domingo, junho 19, 2005

«PORTUGAL, HOJE – O MEDO DE EXISTIR»


Sim! Mesmo estando em Espanha, tive acesso ao interessante livro de José Gil (um filósofo português que só agora conheci), cujo titulo “usurpei” para intitular esta partilha: «Portugal, Hoje – O medo de existir».

É um livro pequenino mas muito denso. De uma maneira muito interessante, o autor parte do real do Portugal contemporâneo para reflectir sobre os problemas desse mesmo Portugal, que são de hoje, mas que o são também de todo o século XX. Para ele, em Portugal, há um medo que aprisiona, dando, por outro lado, uma ilusória sensação de liberdade. Usando as suas palavras: «..., é naturalmente, espontaneamente, que pensamos de uma só maneira, caminhamos por uma só via, como se fosse evidente que só estas existem.» (p. 113).

Para ele o grande mal que ataca ferozmente a sociedade portuguesa é a não-inscrição. Tudo se vive, mas nada deixa «marca». Vivemos de pequenos prazeres, pequenas realizações... mas... deixamos marcas para o futuro? Aliás, será que deixamos marcas no presente?
Todas estas questões vão sendo exploradas nas 142 páginas que o livro tem. Ele vai partilhando a sua reflexão sobre a excessiva dependencia e poder dos média, principalmente das Televisões, sobre o estado do país, sobre as realizações nacionais contemporâneas como o Euro 2004, sobre a política salazarista, sobre os acontecimentos políticos do último verão com a chegada do governo de Santana Lopes,... enfim, com muita clareza vai analizando o Portugal dos nossos dias.

Reconheço que o livro me agradou (para quem me conhece sabe que isso não é de espantar)... porém, senti também alguma sensação de desconforto ao ler algumas das suas páginas... por vezes quase se tem a idea que somos uma nação perdida... e com isso eu não concordo... porque, acima de tudo, acredito, mais que em Portugal, nos portugueses!!!

É um livro que vale a pena!
Quem ainda não leu este Best seller que o faça, verá que não se arrependerá!

Nuno Miguel Lopes, cm

Nota: Não posso deixar de agradecer ao Nélio por se ter lembrado de mim e me ter trazido este livro de Portugal: Obrigado, Nélio!!!

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