segunda-feira, janeiro 31, 2005

AS FLORES TAMBÉM MURCHAM...

«A D. Florinda?» - pergunto eu.
«Onde havia de estar? Está no seu canto... está de volta das flores...» - responde alguém no Centro de Dia.

Desde ontem este diálogo já não poderá repetir-se... as flores também murcham, e a D. Florinda murchou e entregou a sua alma ao Criador.

Discretíssima na sua humildade, bonita no seu silêncio, enrugada pelo sofrimento de uma vida nada fácil, a D. Florinda era já um marco no Centro de Dia. O canto das flores já não vai ser o mesmo... as papoulas já não vão ter o mesmo perfume... uma parte do «meu Centro» morre com ela...

Mas a nossa peregrinação pela Terra é isso mesmo, uma passagem...

Creio que agora, aquela que tantas flores fez, aquela que ontem murchou, a D. Florinda, está finalmente junto do Criador como flor que não mucha mais...

Que descanse em paz!!!

Nuno Miguel Lopes, c.m.

1 comentário:

Anónimo disse...

Creio ser o mais belo artigo jamais feito a alguém que sempre procurou a sombra, e não o sol.. Que sempre sofreu, mas no seu intimo. Deus po-la à prova pois à mais de 30 anos que lhe tinha tirado seu marido, ainda novo e seu filho, na guerra colonial. Mas a D. Florinda era forte!, Tinha algo muito grande, a FÉ que a movia era imensa.
Agora já descansa em paz junto dos seus!!
Que Deus lhe dê o eterno descanso.!