultado: último lugar...(Aqui, abro um parentesis para dizer que o nosso grupo era o pior, ou seja, em comparaçao com todos os outros participantes, os do "El Pinar" tinham metade das suas capacidades, ou por aí perto). Mas as coisas iam melhorar, dentro dos possíveis, claro. Seguiram-se outros nossos pupilos do "El Pinar" e o melhor que conseguimos foram dois quartos lugares; a um deles, foi-lhe prometido que, se ganhasse, receberia um cigarro de presente; o que é certo é que pouco faltou e, mesmo assim, teve o cigarro como recompensa; é que os nossos atletas, todos eles, ou quase todos, fumavam; um deles até queria ir fazer o aquecimento de cigarro na boca, mas nao lho permitimos, desporto é desporto. Pelo meio, perdiamos o rasto a alguns, que nos escapavam; numa modalidade, que nao o desporto, mas sim a dança, nós éramos os campeoes; acontece que a acompanhar todo o concurso tivemos música e da pesada; de maneira que alguns, como foi o caso do Fernando, se pôs a disfrutar ao máximo, dançando como só ele sabe...
Terminado o concurso e com um resultado que podemos considerar razoável, ou mesmo bom, seguiu-se o almoço. Aqui, confesso que deveriamos ter tido um pouco mais de atençao e ficarmos espalhados pela mesa para os ajudar a comer e a comportar-se como deve ser, mas assim nao aconteceu; para a próxima teremos de melhorar este aspecto. Eis que, quando nos damos conta, faltava um deles, o Lázaro; estava tudo bem com ele: tinha-se sentado nao sei bem onde, mas longe da sua mesa e do nosso grupo e nao estava a passar mal sem nós; quando chegou já tinha um pao carcomido e partido em tres pedaços; assim é que é, nao há tempo a perder... Escusado é dizer que o apetite era grande, mas para alguns de nós, estava a ser difícil digerir a comida; a razao é que, pouco depois de começar, a mesa estava um caos e cada um deles a comer de formas e jeitos que nunca antes haviamos visto. Havia quem enchesse a boca de comida e depois nao a conseguisse engolir; esfomeados ou golosos a pegar no prato e mete-lo à boca para que nao sobrasse nada; tampas de iogurte coladas nas camisolas; bolsos cheios de pao para comer durante o dia; ou seja, uma verdadeira festa, sem dúvida.
Depois do almoço, agradecimentos e entrega de lembranças do encontro aos vários grupos participantes, seguiu-se o momento da dança onde todos disfrutaram da forma como melhor puderam. Mas, mais revelaçoes surpreendentes: uma delas, do "El Pinar", tinha algo na boca, já passava quase uma hora depois do término do almoço; o que era? um osso ou pedaço de carne, nao sei bem, que logo lhe dissemos para cuspir para fora. Entretanto, o Nuno chegou-se à minha beira e disse-me: "Bruno, va lá, ensina-a a mastigar!"... Outro deles, que tinha passado o almoço a recolher pao para os bolsos, a cada passo ia ao bolso e metia um pedaço de pao à boca; ao que parece, estava de dieta, mas como se apanhou longe de casa e do médico que o acompanha, comeu o mais que pôde.
A noite já estava caindo e chegou a hora bendita de voltarmos a casa. Na viagem de regresso correu tudo bem, àparte de um incidente em que um deles se mijou no autocarro; ninguém estava à espera que tal acontecesse e eu tive culpas, pois sabia que ele queria fazê-lo e, como estavamos próximos de casa, nao foi dito ao motorista para parar o autocarro; enfim, um infeliz incidente que fica para se aprender a liçao para que para a próxima nao aconteça... À parte isto, a viagem terminou bem, com todos cansados com o dia estafante e cheio de peripécias. Posto isto, ainda se seguiria uma prova muito perigosa: era eu a conduzir a carrinha para nos trazer de regresso de "El Pinar" para casa... felizmente tudo correu bem; apenas se sobressaíram umas mudanças metidas à martelada e umas reduçoes um pouco atribuladas, mas nada de mais...
E assim foi este dia cansativo, mas muito enriquecedor para todos nós; para a próxima saída as coisas vao melhorar e organizar-se melhor!...

