Como todas as manhãs, hoje, pelas 9:30h, saí, calmamente saboreando o matinal primeiro cigarro, para comprar o jornal. A gélida aragem matutina contrastava com a timidez do sol que preguiçosamente saía do conforto do seu ninho. A apressada indiferença dos transeuntes assinalava o novo dia que imperiosa e irremediavelmente começava. Na sua pachorra e timidez, o termómetro colocado no exterior da agência funerária, marcava 1º. Continuei caminhando, confortável mas não excessivamente agasalhado, em direcção ao hospital em cujo interior está o, já familiar, quiosque.
Já com o jornal na mão, eis que me deparo com uma notícia, num recôndito da primeira página: «Baptismo Civil». Como é óbvio e natural a minha curiosidade foi despertada. Que era isso de Baptismo Civil???
Fui caminhando e procurando a notícia no interior do jornal. Eis que a encontro e paro, no meio do passeio, para saciar a minha curiosidade.
O que se passou, segundo o jornal «El Mundo», foi que uma mãe, muito fervorosa no seu laicismo, quis que o seu rebento recebesse um baptismo civil. Tinha tentado que tal cerimónia acontecesse em outros “Ayuntamientos”, porém só no de Igualada (Catalunha) é que conseguiu que o Alcayde acedesse a tal intento.
Então, ontem, no dito Ayuntamiento, com toda a solenidade, iniciado com um discurso da laica mãe, teve lugar o acolhimento da pobre criança como membro da comunidade civil. Foram lidos alguns excertos da carta da ONU sobre os direitos da criança e da Constituição do estado espanhol.
O que se passou ontem em Igualada não é inédito. Já nos alvores da primeira república francesa, a 13 de Julho de 1790, quando ainda se respiravam os ares da revolução, se havia feito o primeiro baptismo deste género.
O meu espírito ficou tão inquieto quanto atónito com aquilo que havia lido.
Primeiro, por ser mais um sinal da força do laicismo na sociedade espanhola, que havia sido um dos grandes reinos católicos.
Depois, por ver o ridículo a que chegam pessoas aparentemente tão formadas.
Ora bem, o laicismo pressupõe o afastamento e negação de tudo o que seja religioso. Até aí tudo bem, a religião afinal pressupõe sempre uma decisão e adesão pessoais. Agora que se substitua algo sagrado (afinal o Baptismo é um sacramento!!!) daquilo que se nega por uma barata e ridícula imitação, isso não aceito!
Se os defensores do laicismo querem afirmar as suas pseudo-convicções, creio que por este caminho não chegam lá. Assim só conseguem o descrédito e ridicularização dos seus ideais.
Afinal este é só mais um tiro que dão no próprio pé pois já haviam começado “muito bem” com o querer chamar matrimónio à união civil de parelhas homossexuais…
… que tempos estes em que vivemos!!!
Ass: Nuno Miguel Lopes
2 comentários:
¡Qué tiempos estos y los que llegarán, Nuno! NO hemos hecho mas que empezar... "¡Mayores cosas veredes!", amigo Sancho... Menos mal que queda Portugal como reserva espiritual de esta desnortada Europa.
Olha, Nuno, cada religião tem os seus ritos, os seus rituais. Igualmente, cada família, cada comunidade, cada nação. Os agnósticos e os ateus também querem os seus. Será bom que eles tenham rituais próprios para apresentar aos familiares e amigos um filho que nasceu, sobretudo se esse rito quer indicar um compromisso com os direitos da criança, formulados pela ONU! Claro que concordo que podiam encontrar outro nome e não lhe chamar baptismo, mas não é motivo para teres ficado tão preocupado. Aliás, não é com lamúrias que vamos lá.
Enviar um comentário