segunda-feira, fevereiro 07, 2005

TERUEL MEDIEVAL...


Era uma vez uma linda jovem turelense... como em todas as histórias de encantar, esta bela jovem conheceu o amor... o seu principe, o seu Diego.
Porque os contos de encantar necessitam de emoção, neste caso o pobre Diego foi para a guerra... A pobre jovem, triste e lacrimejante, ficou à espera do seu amado, com o qual, antes da sua partida havia acordado uma data até à qual havia de esperar por ele...
Porque a sina dos amantes é sempre triste, neste caso também não deixou de o ser...
O pai da nossa bela jovem, homem preocupado com a sua descendencia que não via meios de surgir por ter a filha em casa sem se casar, começou a empenhar-se em resolver esse mal, e em casá-la...
A nossa bela jovem lá foi conseguindo atrasar os projectos do preocupado pai, mas, um dia, na mais profunda penumbra existencial ficou ao receber a noticia de que o seu amado Diego havia beijado os frios lábios da morte no campo de batalha...
Como o prazo acordado com Diego estava a terminar e o pai estava cada vez mais insistente com o projecto de a casar, a nossa jovem cedeu e o casamento com um nobre cavaleiro da cidade foi marcado para a véspera do dia em que terminava o prazo...
Ó cruel fado que brincas com os sentimentos dos pobres mortais...
No dia em que o prazo terminava, chega Diego a Teruel e, qual não é o seu espanto quando ao perguntar o porquê da festa na cidade descobre que tudo se deve ao casamento da sua amada...
Diego, apaixonadamente louco, corre ao encontro da sua amada, consegue entrar na casa, e, após tantos momentos de amargura em que a lembrança do seu rosto o anima e conforta, vê o amado rosto...
Como seria de esperar, e porque esta história se passa no tempo em que a honra era palavra ainda com significado, quando Diego pede um beijo a sua amada a única coisa que recebe é um estalo na cara...
Porque não são só as mulheres que sofrem de amor, o nosso pobre Diego, em imenso sofrimento pela rejeição, encontra o consolo dos frios braços da morte e a eles se entrega...
A nossa bela jovem, ainda não senhora por ainda se não ter dado a consumação do matrimónio, em lágrimas por não poder entregar-se ao seu verdadeiro amor, recebe a notícia: o Diego morreu...
Ó sofrimento, ó desdita, ó fado...
Esquecendo tudo e todos, a nossa jovem corre ao encontro do seu amado...
Mudos de espanto, todos os que o morto velavam, assistiram á chegada da nossa jovem... Se lágrimas mais pudessem seus tristes olhos chorar, mais pelas suas belas faces correriam... Ela chega... indiferente a todos, junto ao frio corpo do seu amado se ajoelha...
«O beijo que na vida te neguei, na morte o darei...»
Na lentidão de quem quer saborear o momento, vai aproximando os seus vermelhos lábios dos já pálidos de Diego... e, numa entrega de verdadeira paixão, beija aquele que nunca deixou de amar...
Porque também as mulheres morrem de amor, a nossa bela jovem, que a outro não se queria entregar, a vida abandonou e como o seu amado morta ficou...

Esta história, muito do estilo de Romeu e Julieta, menos famosa embora anterior, é inspiração para Teruel... Os corpos dos dois amantes jazem na bela Igreja de San Pedro e durante este fim de semana foi a sua história ocasião para um reviver o passado...
Toda a cidade vestiu os seus trajes medievais...
Todas as tendas de venda de produtos artesanais se montaram...
O touro saíu à rua...
As encenações do romance dos amantes sucederam-se relembrando todos os momentos do seu fatídico amor...
Enfim, vivi este fim de semana uma festa que me encantou e que recomendo a todos...
É realmente algo digno de se ver!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

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