ASS: Bruno

terça-feira, novembro 02, 2004

Dia de Todos os Santos

Em Teruel, e creio que em toda a Espanha, há também o costume de ir ao cemitério no dia de Todos os Santos, se bem que o dia mais "correcto" para o fazer seja o de hoje, dos fiéis defuntos. Talvez por isso, nao tenho a certeza, poucas pessoas participaram na eucaristia das 11 da manha, única a que assisti e que foi animada por nós, seminaristas. Mais concretamente, o que quero partilhar convosco é o que tive de fazer em seguida, no dia de ontem; por muito azar meu, calhou-me a mim e ao Luismi o turno da cozinha, esta semana, e ainda por cima com um fim de semana prolongado. Acontece que me comprometi a fazer algo, a fazer um cozido à portuguesa, em dia de festa... Comecei duas horas antes a fazê-lo e quase nao chegavam para cozer a carne...(fez-me lembrar as vezes que fiz comida na Casa da Luz e que nunca, ou dificilmente, estavam prontas a tempo). Mas o que interessa é que consegui. Os ingredientes eram um pouco diferentes (aqui nao há couve como em Portugal, ou pelo menos ainda nao a vi), mas o essencial havia. Ao final, correu tudo bem, todos gostaram da comida e eu e o Nuno pudemos disfrutar de algo que já há algum tempo nao era possível, ou seja, comer comida tipicamente portuguesa (ou quase típica). Nao quer dizer que nao goste da comida daqui de Espanha, mas confesso que já tinha saudades de "algo" português.
Bom, e assim passei eu uma boa parte do dia de Todos os Santos na cozinha, mas nao só... descanso e trabalho vicentino para as aulas de hoje também fizeram parte deste dia...

ASS: Bruno

MARIAZINHA

No dia em que a Igreja faz memória dos fieis defuntos, para os quais acreditamos e confiamos que a ressurreição em Cristo foi, é e será um facto, quero lembrar uma mulher que, em momentos muito importantes da minha vida, foi presença de Deus para mim. Essa mulher, não o sabendo, foi e é sinal de Deus que me chama, foi a voz de Deus que me convidava (e convida) a segui-l’O por um caminho que se não adivinhava fácil, e o qual me recusei a admitir até aos 22 anos, mas que me poderá conduzir à realização total enquanto pessoa e enquanto cristão.
Essa mulher esteve presente na minha vida desde o meu nascimento e foi quem me encaminhou nos meus primeiros passos da fé. O seu rosto suave e macio, com uns lindos e transparentes olhos azuis ou cinzentos (conforme os dias e o tempo), o seu suave cabelo branco, nem sempre muito bem penteado mas sempre brilhante como neve, as peles dos seus braços caídas e que me encantavam pela sua suavidade, o seu belo sorriso, tão malandro como sincero, são só alguns pormenores que dela guardo, e guardarei para sempre, na minha memória. Era a minha Mariazinha, a minha “Visa”, a minha bisavó.
Na minha memória estão gravadas as manhãs/madrugadas frias de Inverno em que entrava na sua cama quentinha e acolhedora, depois de ter sido tirado do conforto do “ninho” pela minha mãe que tinha que ir trabalhar para os campos e que por isso me ia colocar ao cuidado da sua avó. Nessa cama fofinha e quente ficava umas duas horas, mas eram duas horas maravilhosas. Nesse tempo dava tempo para dormir, mas também para algo que me encantava, para aprender bonitas e antigas orações, que a minha Maria ia buscando e rebuscando na sua memória de mulher analfabeta.
Na minha memória estão também os fins de tarde de um qualquer dia de semana em que a acompanhava para a eucaristia. Ninguém mais estava disponível, e eu até gostava de a acompanhar. Nessa altura sentia-me encantado ao ver o P. João a celebrar, e a minha avó dava-me a hipótese de o ver nessa actividade mais um dia além do domingo. Já então eu sentia o chamamento de Deus, mas faltava-me a coragem e a oportunidade para o assumir…
Na minha memória ficou e ficará para sempre registado, também, aquela tarde de primavera, no dia 31 de Março, era eu um adolescente com 17 anos, em que ouvi o seu último suspiro, em que a senti abandonar o seu velho e cansado corpo, em que sentado a seu lado na cama senti a paz da sua despedida desta sua passagem por este mundo.
Mas agora acredito e espero que a minha Maria está na felicidade eterna junto de Deus e de Maria (a quem ela rezava tantos e contínuos Terços) intercedendo por mim e pela minha caminhada vocacional. Afinal a semente da minha vocação foi abundantemente regada por ela na sua vida terrena, só é de esperar que a continue regando na sua vida eterna.

Obrigado Senhor por na minha vida teres colocado a minha bisavó e Tua serva Maria! Ela, que foi para mim Tua presença e voz, esteja agora incluída no número dos incontáveis que gozam o prémio da ressurreição! Ámen!
Ass: Nuno Miguel Lopes

domingo, outubro 31, 2004

AMAR A VIDA!


Na liturgia deste domingo somos surpreendidos, na primeira leitura, com um belo texto, bem antigo por sinal, que nos fala do Senhor que ama a vida, que é o nosso Deus, o Deus dos patriarcas e dos profetas, mas também o Deus do qual Jesus Cristo é a revelação última e perfeita.
Nesse texto, um excerto do Livro da Sabedoria (Sb 11,22 – 12,2), de uma forma poética, e por isso bela, é-nos apresentado o nosso Deus como Criador de tudo o que existe na superfície da terra. E como Criador que é, como poderia Deus não amar toda a sua criação?

«Tu amas tudo quanto existe
E não detestas nada do que fizeste;
Pois, se odiasses alguma coisa,
Não a terias criado.»

(Sb 11,24)

Depois de escutar este belo texto na eucaristia em espanhol, senti a necessidade interior de vir para o quarto lê-lo em português, minha bela e amada língua materna, e assim o fiz. É um texto que me conduziu à oração, ao diálogo de louvor e agradecimento ao Deus que me criou e que me ama, que criou tudo o que me rodeia e que a tudo ama como criatura e obra sua, ao Deus que me convida a participar nesse amor pela criação, ao Deus que além de Senhor da vida por ela tem um imenso amor.
Não podia deixar de partilhar esta descoberta convosco! A todos convido a ler esse texto e a rezar com ele. Vão ver que não é tempo perdido!!!

Louvor e glória a Ti Senhor!!!
Graças te dou por toda a criação!!!
Graças te dou por me haveres criado e por me amares!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes
Nota: Afinal a ecologia não é uma invenção dos homens do nosso tempo!
O nosso Deus foi o primeiro ecologista!!! Quem diria???...

sábado, outubro 30, 2004

GLÓRIA…


Hoje, porque é sábado, foi dia de irmos ao Pinar, para o nosso habitual voluntariado semanal. Durante as três horas que lá passámos, fomos dar um passeio, a pé, com 30 deles e, depois, fomos para a capela, onde cantámos com eles e falámos um pouco sobre o evangelho deste Domingo (e que bem que falou o nosso Toni…).
Foi uma manhã muito bem passada! (O Bruno que o diga…)

Quem veio de lá muito vermelho foi o nosso Bruno.
Quando vínhamos de saída, eis que se vê alguém correr, esbaforida, em direcção a nós (Confessem que até dá para imaginar uma qualquer cena de um qualquer filme romântico…). Quem era? Era a Glória. Não a glória do Senhor, que essa não é dada a correrias, mas a utente do Pinar de nome Glória. Que queria? A nós nada. Só queria o Bruno, para lhe entregar uma folha para ele lá escrever a sua morada para que ela lhe pudesse escrever… Meu Deus! Onde isto chegou… Bastou o Bruno cortar o cabelo e, além das mil e uma velhinhas da paróquia, já tem uma fã no Pinar…
Já dizia a minha avozinha: «Os mais calados são os piores!!!», e como era sábia!!!

ASS: Nuno Miguel Lopes

Nota: é óbvio que quem ficou mais envergonhado e vermelho que nem um tomate foi o Bruno… mas que a situação foi cómica nem ele pode negar!!! Mas para aliviar o stress até já lhe propus que fosse cantarolando “Glória, Glória, Aleluia!!!...”

terça-feira, outubro 26, 2004

Um simbólico regalo de 3 computadores antes do aniversário do benjamim da casa!


Ontem, fomos prendados com três novos computadores. Os anteriores já eram muito velhos e, entao, ficou decidido que se renovariam. Nao só se renovaram como também se acrescentou mais um aos que já tinhamos. Agora, passamos a dispor de 4 computadores, todos com acesso à Internet. Esta simbólica (?!) prenda tem lugar um dia antes de celebrarmos pela primeira vez um aniversário aquí em casa (nao o dia do santo com o mesmo nome); e como se começa, geralmente, do princípio, o primeiro a celebrar o seu aniversário foi o benjamim da casa, o Toni (António) da provincia de Madrid, que completou hoje 20 anos. Um aniversário, aquí em Teruel, festeja-se com muita pompa, de maneira que um de nós (Alexis) que já havia estado aquí nesta casa com o Pedro, quando soube que o Toni fazia anos, resplandeceu de alegria porque era sinal que iria haver festa, boa comida, e com um pouco de sorte, dispensa de alguna das aulas do dia, o que acabou por acontecer (este facto mereceu o nosso aplauso em pleno refeitório).
Bom, ao Toni desejamos-lhe tudo de bom, que seja feliz e que cumpra muitos mais anos ao longo da sua vida. Em síntese, que seja comulado das bençaos de Deus.
Quanto a nós, já estamos a fazer contas para ver quem é o próximo a fazer anos, pois significa festa cá em casa. O mesmo Toni disse que na sua anterior casa (Madrid) nunca tinha celebrado assim o seu aniversário.
Ass: Bruno

sábado, outubro 23, 2004

Horário de Seminário Interno

Demorou, mas finalmente publicamos o nosso horário de seminário interno. Para isso, tentarei ser breve...
Durante a semana, o levantar é às 8 horas (mais ou menos)e meia hora depois rezamos laudes com a comunidade. De seguida, tomamos o pequeno almoço e começamos as aulas: duas de manha (10h e 12:30m)e duas de tarde (4h e 5:30m), intercaladas com o almoço e sesta para alguns. Já ao fim da tarde, ás 20 horas, temos a Eucaristia (3 dias por semana só com o grupo se seminário interno e as restantes na paróquia), vésperas com a comunidade, jantar às 21h e Completas às 22:30m, última actividade do dia em conjunto.
Qual a distribuiçao das matérias durante a semana?
Bom, à segunda-feira temas aulas de S. Vicente (estamos a ler a Biografia de José Román), Temas Bíblicos, Música (Guitarra e Piano) e Francês (eu e o Nuno em vez do Francês, durante toda a semana, temos Espanhol, pelo menos até ao Natal).
À terça-feira, temos S. Vicente, Catecismo da Igreja, Francês e História da Espiritualidade.
Quartas-feiras fazemos Desporto toda a manha e algumas limpezas, Música (solfeo, história da música, etc) e História da Espiritualidade.
Às quintas debruçamo-nos sobre S. Vicente, História da Espiritualidade, Música e Francês.
Às sextas-feiras temos Documentos da Igreja, Catequética, Francês e Documentos da C.M.
Falta o Fim de semana: No Sábado de manha vamos ao hospital psiquiátrico "El Pinar", de tarde fazemos algumas limpezas e, à noite, vemos um filme, pois o deitar é livre (mais ou menos). Já no Domingo, o levantar é livre e a Eucaristia em que participamos (regra geral) é a das 11h, que é a missa das crianças; a tarde é livre.
Antes de terminar e depois de apresentar o nosso horário de uma forma tao formal, quero ainda acrescentar alguns pensamentos, sentimentos, opinioes que alguns de nós temos sobre o dia a dia, sobre as aulas. Primeiro, há quem diga que, a este ritmo, para fins de Novembro já temos a biografia de Román sobre S. Vicente, toda lida e estudada; é que vamos a ritmo de competiçao F1... Quanto ás aulas de Francês, tenho pena de nao poder lá estar porque, mais parece uma comédia: tudo se ri naquelas aulas; parece que é por causa da excelente pronúncia francesa de alguns. O desporto que fazemos é variadíssimo: frontón; e só para metade do grupo, porque os outros nao apreciam muito o desporto; a última vez que joguei, mandei duas bolas para a casa da visinha; quem nao sabe é como quem nao vê. Quanto à primeira aula de Documentos da C.M. aproveitamos para dar uma passagem muito rápida sobre as constituiçoes; eis uma breve passagem, para mostrar que é verdade o que digo: "...como quien se sabe en la presencia de Dios, nadie duerma sin camisón o sin cubrirse decentemente."Com estas palavras, a gente riu-se até nao poder mais e até andamos a averiguar quem é que cumpria as regras...
Bom, é melhor terminar por aqui, pois isto já vai longo. Voltarei a dar notícias...

ASS. BRUNO

sexta-feira, outubro 22, 2004

SURPREENDENDO O P. MUNETA?!?


Na manhã de hoje, a tranquilidade que habitualmente invade esta casa foi subitamente interrompida…
Estávamos nós, muito atentos e compenetrados, na aula de Documentos da Igreja, a analisar a Constituição Dogmática «Lumen Gentium», quando, vindos não sabíamos de onde nem de quem, começámos a escutar uns gritos desordenados e incompreensíveis (para mim, claro!). Estaria alguém a sentir-se mal? Estaríamos a ser invadidos por marcianos? Seria alguma sessão de correcção fraterna? Porque a curiosidade é uma das características, não só humana, mas de todo o reino animal, fomos averiguar o que se passaria afinal… Eis, que saindo da sala de aula, verificamos que a fonte desses gritos se situava no nosso piso. Era o P. Muneta que havia gritado. Porquê? Estava ele chegando tranquilamente aos seus aposentos quando, para sua surpresa (muito desagradável, por sinal), após abrir a porta, verifica que se encontra alguém desconhecido a remexer-lhe as gavetas. Ao deparar-se com esse espectáculo, o P. Muneta fez o que qualquer pessoa normal faria: gritou!!! O efeito foi o esperado. Se grande susto tinha apanhado o P. Muneta, susto maior apanhou o intruso, e escapuliu-se o mais rápido que pode… vida de ladrão é difícil!!!

Estaria o intruso com algumas dúvidas vocacionais e procurando documentação de apoio para o seu discernimento?
Seria o intruso um espírito caridoso que queria ajudar o P. Muneta a arrumar as suas gavetas?

Brincadeiras à parte, definitivamente nem em nossas casas podemos estar tranquilos! O mundo em que vivemos é um ninho de inseguranças em que o que tínhamos por nosso rapidamente o deixa de ser… que mundo este!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

quarta-feira, outubro 20, 2004

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!!!


Hoje, para gáudio e consolo de 50 % dos portugueses no Seminário Interno em Teruel (eu mesmo!!!), o ecónomo da comunidade foi às compras e no lote de mercadorias adquiridas estava incluída uma máquina de café expresso.
Oh, contentamento!
Oh, consolação!
Que alegria me dá a possibilidade de, às horas que assim desejar, tomar um café digno desse nome!
Louvado seja o ecónomo desta casa e a comunidade que o escolheu!

Ass: Nuno Miguel Lopes

segunda-feira, outubro 18, 2004

AUMENTO DO NÚMERO DE FIEIS NAS EUCARISTIAS DOMINICAIS!!!

Desde que o Bruno chegou a Teruel, a cidade mudou completamente, principalmente na Paróquia da Milagrosa (onde residimos e trabalhamos).
Passo a explicar:
Como todos sabem, ou talvez não, o nosso Bruno é um organista de renome internacional, pelo menos agora passou a ser!!! Na Paróquia da Milagrosa, o organista de serviço é, normalmente, o P. Muneta. Neste passado domingo, porque o P. Muneta teve que se ausentar, o orgão ficou a cargo do nosso Bruno, nas missas quase todas... tendo por acompanhamento a bela voz de rouxinol do José (um andaluz de granada)... O que vos digo, amigos meus, é que o sucesso foi tal que houve velhinhas que vieram a 5 missas nesse fim de semana... só não vieram a mais porque as não houve... Elas cantavam, riam, choravam de alegria, dançavam, enfim não cabiam em si de contentes... a igreja, na última missa de domingo, já rebentava pelas costuras... até havia gente em dupla fila... até teve que intervir a guardia civil... bem foi o acontecimento do ano em Teruel... se vistes os jornais de Espanha deveis ter lido sobre isso...
... quem não achou muita piada à história foi o P. Muneta quando chegou e lhe contaram o sucedido... ficou em pânico e foi logo praticar, e praticar, e praticar, para que lhe não tirem o lugar... coitado do homem... isto não se faz... basta apanhá-lo pelas costas, e zumba, vai de dar-lhe uma facada!!! Mas, e citando o tonto do LF Vieira, «Isto não fica assim!!!»
Ass: Nuno Miguel Lopes
PS - Esta crónica é pura ficção e nada mais que isso!
Os dados reais em que se baseia são:
  • O P. Muneta efectivamente esteve fora este fim de semana!
  • Efectivamente pediu ao nosso Bruno para tocar orgão!
  • Efectivamente o Bruno tocou muito bem!

Tudo o resto é ficção!!! Afinal, há que dar animação a esta crónica... ou será que não???

sexta-feira, outubro 15, 2004

UMA VIAGEM ATRIBULADA!!!


Era uma vez um grupo de jovens seminaristas vicentinos que tinham recebido o presente, generosamente concedido pelo seu director, de irem a Zaragoza passar o dia. Esses jovens seminaristas tiveram um dia tão irreal como inesquecível.
Pela manhã, depois de louvarem o Senhor e de convenientemente se alimentarem, eis que os jovens estavam todos prontos para sair para a tão ansiada viagem a Zaragoza. Surpresa das surpresas: o portão da garagem não abre!!! Que fazer??? Partimos a chave??? Rezamos para que abra??? Depois de muitas tentativas, opiniões e empurrões lá se abriu o portão, que imediatamente se decidiu não voltar a fechar!!! (Neste momento o azar já ganhava por 1-0, mas o dia ainda estava só a começar…)
A viagem, que correu bastante bem, deu para tudo. Até para ver a cabeça do Bruno a fazer contorcionismo… os da Luz sabem a que me refiro!!!
Chegados a Zaragoza, era o momento de procurar um parque para estacionar a carrinha. Decidimos ir para um estacionamento subterrâneo… e que mal decidimos!!! Entrámos, e eis que se ouve o primeiro ruído: o tecto da carrinha está a roçar no tecto do parque… Como fazer??? Como não vimos antes que não havia altura suficiente??? Depois de o mal ter sido feito havia era que tentar solucionar! Ora anda para a frente… ora todos para a traseira para fazer peso… ora todos a levantar um cano mais atrevido… ora todos a vazar os pneus… ora todos a tirar os sinais suspensos do tecto do parque… Bem, foi uma situação digna dos apanhados ou dos malucos do riso, só lá faltou o Mr. Bean… Lá conseguimos um lugar para a carrinha, e para que descansássemos lá a deixámos, adiando o problema da saída. (Neste momento o azar já ganhava por 2-0, e dominava o jogo!!!)
Saídos do parque fomos ver um interessante cortejo que decorria na cidade, ainda no contexto das festas da Senhora do Pilar. Era o cortejo da oferta dos frutos da terra à Senhora. Foi muito interessante ver as várias zonas de Espanha a passarem pela nossa frente, representadas pelos seus habitantes vestidos com roupa típica da zona e com os frutos da terra nas mãos… foi um espectáculo muito interessante… Pelas ruas viam-se milhares de pessoas e na Basílica também. A Basílica do Pilar, de grande beleza exterior, é de uma imponência fabulosa no seu interior! Além de ricamente decorada, é possuidora da majestade que só os grandes monumentos têm.
Depois de uma breve passagem diante da imagem de N. Sr.ª do Pilar, o azar estava com um poderio atacante fenomenal e prestes a marcar golo… Voltámos ao parque de estacionamento para irmos para a casa provincial da Província de Zaragoza da CM. Se havia sido difícil levar a carrinha até onde estava, já imaginávamos as dificuldades que nos esperávamos… mais umas indicações luminosas a tirar do tecto… mais umas ginásticas do condutor… enfim, uma comédia!!! Lá arranjámos um esquema e fomos em frente, o problema é que o sentido proibido em que nos havíamos metido tinha motivos válidos para ali ter sido colocado: a quase impossibilidade de fazer a curva para a saída… mais umas ginásticas, mais umas vergonhas, mais umas opiniões… e eis que vemos a luz do dia: ALELUIA!!! (Mas o facto era que o azar se mantinha ganhando 2-0 e a atacar… e, gooooolo, 3-0… os pneus que havíamos vazado neste momento não estavam em condições para grandes rodagens… mas lá fomos, a barriga já estava a dar horas!!!)
Depois de almoçarmos muito bem num restaurante muito “típico” (Um dos 1001 restaurante chineses que pululam esta nossa ibéria), lá fomos até à casa provincial de Zaragoza para descansar um pouco…
Depois do merecido descanso, chegou a hora de nos dirigirmos de novo ao Pilar, claro que com a convicta decisão de não voltar a entrar em parques de estacionamento com menos de 5 metros de altura… por causa dessa decisão só conseguimos estacionar a uma certa distância do lugar pretendido… mas, enfim, antes isso que sofrer mais um golo…
Pelo inicio da noite o que fomos ver foi a procissão do rosário… Uma procissão ainda incluída nas festividades da Senhora do Pilar, mas que é muito original: os participantes vão todos com roupas típicas da sua zona, os mistérios vão representados nuns andores iluminados de vidro, no final vinha uma representação, em vidro, da Basílica do Pilar, e ainda uma caravela de Colombo… tudo isto iluminado a rigor… foi um espectáculo muito interessante…
E eis que chegou a hora de voltar a casa… já eram mais de onze da noite e todos pensávamos «ainda bem que chegou ao fim e nada mais pode correr mal»… que anjinhos!!! Que ingénuos!!! O azar estava a jogar como Portugal (que alguns estavam a ver no Estádio de Alvalade – a ver se quando aí estávamos alguma vez fomos ao estádio!!! Basta ver-nos pelas costas e é só festança!!! Grandes amigos!!!) e queria a goleada! E consegui: estávamos a exactamente 37 km de Teruel quando a carrinha parou com falta de gasóleo!!! Todos pensámos que aquilo só podia ser um pesadelo!!! Como é que um condutor, qualquer que seja, deixa chegar um depósito a zero???? Como? Perguntem que nós respondemos (Até podemos fazer um curso por correspondência!!!)… o facto é que só nos deitámos pelas 2h da manhã, mas muito descansados e todos pensando: Uffffa!!! Ainda bem que terminou!!!!

Ass: Nuno Miguel Lopes

PS - Tudo isto é verídico e passou-se na passada quarta-feira, dia 13… O que vale é que até nem somos supersticiosos, senão....

terça-feira, outubro 12, 2004

Albarracín

No passado Domingo, fomos todos de visita a Albarracín: nós seminaristas e o Padre Muneta que foi o nosso Cicerone. Ainda nao tinhamos chegado e já a paisagem nos deslumbrava, com montes bem altos, floresta bela, acompanhada de um rio. Quase, quase a chegarmos, tivemos que passar por residentes, pois passamos um sinal de proibiçao, menos para residentes. A primeira paragem foi numa capela do sé.c XVI, onde vimos um pequeno filme sobre a história da cidade e seus encantos mais significativos. De seguida, visitamos a catedral: vimos o Padre Muneta a tocar no orgao de tubos, vimos o altar preciosíssimo com um sacrário giratório que nunca tinha visto, vimos um altar dedicado a S. Pedro lindíssimo e, no fim, até nos ofereceram uma pequena merenda. De seguida, como já era um pouco tarde, demos uma volta rápida a toda a cidade, rodeada toda ela de uma muralha praticamente intranspunível na altura das grandes batalhas. Só para terem uma ideia da beleza da cidade, disseram-nos que os recém casados príncipes de España visitaram esta cidade, após terem casado; qual a razao? Por ser encantadora... Sem dúvida que têm muito bom gosto.
Bom, depois de tudo isto, o Padre Muneta guiou-nos por outro caminho até casa; a paisagem era também ela espetacular, mas a estrada, apesar do bom piso, era muito estreita, de maneira que dois carros nao cabiam muito bem e foram várias as vezes que faltou um triz para nos tocarmos; mas felizmente correu tudo bem...
Teruel é encantadora, mas Albarracín nao lhe fica a trás...

Bruno

NUESTRA SEÑORA DEL PILAR

"Aleluia!
Louvai a Deus no seu santuário;
louvai-o no seu majestoso firmamento!
(...)
Louvai-o ao som da trombeta;
louvai-o com a harpa e a cítara!
Louvai-o com tambores e danças;
louvai-o com instrumentos de corda e flautas!
(...)
Aleluia!"
(Sl 150, 1.3.4.6b)
Hoje, em Espanha, a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora "Del Pilar", cuja catedral está em Zaragoza. É uma invocação de Nossa Senhora muito amada e querida pelo povo espanhol, e sobretudo pelo aragonês. Advém da lenda segundo a qual Nossa Senhora teria aparecido em carne mortal a Santiago em Zaragoza. O Santo, que estava empenhado com a evangelização desta zona da Península Ibérica, estava em desânimo por não ver frutos do seu esforço. A Virgem na sua aparição ter-lhe-á deixado a coluna (o Pilar) que serviria para construir a Igreja espanhola e o povo se converteria. Independente da lenda, o que importa é o amor que este povo tem à Mãe de Deus, e esse amor é notório!!!
Aqui, na Paróquia "de la Milagrosa", onde estamos, celebrou-se uma eucaristia que, para mim, foi a encarnação do salmo 150(que coloquei no inicio desta crónica).
A celebração foi animada por um grupo folclórico.
Fiquei encantado: as vozes, tão belas quanto típicas; a dança, em que um casal enquanto tocava castanholas louvava o Senhor com o seu dançar; o povo, que acorreu à igreja não deixando um espaço por ocupar; as roupas, tipicas e garridas; Enfim, todo o conjunto envolvia e encantava.
Foi uma experiência nova para mim, mas intensa para todos os presentes, chegando ao ponto de toda a assembleia romper em palmas no final de alguns cânticos!!!
Louvou-se o Senhor!
Venerou-se Maria!
Fez-se festa!
Aleluia!
Ass: Nuno Miguel Lopes

sábado, outubro 09, 2004

“MATRIMÓNIO”


Como deve ser do conhecimento geral, na passada semana foi aprovada pelo Governo espanhol uma lei que concede o direito ao “matrimónio” por parte das parelhas homossexuais. Como se tal não bastasse, além do direito ao “matrimónio” (que, como já deveis ter notado, nem ouso escrever com letra grande), o governo espanhol concede o direito a essas mesmas parelhas de adoptar uma criança.
A Igreja Católica em Espanha, pela voz da Conferência Episcopal, logo reagiu, e bem, vindo alertar para o facto de o direito de adopção ser um direito da criança e não do casal que a adopta. Além disso, o Matrimónio é uma instituição da humanidade e um Sacramento da Igreja Católica (e de outras) que prevê a união de amor de duas pessoas de sexos diferentes.
Na minha opinião, realmente deveria ser criado um enquadramento legal qualquer para a união entre duas pessoas do mesmo sexo, para regular algo que já existe de facto. No entanto nunca chamaria essa união de Matrimónio. Chamem-lhe contrato, chamem-lhe o que queiram, Matrimónio não!!! Além disso não venham dizer que essas parelhas tem o direito de adoptar uma criança!!! Ninguém o tem, muito menos essas parelhas!!! O direito é sempre da criança, e eu, que não sou psicólogo, creio que não seria saudável para uma criança ser criada por dois pais ou duas mães!!! É a psicologia que alerta para a necessidade que a criança tem dos dois modelos, um masculino e outro feminino! Alguns defendem que tal não é significativo porque há crianças que foram criadas por parelhas homossexuais e são absolutamente normais e até heterossexuais. É o argumento mais absurdo que já ouvi! Onde já se viu ser a excepção a fazer a norma???

Hoje, estando eu a ler o “EL MUNDO”, deparei-me com esta carta de uma leitora que não posso deixar de partilhar convosco (Não ouso traduzir porque seria uma tarefa tão ingrata como fracassada):

LA MINORÍA DE LOS QUE NO SON MINORÍA

Sr. Director:
Cada vez más me doy cuenta que pertenezco a una minoría extrañísima en España. Lamento reconocer que nuestra familia no es políticamente correcta, ya que en ella no hay ningún musulmán, preso, homosexual, cineasta o actor de moda, político nacionalista, drogadicto, maltratado/a, inmigrante ilegal, abortos provocados o eutanasias activas. Nuestro problema es que vivimos en Madrid, los niños estudian, confieso que en un centro concertado y los mayores trabajamos y pagamos los impuestos. Para empeorar la situación, somos católicos creyentes y practicantes. Me gustaría preguntarle al presidente del Gobierno si tiene algún plan para minorías como la nuestra, a la que lo que le preocupa es la seguridad ciudadana, el terrorismo, que funcione la justicia, la educación, la sanidad y las infraestructuras y que en lo demás nos dejen en paz.
Como sugerencia, podían empezar por tratarnos al menos como al burro ibérico y crear una Fundación para la Protección de la Familia Autóctona del País, y declararnos especie protegida en peligro de extinción.

Maria José Larrea. In “El Mundo” de 9/19/2004
Ass: Nuno Miguel Lopes